Estratégias de prevenção e tratamento da infecção pelo citomegalovirus, baseada na avaliação de risco, em receptores pediátricos de transplante renal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Chow, Charles Yea Zen [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/48912/0013000023dj3
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11600/74161
Resumo: Objetivo: Avaliar a eficiência das estratégias de prevenção da infecção por citomegalovírus (CMV) utilizadas em receptores de transplante renal pediátrico. Métodos: Estudo observacional, longitudinal e ambispectivo de centro único em pacientes submetidos a transplante renal pediátrico, entre fevereiro/2018 e agosto/2022. Foram excluídos pares de doadores e receptores com sorologias negativas para CMV-IgG antes do transplante e receptores com perda de seguimento durante o primeiro ano de transplante. Todos os receptores receberam uma dose única de 3 mg/kg de globulina anti-timócito, inibidor de calcineurina e prednisona. A estratégia de prevenção utilizada foi baseada no risco de desenvolvimento da infecção por CMV. O primeiro grupo incluiu receptores CMV-IgG positivo em uso de azatioprina que não realizaram nenhuma estratégia de prevenção (G1, baixo risco). O segundo grupo consistiu de receptores CMV-IgG negativo cujos doadores eram CMV-IgG positivos, recebendo azatioprina ou micofenolato, que realizaram terapia preemptiva iniciando o tratamento com qualquer DNAemia (G2, alto risco). O terceiro grupo incluiu pacientes CMV-IgG positivo em uso de micofenolato que realizaram terapia preemptiva iniciando o tratamento com DNAemia > 5000 UI/ml (G3, risco intermediário). Os pacientes com doença por CMV foram tratados com qualquer valor de DNAemia em todos os grupos. O tempo de seguimento foi de 1 ano após o transplante. Resultados: Foram incluídos no estudo 178 receptores com idade média de 14 anos, predomínio do sexo masculino e 84% tinham a sorologia CMV-IgG positivo pré-transplante. A incidência global de infecção/doença por CMV foi de 36% (50% infecção e 50% doença). A incidência de infecção/doença por CMV foi de 20% no G1 (n=127, 71%), 90% G2 (n=29, 16%) e de 59% no G3 (n=22, 12%). Os principais sintomas diagnósticos de doença por CMV foram leucopenia e febre, e nenhum paciente apresentou doença invasiva. A mediana da duração do tratamento foi de 30 dias, sendo de 28 dias no G1, 49 dias no G2 e 24 dias no G3. A taxa de soroconversão no G2 foi de 88%. A recidiva de CMV ocorreu em 28% dos pacientes, sendo 19% no G1, 46% no G2 e 8% no G3. A incidência de perda do enxerto (6% vs. 3%, p=0,332), rejeição aguda (8% vs. 18%, p=0,128) e a função renal (64,13 vs. 64,13 ml/min, p=1,000) após um ano de transplante não foi diferente comparando pacientes que receberam ou não tratamento para infecção/doença, respectivamente. Não foram observadas diferenças quando essas análises foram realizadas em cada um dos grupos de risco. Não foi observado óbito. Conclusão: A ausência de diferenças na incidência de óbito, perda do enxerto e função renal em receptores com ou sem infecção ou doença por CMV indicou que as estratégias de prevenção da infecção/doença por CMV foram efetivas e seguras.
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Todos os receptores receberam uma dose única de 3 mg/kg de globulina anti-timócito, inibidor de calcineurina e prednisona. A estratégia de prevenção utilizada foi baseada no risco de desenvolvimento da infecção por CMV. O primeiro grupo incluiu receptores CMV-IgG positivo em uso de azatioprina que não realizaram nenhuma estratégia de prevenção (G1, baixo risco). O segundo grupo consistiu de receptores CMV-IgG negativo cujos doadores eram CMV-IgG positivos, recebendo azatioprina ou micofenolato, que realizaram terapia preemptiva iniciando o tratamento com qualquer DNAemia (G2, alto risco). O terceiro grupo incluiu pacientes CMV-IgG positivo em uso de micofenolato que realizaram terapia preemptiva iniciando o tratamento com DNAemia > 5000 UI/ml (G3, risco intermediário). Os pacientes com doença por CMV foram tratados com qualquer valor de DNAemia em todos os grupos. O tempo de seguimento foi de 1 ano após o transplante. Resultados: Foram incluídos no estudo 178 receptores com idade média de 14 anos, predomínio do sexo masculino e 84% tinham a sorologia CMV-IgG positivo pré-transplante. A incidência global de infecção/doença por CMV foi de 36% (50% infecção e 50% doença). A incidência de infecção/doença por CMV foi de 20% no G1 (n=127, 71%), 90% G2 (n=29, 16%) e de 59% no G3 (n=22, 12%). Os principais sintomas diagnósticos de doença por CMV foram leucopenia e febre, e nenhum paciente apresentou doença invasiva. A mediana da duração do tratamento foi de 30 dias, sendo de 28 dias no G1, 49 dias no G2 e 24 dias no G3. A taxa de soroconversão no G2 foi de 88%. A recidiva de CMV ocorreu em 28% dos pacientes, sendo 19% no G1, 46% no G2 e 8% no G3. A incidência de perda do enxerto (6% vs. 3%, p=0,332), rejeição aguda (8% vs. 18%, p=0,128) e a função renal (64,13 vs. 64,13 ml/min, p=1,000) após um ano de transplante não foi diferente comparando pacientes que receberam ou não tratamento para infecção/doença, respectivamente. Não foram observadas diferenças quando essas análises foram realizadas em cada um dos grupos de risco. Não foi observado óbito. Conclusão: A ausência de diferenças na incidência de óbito, perda do enxerto e função renal em receptores com ou sem infecção ou doença por CMV indicou que as estratégias de prevenção da infecção/doença por CMV foram efetivas e seguras. Objetive: To evaluate the efficiency of cytomegalovirus (CMV) infection prevention strategies used in pediatric kidney transplant recipients. Methods: Observational, longitudinal and ambispective single-center study in patients undergoing pediatric kidney transplantation, between February/2018 and August/2022. Pairs of donors and recipients with negative serology for CMV-IgG before transplantation and recipients lost of follow-up during the first year of transplantation were excluded. All recipients received a single dose of 3 mg/kg anti-thymocyte globulin, calcineurin inhibitor and prednisone. The prevention strategy used was based on the risk of developing CMV infection. The first group included positive CMV-IgG recipients using azathioprine who did not have any prevention strategy (G1, low risk). The second group consisted of CMV-IgG negative recipients whose donors were CMV-IgG positive, receiving azathioprine or mycophenolate, under preemptive therapy starting treatment with any DNAemia (G2, high risk). The third group included CMV-IgG positive patients using mycophenolate under preemptive therapy starting treatment with DNAemia > 5000 IU/ml (G3, intermediate risk). Patients with CMV disease were treated with any DNAemia value in all groups. The follow-up time was 1 year after transplantation. Results: 178 recipients were included in the study with a median age of 14 years, predominantly male and 84% had positive CMV-IgG. The overall incidence of CMV infection/disease was 36% (50% infection and 50% disease). The incidence of CMV infection/disease was 20% in G1 (n=127, 71%), 90% in G2 (n=29, 16%) and 59% in G3 (n=22, 12%). The main diagnostic symptoms of CMV disease were leukopenia and fever, and no patient presented with invasive disease. The median duration of treatment was 30 days, being 28 days in G1, 49 days in G2 and 24 days in G3. The seroconversion rate in G2 was 88%. CMV recurrence occurred in 28% of patients, 19% in G1, 46% in G2 and 8% in G3. The incidence of graft loss (6% vs. 3%, p=0.332), acute rejection (8% vs. 18%, p=0.128) and renal function (64.13 vs. 64.13 ml/min, p=1.000) after one year of transplantation was not different comparing patients who received or did not receive treatment for infection/disease, respectively. No differences were observed when these analyzes were performed in each of the risk groups. No death was observed. Conclusion: The absence of differences in the incidence of acute rejection, graft loss and renal function in recipients with or without CMV infection or disease indicates that CMV infection/disease prevention strategies were effective and safe. Universidade Federal de São PauloSilva Junior, Helio Tedesco [UNIFESP]Moura, Lucio Roberto Requião [UNIFESP]http://lattes.cnpq.br/9161729200802261http://lattes.cnpq.br/1621797721074970http://lattes.cnpq.br/3311135022451548Chow, Charles Yea Zen [UNIFESP]2025-05-28T17:23:13Z2025-05-28T17:23:13Z2025-04-09info:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersion123 f.application/pdfCHOW, Charles Yea Zen. Estratégias de prevenção e tratamento da infecção pelo citomegalovirus, baseada na avaliação de risco, em receptores pediátricos de transplante renal. 2025. 123 f. Dissertação (Mestrado em Nefrologia) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). São Paulo, 2025.https://hdl.handle.net/11600/74161ark:/48912/0013000023dj3porSão Pauloinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNIFESPinstname:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)instacron:UNIFESP2025-05-29T04:01:49Zoai:repositorio.unifesp.br:11600/74161Repositório InstitucionalPUBhttp://www.repositorio.unifesp.br/oai/requestbiblioteca.csp@unifesp.bropendoar:34652025-05-29T04:01:49Repositório Institucional da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)false
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