Aby Warburg e a rememoração do Antigo: a contribuição de Burckhardt e Nietzsche para sua concepção do estilo antiquizante

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: D'Antona, Raphael Alves [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11600/75090
Resumo: Este projeto de pesquisa tem por escopo investigar o que o historiador da arte alemão Aby Warburg (1866-1929) chamou de a rememoração do Antigo através da palavra e da imagem do Primeiro ao Alto Renascimento (c. 1475-1525). A circunscrição historiográfica com os autores relacionais, que são muitos em Warburg, se dá naquilo em que ele se enuncia como discípulo e continuador da obra de Jacob Burckhardt (1818-1897) e Friedrich Nietzsche (1844-1900. Isso tem por consequência a assimilação da crítica empreendida por eles à academia de seu tempo, tendo ambos orientado suas obras como o redescobrimento de uma Antiguidade perdida e soterrada pelas categorias cientificizantes da segunda metade do século XIX, assim como pelo legado, extremamente influente, da “serenidade olímpica” de Johann Joachim Winckelmann (1717-1768). Essa teoria, que dá substância à doutrina do belo clássico, é posta em questão pela investigação histórica warburguiana, encontrando nos outros dois autores um suporte para formular sua metodologia crítica da imagem que reconstrói o problema do Renascimento através de uma memória arcaica e anticlássica. Partindo da história cultural de Burckhardt e da dialética apolínio-dionisíaco de Nietzsche, Warburg recoloca o desenvolvimento da figuração antiquizante no Renascimento como um processo de conflito com a cultura medieval cristã e a cultura cortesã borgonhesa ou flandrina. Pondo ênfase na Florença dos Medici, ele identifica justamente na representação do pathos, primeiro na escultura e depois na pintura, a intensificação daquela figuração, divergindo da estética clássica e buscando atingir um extremo na caracterização do corpo nu, principalmente nas cenas de batalha que imitam o Arco de Constantino em Roma. Essa transformação, que se inicia no século XV na Península Itálica e mergulha a modernidade europeia adentro, é dinamizada pelo que Warburg chama de a rememoração dos antigos valores expressivos. O argumento deste trabalho é indagar esse processo dialético dentro de seus limites circunscritos, tendo como foco o contato de Warburg com Nietzsche e Burckhardt e alguns de seus desdobramentos mais fecundos. Para tanto, essa pesquisa tem como base os seguintes textos de Aby Warburg: Der Eintritt des antikisierenden Idealstils in die Malerei der Frührenaissance (1914), Burckhardt und Nieztsche (1927), Kulturwissenschaftliche Methode. Schlussübung (1928), Festwesen (1929), e Die römische Antike in der Werkstatt Ghirlandaios (1929).
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