Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2010
Autor(a) principal: Assis, Igor Rodrigues de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
BR
Fertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,
Doutorado em Solos e Nutrição de Plantas
UFV
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://locus.ufv.br/handle/123456789/1604
Resumo: A presença de metais pesados e metalóides tóxicos nas diferentes esferas (ar, água, solo, etc.) tem causado constante preocupação no âmbito da saúde pública e ambiental. O arsênio (As) é um metalóide com grande potencial de toxicidade e seu teor médio global em solos não contaminados é de 5 a 6 mg kg-1. No entanto, características físicas, químicas e mineralógicas do solo governam sua mobilidade e transferência para a cadeia trófica. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a adsorção de As e avaliar diferentes extratores químicos quanto à capacidade de predizer a disponibilidade de As em solos com diferentes composições mineralógicas. Foram selecionados cinco solos, sendo três Latossolos, um Argissolo e um Cambissolo. Estes solos, com textura variando de argilosa a muito argilosa, receberam aplicação de cinco doses de As que variaram de 0 a 1.060 mg dm-3. As doses aplicadas foram equivalentes a 0; 0,05; 0,1; 0,2 e 0,4 vezes a capacidade máxima de adsorção de As (CMAAs). Os solos foram cultivados com Sorgo (Sorghum bicolor) e Crotalária (Crotalaria spectabilis). Estas espécies foram selecionadas buscando-se contrastar espécie sensível com espécie tolerante ao As, sendo o sorgo tolerante e a crotalária sensível. A disponibilidade de As no solo foi avaliada por meio de cinco extratores químicos: Mehlich 1, Mehlich 3, Ca(H2PO4)2 (7,43 mmol L-1 de Ca(H2PO4)2 em ácido acético), DTPA e resina trocadora de ânions (AR 103-QDP). Amostras da fração argila de cada solo foram submetidas à análise de difração de Raios-X e análise termogravimétrica (ATG), possibilitando, juntamente com os dados da caracterização química, estimar a composição mineralógica dos solos. A capacidade máxima de adsorção de arsênio (CMAAs) foi estimada com auxílio das isotermas de Langmuir. Antes do cultivo foi realizada correção do pH e aplicado As na forma de As2O3, devidamente preparado para se obter As exclusivamente de valência +5. Após um período de três meses de cultivo foi coletado todo o material vegetal existente em cada vaso (raiz, caule e folha) para determinação de biomassa produzida e dos teores de As (ICP-OES). Os solos apresentaram grande variação na proporção de argila, refletindo na CMAAs, que variou de 1,21 a 2,65 g kg-1, com valores superiores para os Latossolos. Houve também grande variação nas quantidades de hematita (Hm), goethita (Gt), gibbsita (Gb) e caulinita (Ct). A CMAAs correlacionou-se significativamente com as quantidades de Gb e Ct, sendo positiva para o primeiro mineral e negativa para o segundo. Os minerais Hm e Gt, isoladamente, não apresentaram correlação significativa, mas a soma destes minerais apresentou a melhor correlação com a CMAAs. No entanto, o atributo do solo que melhor prediz a CMAAs foi o Fe extraído por ditionito-citrato-bicarbonato. Na avaliação dos extratores químicos para estimativa do As biodisponível, foi verificada correlação significativa entre o teor disponível pelos diferentes extratores e o conteúdo de As apenas para as plantas de sorgo. Para esta espécie, todos os extratores químicos apresentaram correlação significativa, sendo o maior coeficiente de correlação obtido com Ca(H2PO4)2 e o menor com a resina. No entanto, o teor disponível de As pelos extratores DTPA e resina foram próximos a zero mesmo nas maiores doses de As aplicado, onde foram observados conteúdos expressivos de As na planta. Portanto, estes extratores não apresentaram capacidade preditiva da biodisponibilidade de As nos solos estudados. Ajustando as equações de regressão do teor disponível em função das doses aplicadas foi possível observar maior sensibilidade às diferenças químicas, físicas e mineralógicas dos solos pelo extrator Ca(H2PO4)2, possuindo portanto maior sensibilidade à capacidade tampão de arsenato dos solos. Assim, a capacidade preditiva da disponibilidade de As nos solos estudados segue a seguinte ordem decrescente: Ca(H2PO4)2 > Mehlich 3 > Mehlich 1. O teor total de As no solo que condicionou a redução de 50 % da produção de biomasssa (T50) foi em média igual a 420 mg dm-3 para a crotalária e 634 mg dm-3 para o sorgo. Estes valores equivalem ao teor disponível pelo extrator Ca(H2PO4)2 de 29,05 e 51,27 mg dm-3 para a crotalária e o sorgo, respectivamente. Portanto, o teor disponível de As que leva a redução de 50 % da biomassa produzida representa aproximadamente 7,5 % do As total do solo. Isto mostra que a utilização de teores totais, adotado pela legislação brasileira, é bastante conservadora, prezando pelo princípio da precaução.
id UFV_72d49d7a036629fb6ba7e7576e4a8462
oai_identifier_str oai:locus.ufv.br:123456789/1604
network_acronym_str UFV
network_name_str LOCUS Repositório Institucional da UFV
repository_id_str
spelling Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicasAdsorption and availability of arsenic in soils with different mineralogical compositionsBiodisponibilidadeSorgoCrotalariaBioavailabilitySorghumCrotalariaCNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA::CIENCIA DO SOLOA presença de metais pesados e metalóides tóxicos nas diferentes esferas (ar, água, solo, etc.) tem causado constante preocupação no âmbito da saúde pública e ambiental. O arsênio (As) é um metalóide com grande potencial de toxicidade e seu teor médio global em solos não contaminados é de 5 a 6 mg kg-1. No entanto, características físicas, químicas e mineralógicas do solo governam sua mobilidade e transferência para a cadeia trófica. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a adsorção de As e avaliar diferentes extratores químicos quanto à capacidade de predizer a disponibilidade de As em solos com diferentes composições mineralógicas. Foram selecionados cinco solos, sendo três Latossolos, um Argissolo e um Cambissolo. Estes solos, com textura variando de argilosa a muito argilosa, receberam aplicação de cinco doses de As que variaram de 0 a 1.060 mg dm-3. As doses aplicadas foram equivalentes a 0; 0,05; 0,1; 0,2 e 0,4 vezes a capacidade máxima de adsorção de As (CMAAs). Os solos foram cultivados com Sorgo (Sorghum bicolor) e Crotalária (Crotalaria spectabilis). Estas espécies foram selecionadas buscando-se contrastar espécie sensível com espécie tolerante ao As, sendo o sorgo tolerante e a crotalária sensível. A disponibilidade de As no solo foi avaliada por meio de cinco extratores químicos: Mehlich 1, Mehlich 3, Ca(H2PO4)2 (7,43 mmol L-1 de Ca(H2PO4)2 em ácido acético), DTPA e resina trocadora de ânions (AR 103-QDP). Amostras da fração argila de cada solo foram submetidas à análise de difração de Raios-X e análise termogravimétrica (ATG), possibilitando, juntamente com os dados da caracterização química, estimar a composição mineralógica dos solos. A capacidade máxima de adsorção de arsênio (CMAAs) foi estimada com auxílio das isotermas de Langmuir. Antes do cultivo foi realizada correção do pH e aplicado As na forma de As2O3, devidamente preparado para se obter As exclusivamente de valência +5. Após um período de três meses de cultivo foi coletado todo o material vegetal existente em cada vaso (raiz, caule e folha) para determinação de biomassa produzida e dos teores de As (ICP-OES). Os solos apresentaram grande variação na proporção de argila, refletindo na CMAAs, que variou de 1,21 a 2,65 g kg-1, com valores superiores para os Latossolos. Houve também grande variação nas quantidades de hematita (Hm), goethita (Gt), gibbsita (Gb) e caulinita (Ct). A CMAAs correlacionou-se significativamente com as quantidades de Gb e Ct, sendo positiva para o primeiro mineral e negativa para o segundo. Os minerais Hm e Gt, isoladamente, não apresentaram correlação significativa, mas a soma destes minerais apresentou a melhor correlação com a CMAAs. No entanto, o atributo do solo que melhor prediz a CMAAs foi o Fe extraído por ditionito-citrato-bicarbonato. Na avaliação dos extratores químicos para estimativa do As biodisponível, foi verificada correlação significativa entre o teor disponível pelos diferentes extratores e o conteúdo de As apenas para as plantas de sorgo. Para esta espécie, todos os extratores químicos apresentaram correlação significativa, sendo o maior coeficiente de correlação obtido com Ca(H2PO4)2 e o menor com a resina. No entanto, o teor disponível de As pelos extratores DTPA e resina foram próximos a zero mesmo nas maiores doses de As aplicado, onde foram observados conteúdos expressivos de As na planta. Portanto, estes extratores não apresentaram capacidade preditiva da biodisponibilidade de As nos solos estudados. Ajustando as equações de regressão do teor disponível em função das doses aplicadas foi possível observar maior sensibilidade às diferenças químicas, físicas e mineralógicas dos solos pelo extrator Ca(H2PO4)2, possuindo portanto maior sensibilidade à capacidade tampão de arsenato dos solos. Assim, a capacidade preditiva da disponibilidade de As nos solos estudados segue a seguinte ordem decrescente: Ca(H2PO4)2 > Mehlich 3 > Mehlich 1. O teor total de As no solo que condicionou a redução de 50 % da produção de biomasssa (T50) foi em média igual a 420 mg dm-3 para a crotalária e 634 mg dm-3 para o sorgo. Estes valores equivalem ao teor disponível pelo extrator Ca(H2PO4)2 de 29,05 e 51,27 mg dm-3 para a crotalária e o sorgo, respectivamente. Portanto, o teor disponível de As que leva a redução de 50 % da biomassa produzida representa aproximadamente 7,5 % do As total do solo. Isto mostra que a utilização de teores totais, adotado pela legislação brasileira, é bastante conservadora, prezando pelo princípio da precaução.Heavy metals and toxic metalloids presence in different environments (air, water, soil, etc.) have caused constant environmental and public health concern. Arsenic (As) is a metalloid with great toxicity potential and its overall concentrations on natural soils is about 5 to 6 mg kg-1. However, physical, chemical and mineralogical soil characteristics play a fundamental hole an As mobility and transfer to the food chain. The aim of this study was to characterize the adsorption of As and evaluate the potential of different chemical extractants to predict the As availability in soils with different mineralogical compositions. The experiment was set up using five soils type: three Latossols, one Argisol and one Cambisol, presenting clay or heavy clay texture. The soils received five doses of As, ranging from 0 to 1,060 mg dm-3, which was corresponding to 0, 0.05, 0.1, 0.2 and 0.4 times the maximum adsorption capacity of As (CMAAs). The soils were cultivated with sorghum (Sorghum bicolor) and crotalaria (Crotalaria spectabilis). These species were selected trying to contrast the sensitive species with tolerant species to As. The available As in the soil was evaluated by five extractants: Mehlich 1, Mehlich 3, Ca(H2PO4)2 (Ca(H2PO4)2 7.43 mmol L-1 with acetic acid), DTPA and anion exchange resin (AR-103 QDP). Clay samples were submitted to X-ray diffraction and thermogravimetric (TGA) analysis, allowing, together with data from chemical characterization, to estimate the soil mineralogical composition. The CMAAs was estimated adjusting the data to the Langmuir isotherm. Before the cultivation, the soil pH´s was adjusted to 5.5 and As applied in the form of As2O3, properly prepared to obtain exclusively +5 valence. Three months after the planting time, all plant material was collected (root, stem and leaf) for determination of biomass production and the As content (ICP-OES). The soils showed a large clay proportion, reflecting the CMAAs, which varied from 1.21 to 2.65 g kg-1, with higher values belonging to Latossols. There was also wide variation in the amounts of hematite (Hm), goethite (Gt), gibbsite (Gb) and kaolinite (Ka). The CMAAs correlated significantly with the Gb and Ct amount, being positive for the first mineral and negative for the second. Hm and Gt minerals alone did not show significant correlation, however the sum of these minerals showed the best correlation with CMAAs. The soil attribute that best predicts the CMAAs was the content of iron extracted by ditionite- citratebicarbonate. By assessing the chemical methods to estimate the available As, there was a significant correlation between the available content by different extractants and the As-sorghum content. For that plant, all the chemical extractants showed significant correlation, being the highest correlation coefficient obtained for Ca(H2PO4)2 and the smallest for resin. The available As content by DTPA and resin, however, were close to zero even at the highest levels of As applied where expressive As contents were observed in the plant. Therefore, these extractants showed no ability to predict the soil available As. Adjusting regression equations between available As content and applied doses, greater sensitivity to different chemical, physical and mineralogical soil could be observed by the Ca(H2PO4)2 extractor, having greater sensitivity to arsenate buffer capacity of the soils. Thus, the predictive ability of available As in the soils follows this order: Ca(H2PO4)2> Mehlich 3> Mehlich 1. The total As soil content that leads to a 50% of biomasss reduction (T50) was about 420 mg dm-3 for crotalaria and 634 mg dm-3 for sorghum. These values correspond to the content available by Ca(H2PO4)2 extractor, 29.05 and 51.27 mg dm-3 for the crotalaria and sorghum, respectively. Therefore, available As content that leads to 50% of biomass reduction is approximately 7.5% of the total As in the soil. This shows that the use of total content, legislation adopted by Brazil, is very conservative, respecting the principle of precaution.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorUniversidade Federal de ViçosaBRFertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,Doutorado em Solos e Nutrição de PlantasUFVhttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4778546P9Fernandes, Raphael Bragança Alveshttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4728400J8Abrahão, Walter Antônio Pereirahttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4798343H6Dias, Luiz Eduardohttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4788182U8Euclydes, Rosane Maria de Aguiarhttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4786094T9Silva, Juscimar dahttp://lattes.cnpq.br/1823571141094864Assis, Igor Rodrigues de2015-03-26T12:52:42Z2011-08-092015-03-26T12:52:42Z2010-02-03info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfapplication/pdfASSIS, Igor Rodrigues de. Adsorption and availability of arsenic in soils with different mineralogical compositions. 2010. 85 f. Tese (Doutorado em Fertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2010.http://locus.ufv.br/handle/123456789/1604porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:LOCUS Repositório Institucional da UFVinstname:Universidade Federal de Viçosa (UFV)instacron:UFV2016-04-08T02:09:43Zoai:locus.ufv.br:123456789/1604Repositório InstitucionalPUBhttps://www.locus.ufv.br/oai/requestfabiojreis@ufv.bropendoar:21452016-04-08T02:09:43LOCUS Repositório Institucional da UFV - Universidade Federal de Viçosa (UFV)false
dc.title.none.fl_str_mv Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas
Adsorption and availability of arsenic in soils with different mineralogical compositions
title Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas
spellingShingle Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas
Assis, Igor Rodrigues de
Biodisponibilidade
Sorgo
Crotalaria
Bioavailability
Sorghum
Crotalaria
CNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA::CIENCIA DO SOLO
title_short Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas
title_full Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas
title_fullStr Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas
title_full_unstemmed Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas
title_sort Adsorção e disponibilidade de arsênio em solos com diferentes composições mineralógicas
author Assis, Igor Rodrigues de
author_facet Assis, Igor Rodrigues de
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4778546P9
Fernandes, Raphael Bragança Alves
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4728400J8
Abrahão, Walter Antônio Pereira
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4798343H6
Dias, Luiz Eduardo
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4788182U8
Euclydes, Rosane Maria de Aguiar
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4786094T9
Silva, Juscimar da
http://lattes.cnpq.br/1823571141094864
dc.contributor.author.fl_str_mv Assis, Igor Rodrigues de
dc.subject.por.fl_str_mv Biodisponibilidade
Sorgo
Crotalaria
Bioavailability
Sorghum
Crotalaria
CNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA::CIENCIA DO SOLO
topic Biodisponibilidade
Sorgo
Crotalaria
Bioavailability
Sorghum
Crotalaria
CNPQ::CIENCIAS AGRARIAS::AGRONOMIA::CIENCIA DO SOLO
description A presença de metais pesados e metalóides tóxicos nas diferentes esferas (ar, água, solo, etc.) tem causado constante preocupação no âmbito da saúde pública e ambiental. O arsênio (As) é um metalóide com grande potencial de toxicidade e seu teor médio global em solos não contaminados é de 5 a 6 mg kg-1. No entanto, características físicas, químicas e mineralógicas do solo governam sua mobilidade e transferência para a cadeia trófica. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a adsorção de As e avaliar diferentes extratores químicos quanto à capacidade de predizer a disponibilidade de As em solos com diferentes composições mineralógicas. Foram selecionados cinco solos, sendo três Latossolos, um Argissolo e um Cambissolo. Estes solos, com textura variando de argilosa a muito argilosa, receberam aplicação de cinco doses de As que variaram de 0 a 1.060 mg dm-3. As doses aplicadas foram equivalentes a 0; 0,05; 0,1; 0,2 e 0,4 vezes a capacidade máxima de adsorção de As (CMAAs). Os solos foram cultivados com Sorgo (Sorghum bicolor) e Crotalária (Crotalaria spectabilis). Estas espécies foram selecionadas buscando-se contrastar espécie sensível com espécie tolerante ao As, sendo o sorgo tolerante e a crotalária sensível. A disponibilidade de As no solo foi avaliada por meio de cinco extratores químicos: Mehlich 1, Mehlich 3, Ca(H2PO4)2 (7,43 mmol L-1 de Ca(H2PO4)2 em ácido acético), DTPA e resina trocadora de ânions (AR 103-QDP). Amostras da fração argila de cada solo foram submetidas à análise de difração de Raios-X e análise termogravimétrica (ATG), possibilitando, juntamente com os dados da caracterização química, estimar a composição mineralógica dos solos. A capacidade máxima de adsorção de arsênio (CMAAs) foi estimada com auxílio das isotermas de Langmuir. Antes do cultivo foi realizada correção do pH e aplicado As na forma de As2O3, devidamente preparado para se obter As exclusivamente de valência +5. Após um período de três meses de cultivo foi coletado todo o material vegetal existente em cada vaso (raiz, caule e folha) para determinação de biomassa produzida e dos teores de As (ICP-OES). Os solos apresentaram grande variação na proporção de argila, refletindo na CMAAs, que variou de 1,21 a 2,65 g kg-1, com valores superiores para os Latossolos. Houve também grande variação nas quantidades de hematita (Hm), goethita (Gt), gibbsita (Gb) e caulinita (Ct). A CMAAs correlacionou-se significativamente com as quantidades de Gb e Ct, sendo positiva para o primeiro mineral e negativa para o segundo. Os minerais Hm e Gt, isoladamente, não apresentaram correlação significativa, mas a soma destes minerais apresentou a melhor correlação com a CMAAs. No entanto, o atributo do solo que melhor prediz a CMAAs foi o Fe extraído por ditionito-citrato-bicarbonato. Na avaliação dos extratores químicos para estimativa do As biodisponível, foi verificada correlação significativa entre o teor disponível pelos diferentes extratores e o conteúdo de As apenas para as plantas de sorgo. Para esta espécie, todos os extratores químicos apresentaram correlação significativa, sendo o maior coeficiente de correlação obtido com Ca(H2PO4)2 e o menor com a resina. No entanto, o teor disponível de As pelos extratores DTPA e resina foram próximos a zero mesmo nas maiores doses de As aplicado, onde foram observados conteúdos expressivos de As na planta. Portanto, estes extratores não apresentaram capacidade preditiva da biodisponibilidade de As nos solos estudados. Ajustando as equações de regressão do teor disponível em função das doses aplicadas foi possível observar maior sensibilidade às diferenças químicas, físicas e mineralógicas dos solos pelo extrator Ca(H2PO4)2, possuindo portanto maior sensibilidade à capacidade tampão de arsenato dos solos. Assim, a capacidade preditiva da disponibilidade de As nos solos estudados segue a seguinte ordem decrescente: Ca(H2PO4)2 > Mehlich 3 > Mehlich 1. O teor total de As no solo que condicionou a redução de 50 % da produção de biomasssa (T50) foi em média igual a 420 mg dm-3 para a crotalária e 634 mg dm-3 para o sorgo. Estes valores equivalem ao teor disponível pelo extrator Ca(H2PO4)2 de 29,05 e 51,27 mg dm-3 para a crotalária e o sorgo, respectivamente. Portanto, o teor disponível de As que leva a redução de 50 % da biomassa produzida representa aproximadamente 7,5 % do As total do solo. Isto mostra que a utilização de teores totais, adotado pela legislação brasileira, é bastante conservadora, prezando pelo princípio da precaução.
publishDate 2010
dc.date.none.fl_str_mv 2010-02-03
2011-08-09
2015-03-26T12:52:42Z
2015-03-26T12:52:42Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv ASSIS, Igor Rodrigues de. Adsorption and availability of arsenic in soils with different mineralogical compositions. 2010. 85 f. Tese (Doutorado em Fertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2010.
http://locus.ufv.br/handle/123456789/1604
identifier_str_mv ASSIS, Igor Rodrigues de. Adsorption and availability of arsenic in soils with different mineralogical compositions. 2010. 85 f. Tese (Doutorado em Fertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2010.
url http://locus.ufv.br/handle/123456789/1604
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv Universidade Federal de Viçosa
BR
Fertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,
Doutorado em Solos e Nutrição de Plantas
UFV
publisher.none.fl_str_mv Universidade Federal de Viçosa
BR
Fertilidade do solo e nutrição de plantas; Gênese, Morfologia e Classificação, Mineralogia, Química,
Doutorado em Solos e Nutrição de Plantas
UFV
dc.source.none.fl_str_mv reponame:LOCUS Repositório Institucional da UFV
instname:Universidade Federal de Viçosa (UFV)
instacron:UFV
instname_str Universidade Federal de Viçosa (UFV)
instacron_str UFV
institution UFV
reponame_str LOCUS Repositório Institucional da UFV
collection LOCUS Repositório Institucional da UFV
repository.name.fl_str_mv LOCUS Repositório Institucional da UFV - Universidade Federal de Viçosa (UFV)
repository.mail.fl_str_mv fabiojreis@ufv.br
_version_ 1855045561579732992