Scribo, ergo sumus: semogênese e teoria da escrita em redações do Enem

Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Programa de Pós-Graduação em Linguística, 2019.

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2019
Main Author: Tatagiba, Alessandro Borges
Orientador/a: Silva, Edna Cristina Muniz da
Format: Tese
Language:por
Online Access:https://repositorio.unb.br/handle/10482/38570
Citação:TATAGIBA, Alessandro Borges. Scribo, ergo sumus: semogênese e teoria da escrita em redações do Enem. 2019. 344 f., il. Tese (Doutorado em Linguística)—Universidade de Brasília, Brasília, 2019.
Resumo Português:Esta tese apresenta pesquisa conduzida sobre produção escrita dos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. O exame é administrado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, instituição do governo federal vinculada ao Ministério da Educação do Brasil. O aspecto sob investigação é a redação do ENEM, a qual deve apresentar estrutura de gênero textual argumentativo. O objetivo é compreender a estrutura textual argumentativa das redações, em amostras empíricas conforme a posição na escala de proficiência, a fim de apresentar subsídios à análise de sua validade consequencial. Como metodologia, do total 6.193.565 produções de escrita do ENEM 2014, o estudo estratifica uma amostra empírica de textos integrais produzidos por concluintes do ensino médio, todos de escolas públicas e nascidos em 1997, utilizando o software Statistical Analysis System (SAS). As análises são fundamentadas na Teoria de Gênero e Registro proposta por pesquisadores da chamada “Escola de Sidney”, nos pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Sistêmico-Funcional (LSF) e na docimologia. Essa triangulação mostrou-se eficiente para a análise das redações que constituem o corpus, oferecendo subsídios para apoiar a validade consequencial para o desenvolvimento do gênero solicitado na prova de redação do ENEM. No ano de coleta dos dados (2014), 54% dos textos da amostra não alcançaram a nota média, ou seja, 500 pontos, sendo que apenas 1% desse universo pontuou acima de 900 pontos, na escala de proficiência de zero a mil. Esses resultados por si só defendem uma abordagem robusta e bem informada ao ensino da estrutura dos gêneros argumentativos na escola. As análises demonstram que, do ponto de vista do edital do certame e das produções escritas, o texto argumentativo exigido na prova de redação do ENEM não se configura nem como exposição (gênero que apresenta as etapas Tese ^ Argumentos ^ Reiteração nem como discussão (gênero que apresenta as etapas Questão ^ Lados ^ Posição), conforme a classificação da estrutura de gêneros da “Escola de Sidney”. Os resultados mostram que a redação do ENEM se caracteriza como um gênero com características específicas, que pode ser denominado “Proposição”, com as etapas Tese ^ Argumentos ^ (Reiteração) ^ Proposta de intervenção, sendo facultativa a ocorrência da etapa Reiteração. Esta pesquisa conduziu-nos à descoberta do gênero Proposta para a redação do ENEM como uma particularidade da prova de redação desse exame, e também apresenta igualmente como contribuição a criação de uma interpretação da escala de proficiência em escrita com esse gênero específico. A reflexão sobre as análises e a discussão dos resultados levam o autor da tese a destacar a necessidade de estudos que possam revisar a metodologia utilizada para medir os resultados obtidos na prova escrita no ENEM, para que se considere na nota final da redação a faixa de proficiência, não a média numérica entre diferentes corretores. A adoção dessa nova metodologia pode, por um lado, atenuar os erros de medida inerentes ao sistema atual que oferece os resultados por meio de testes com um total de participantes muito grande e, por outro lado, pode promover mais isonomia entre os participantes dessa e de outras avaliações educacionais de larga escala.