Os senhores da terra e da guerra no Rio Grande do Sul : um estudo sobre as práticas de reprodução social do patronato rural estancieiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Piccin, Marcos Botton, 1980-
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: [s.n.]
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/20.500.12733/1618990
Resumo: Orientador: Sônia Maria Pessoa Pereira Bergamasco
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spelling Os senhores da terra e da guerra no Rio Grande do Sul : um estudo sobre as práticas de reprodução social do patronato rural estancieiroThe lords of the land and war in Rio Grande do Sul : a study of the practices of social reproduction by rural ranch employersProprietários de terra - Rio Grande do SulElites agrariasFazendas de criação - Rio Grande do SulLandowners - Rio Grande do Sul (RS)Elite (Social sciences)Rangelands - Rio Grande do Sul (RS)Orientador: Sônia Maria Pessoa Pereira BergamascoTese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências HumanasResumo: Esta tese analisa as estratégias de reprodução social dos grandes proprietários fundiários criadores de gado do Rio Grande do Sul a partir do estabelecimento da República, cujos domínios se convencionou chamar de estâncias e de estancieiros seus senhores. Por estratégias se entende o conjunto das práticas pelos quais os indivíduos ou grupos de indivíduos procuram manter ou melhorar sua posição na estrutura social. Trata-se de desvendar as práticas através das quais este setor social busca conservar ou ampliar seus diferenciais de poder em relação aos demais agentes do espaço social, assim como o feixe de condições sociais em que elas ocorrem. A história de ocupação contemporânea do território deste estado, marcada por grandes propriedades de criar nas suas áreas de campos e pela instalação de colônias de imigrantes europeus em áreas de florestas, sobretudo de alemães e italianos, determinou influências mútuas quanto à dinâmica dos poderes exercidos nestes espaços sociais. No espaço estancieiro houve um duplo bloqueio aos setores subordinados relativo ao impedimento de migrar para as áreas de matas, devido à instalação das colônias, e à impossibilidade de migrações coletivas ao trabalho industrial devido à preferência do braço imigrante, ao menos até meados de 1950, e das dinâmicas de desenvolvimento das regiões coloniais que fazia ampliar a concorrência pela oferta de mão de obra nas áreas industriais. Esses efeitos, somados aos da Lei de Terras de 1850, aos cercamentos dos campos, à força e violência na apropriação privada da terra, determinaram a estrutura de poderes assimétricos na qual os estancieiros desenvolveram relações de dominação personalizada em relação à força de trabalho em seus domínios até o início da década de 1990. Externamente à estrutura de dominação do espaço estancieiro, a complexidade das relações entre os grupos dominantes no espaço estadual e nacional promoveu uma grande transformação da elite estancieira a partir de meados de 1940: deixar de ser subsidiária às lavouras de exportação do Nordeste açucareiro e do Sudeste cafeeiro, para se tornar produtora de um artigo de luxo, a carne frigorificada, a partir de uma rede de frigoríficos por eles coordenada. A trajetória de ascensão coletiva da elite estancieira, devido, sobretudo, à valorização do preço dos gados, se dá até o final da década de 1980, quando a baixa dos preços dos gados provoca a quebra de seus frigoríficos, havendo maior pressão para reconversão de trajetórias a partir de então. Essa história objetivada também determinou uma história incorporada na forma habitus, em termos de princípios de visão e divisão do mundo, comportamentos e disposições sociais que são externalizadas em suas práticas, além dos investimentos e cálculos específicos não somente relativos aos propriamente econômicos, mas também em termos de acúmulo de capitais sociais e culturais. À decadência relativa que se inicia a partir de meados de 1990, que é de seu capital social, além do econômico, processa-se um descompasso e inaptidão de seus habitus frente ao que é exigido em termos de disposições sociais pelas alterações que ocorrem no espaço social e, grosso modo, pela sociedade em geralAbstract: The present thesis analyzes the strategies of social reproduction of the large landowners breeders in Rio Grande do Sul from the establishment of the Republic, whose domain is conventionally called ranches and ranchers their masters. The strategies are meant the set of practices by which individuals or groups of individuals seek to maintain or improve their position in the social structure. It means to unveil the practices through which this social sector or expanding your search conserve power differentials in relation to other agents of social space, as well as the bundle of social conditions in which they occur. The contemporary history of occupation of the territory in this state is marked by great estates created in their areas of fields and installation of colonies of European immigrants in forest areas, especially Germans and Italians, established mutual influences on the dynamics of these powers exercised in social spaces. Within rancher's domain there was a double lock on the subordinate sectors as an impediment to migrate to areas of forests, due to the installation of the colonies, and the impossibility of collective labor migration due to the branch of the industrial immigrant preference, at least until mid-1950, and the dynamics of development of the regions that made colonial increase competition by offering labor in industrial areas. These effects, together with the Land Law of 1850, the enclosure of the fields, to force and violence in the private appropriation of land, determined the structure of power in which ranchers had asymmetrical customized relations of domination developed in relation to the workforce in their fields until the early 1990s. Externally the structure of domination of rancher's space, the complexity of the relationships between dominant groups within state and national organized a major transformation of rancher's elite from mid-1940: stop being subsidiary to export crops of sugar from Northeast and coffee from Southeast, to become producing a luxury, meat cold storage, from a network of refrigeration coordinated by them. The trajectory of collective rancher's elite rise, mainly due to the appreciation in the price of cattle, occurs until the late 1980s, when lower prices for cattle causes the breakdown of their refrigerators, with greater pressure for conversion of trajectories since then. This story objectified also determined a corporate history as habitus, in terms of principles of vision and division of the world, social behaviors and dispositions that are outsourced in their practices, in addition to investments and specific calculations not only for the specifically economic, but also in terms of accumulation of social and cultural capital. The relative decadence that begins from mid 1990, which is its capital, beyond the economic processes are a mismatch and ineptitude of their habitus forward to what is required in terms of social provisions for changes that occur in social space and roughly by society in generalDoutoradoCiências SociaisDoutor em Ciências Sociais[s.n.]Bergamasco, Sonia Maria Pessoa Pereira, 1944-Coradini, Odaci LuizBruno, Regina Angela LandimLourenço, Fernando AntonioGarcia Júnior, Afrânio RaulUniversidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências HumanasPrograma de Pós-Graduação em Ciências SociaisUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINASPiccin, Marcos Botton, 1980-20122012-09-11T00:00:00Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdf458 p. : il.https://hdl.handle.net/20.500.12733/1618990PICCIN, Marcos Botton. Os senhores da terra e da guerra no Rio Grande do Sul: um estudo sobre as práticas de reprodução social do patronato rural estancieiro. 2012. 458 p. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP. Disponível em: https://hdl.handle.net/20.500.12733/1618990. 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