Estigma territorial: Cidade Tiradentes na metrópole de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Rizzon, Renata Cristina [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/313766
Resumo: O espaço urbano, sob a produção capitalista, é o lócus onde são (re)produzidas as desigualdades socioespaciais, materializadas no espaço, nos sujeitos e nas relações entre eles. No caso da metrópole de São Paulo, cuja metropolização deu-se de modo acelerado, a periferização consolidou diversas facetas de diferenciação e constituição de desigualdades, possibilitando o acesso à habitação, seja de forma legal, irregular ou não, por parte de citadinos de menores estratos socioeconômicos. A ocupação e a implantação de conjuntos habitacionais, na periferia urbana, estruturaram espacialmente as desigualdades, por meio de processos como a segregação socioespacial. Assim, diferentes grupos sociais experienciam, em seu cotidiano, a dificuldade de acesso a equipamentos, infraestrutura e serviços, no plano material, e a estigmatização territorial, no plano imaterial. O afastamento da população empobrecida das áreas centrais, pericentrais e melhor dotadas de condição de vida urbana consolidou a periferia como território frequentemente associado a signos e símbolos negativos, valores que se associam, igualmente, aos seus moradores, por parte de instituições sociais, pela mídia e por citadinos moradores de outras áreas da metrópole. Como conceito, o estigma é concebido como aversão e inferiorização de determinados grupos sociais sobre outros, por condições como a sua situação espacial. Tendo isso em vista, interpretamos, analisamos e debatemos os conteúdos do estigma territorial, seu rebatimento no território e sobre os moradores de Cidade Tiradentes. Oferecemos elementos para fundamentar a ideia de que conteúdos estigmatizantes possuem consequências materiais e imateriais na vida dos moradores e nas suas identidades, coibindo sua inserção nos espaços metropolitanos, em sua plenitude. Priorizando a abordagem qualitativa, as entrevistas realizadas, baseadas em roteiros semiestruturados, possibilitaram identificar, nas narrativas dos entrevistados, conteúdos estigmatizantes, resultado de processos urbanos que influenciam o modo como os sujeitos experienciam a vida, na metrópole. Os diferentes perfis dos moradores demonstraram diferentes matizes da manifestação do estigma, bem como possibilidades de superação a partir da ascensão da cultura periférica e das recentes transformações no distrito, que proporcionaram a autoestima com relação à periferia onde residem.
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A ocupação e a implantação de conjuntos habitacionais, na periferia urbana, estruturaram espacialmente as desigualdades, por meio de processos como a segregação socioespacial. Assim, diferentes grupos sociais experienciam, em seu cotidiano, a dificuldade de acesso a equipamentos, infraestrutura e serviços, no plano material, e a estigmatização territorial, no plano imaterial. O afastamento da população empobrecida das áreas centrais, pericentrais e melhor dotadas de condição de vida urbana consolidou a periferia como território frequentemente associado a signos e símbolos negativos, valores que se associam, igualmente, aos seus moradores, por parte de instituições sociais, pela mídia e por citadinos moradores de outras áreas da metrópole. Como conceito, o estigma é concebido como aversão e inferiorização de determinados grupos sociais sobre outros, por condições como a sua situação espacial. Tendo isso em vista, interpretamos, analisamos e debatemos os conteúdos do estigma territorial, seu rebatimento no território e sobre os moradores de Cidade Tiradentes. Oferecemos elementos para fundamentar a ideia de que conteúdos estigmatizantes possuem consequências materiais e imateriais na vida dos moradores e nas suas identidades, coibindo sua inserção nos espaços metropolitanos, em sua plenitude. Priorizando a abordagem qualitativa, as entrevistas realizadas, baseadas em roteiros semiestruturados, possibilitaram identificar, nas narrativas dos entrevistados, conteúdos estigmatizantes, resultado de processos urbanos que influenciam o modo como os sujeitos experienciam a vida, na metrópole. Os diferentes perfis dos moradores demonstraram diferentes matizes da manifestação do estigma, bem como possibilidades de superação a partir da ascensão da cultura periférica e das recentes transformações no distrito, que proporcionaram a autoestima com relação à periferia onde residem.Under capitalist production, urban space is the locus where socio-spatial inequalities are (re)produced, materialized in space, in subjects, and in the relationships between them. In the case of the metropolis of São Paulo, whose metropolization occurred at an accelerated pace, peripheralization consolidated various facets of differentiation and the constitution of inequalities, enabling access to housing, whether legal, irregular, or not, by citizens from lower socioeconomic strata. The occupation and implementation of housing complexes in the urban periphery spatially structured inequalities through processes such as socio-spatial segregation. Thus, different social groups experience, in their daily lives, the difficulty of accessing equipment, infrastructure, and services on a material level, and territorial stigmatization on an immaterial level. The removal of the impoverished population from central, pericentral, and better-endowed urban areas has consolidated the periphery as a territory often associated with negative signs and symbols, values that are also associated with its residents by social institutions, the media, and city dwellers from other areas of the metropolis. As a concept, stigma is conceived as aversion and inferiority of certain social groups over others, due to conditions such as their spatial situation. With this in mind, we interpret, analyze, and debate the contents of territorial stigma, its impact on the territory and on the residents of Cidade Tiradentes. We offer elements to support the idea that stigmatizing content has material and immaterial consequences on the lives of residents and their identities, hindering their full integration into metropolitan spaces. Prioritizing a qualitative approach, the interviews conducted, based on semi-structured scripts, made it possible to identify stigmatizing content in the interviewees' narratives, resulting from urban processes that influence how subjects experience life in the metropolis. The different profiles of the residents demonstrated different nuances of the manifestation of stigma, as well as possibilities for overcoming it through the rise of peripheral culture and recent transformations in the district, which have boosted self-esteem in relation to the periphery where they live.Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)FAPESP: 2022/01540-8CAPES: 001Universidade Estadual Paulista (Unesp)Sposito, Maria Encarnação Beltrão [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Legroux, Jean Adrien Jose [UNESP]Rizzon, Renata Cristina [UNESP]2025-09-19T14:09:23Z2025-03-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfRIZZON, Renata Cristina. Estigma territorial: Cidade Tiradentes na metrópole de São Paulo. Orientadora: Maria Encarnação Beltrão Sposito. 2025. 240 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2025.https://hdl.handle.net/11449/31376633004129042P314546744500328870000-0002-0186-3209porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-10-22T18:11:00Zoai:repositorio.unesp.br:11449/313766Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-10-22T18:11Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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