Valor prognóstico da combinação do escore VExUS com ultrassonografia pulmonar em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/300642 |
Resumo: | Introdução: O escore Venous Excess UltraSound (VExUS) e a ultrassonografia pulmonar (UP) avaliam a congestão sistêmica e pulmonar, mas geralmente são interpretados separadamente em um único momento, e seu uso combinado de forma seriada permanece inexplorado. Objetivo: Investigar se mudanças combinadas precoces no escore VExUS e UP predizem desfechos de curto prazo na insuficiência cardíaca agudamente descompensada (ICAD). Métodos: Foram incluídos de forma prospectiva e consecutiva adultos com diagnóstico primário de ICAD e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) <50% admitidos em uma unidade de terapia intensiva cardiovascular. Os escores VExUS e UP foram realizados nas primeiras 24 horas de admissão e repetidos após 72 horas. A variação da congestão sistêmica e pulmonar ao longo de 72 horas foi integrada em uma única métrica (ΔVExPLUs = [2 × ΔVExUS] + ΔLUS), sendo ΔVExUS multiplicado por dois para equilibrar seu intervalo de pontuação mais estreito (-3 a +3) em relação a UP (-8 a +8). O desfecho primário foi mortalidade intra-hospitalar. Os desfechos secundários incluíram mortalidade por todas as causas em 30 dias e um desfecho composto de mortalidade por todas as causas em 30 dias, transplante cardíaco e implante de dispositivo de assistência ventricular esquerda. As associações entre melhora do ΔVExPLUs com os desfechos foram avaliadas por teste qui-quadrado e regressão logística. O desempenho preditivo foi avaliado por curvas ROC com cálculo da área sob a curva (AUC) e métricas de acurácia diagnóstica. Resultados: Um total de 104 pacientes foi incluído (idade média 64,3 ± 13,5 anos, 69,2% homens, FEVE mediana 24,5% [18,0; 32,0]). A melhora do ΔVExPLUs foi associada a maior descongestão, incluindo maior perda de peso (-4,5 kg [-6,5; -2,4] vs. -2,2 kg [-4,6; 0,5]; P = 0.009) e redução superior no escore EVEREST (-5,0 [-9,5; -3,0] vs. -1,0 [-4,0; 2,0]; P = 0.002). Pacientes com maior melhora no ΔVExPLUs apresentaram menores taxas de mortalidade intra-hospitalar (3% vs. 46%; P < 0,001), mortalidade por todas as causas em 30 dias (13% vs. 50%; P = 0,008) e do desfecho composto (16% vs. 64%; P < 0,001), quando comparados àqueles com ΔVExPLUs inalterado ou indicando piora da congestão. Em análise multivariada, ΔVExPLUs ≥ 1 previu independentemente mortalidade intra-hospitalar (OR 0,65; IC 95% 0,51–0,83; P < 0,001), mortalidade em 30 dias (OR 0,78; IC 95% 0,65–0,94; P = 0.009) e o desfecho composto (OR 0,76; IC 95% 0,64–0,92; P = 0.004). Para mortalidade intra-hospitalar, ΔVExPLUs apresentou a maior AUC (0,76), com sensibilidade de 95,6% e valor preditivo negativo de 97,0%. Sua superioridade foi consistente para mortalidade em 30 dias (AUC 0,68) e para o desfecho composto (AUC 0,70), enquanto o ΔEVEREST apresentou fraca discriminação (AUCs 0,51-0,55). Conclusões: O ΔVExPLUs foi um preditor independente de desfechos de curto prazo na ICAD, superando seus componentes individuais e a avaliação clínica. A integração seriada de parâmetros ultrassonográficos sistêmicos e pulmonares pode aprimorar a estratificação de risco durante a hospitalização por ICAD. |
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Silvano, Gustavo PaesSilveira, Anderson Donelli daTeló, Guilherme Heiden2026-01-24T08:01:59Z2025http://hdl.handle.net/10183/300642001300034Introdução: O escore Venous Excess UltraSound (VExUS) e a ultrassonografia pulmonar (UP) avaliam a congestão sistêmica e pulmonar, mas geralmente são interpretados separadamente em um único momento, e seu uso combinado de forma seriada permanece inexplorado. Objetivo: Investigar se mudanças combinadas precoces no escore VExUS e UP predizem desfechos de curto prazo na insuficiência cardíaca agudamente descompensada (ICAD). Métodos: Foram incluídos de forma prospectiva e consecutiva adultos com diagnóstico primário de ICAD e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) <50% admitidos em uma unidade de terapia intensiva cardiovascular. Os escores VExUS e UP foram realizados nas primeiras 24 horas de admissão e repetidos após 72 horas. A variação da congestão sistêmica e pulmonar ao longo de 72 horas foi integrada em uma única métrica (ΔVExPLUs = [2 × ΔVExUS] + ΔLUS), sendo ΔVExUS multiplicado por dois para equilibrar seu intervalo de pontuação mais estreito (-3 a +3) em relação a UP (-8 a +8). O desfecho primário foi mortalidade intra-hospitalar. Os desfechos secundários incluíram mortalidade por todas as causas em 30 dias e um desfecho composto de mortalidade por todas as causas em 30 dias, transplante cardíaco e implante de dispositivo de assistência ventricular esquerda. As associações entre melhora do ΔVExPLUs com os desfechos foram avaliadas por teste qui-quadrado e regressão logística. O desempenho preditivo foi avaliado por curvas ROC com cálculo da área sob a curva (AUC) e métricas de acurácia diagnóstica. Resultados: Um total de 104 pacientes foi incluído (idade média 64,3 ± 13,5 anos, 69,2% homens, FEVE mediana 24,5% [18,0; 32,0]). A melhora do ΔVExPLUs foi associada a maior descongestão, incluindo maior perda de peso (-4,5 kg [-6,5; -2,4] vs. -2,2 kg [-4,6; 0,5]; P = 0.009) e redução superior no escore EVEREST (-5,0 [-9,5; -3,0] vs. -1,0 [-4,0; 2,0]; P = 0.002). Pacientes com maior melhora no ΔVExPLUs apresentaram menores taxas de mortalidade intra-hospitalar (3% vs. 46%; P < 0,001), mortalidade por todas as causas em 30 dias (13% vs. 50%; P = 0,008) e do desfecho composto (16% vs. 64%; P < 0,001), quando comparados àqueles com ΔVExPLUs inalterado ou indicando piora da congestão. Em análise multivariada, ΔVExPLUs ≥ 1 previu independentemente mortalidade intra-hospitalar (OR 0,65; IC 95% 0,51–0,83; P < 0,001), mortalidade em 30 dias (OR 0,78; IC 95% 0,65–0,94; P = 0.009) e o desfecho composto (OR 0,76; IC 95% 0,64–0,92; P = 0.004). Para mortalidade intra-hospitalar, ΔVExPLUs apresentou a maior AUC (0,76), com sensibilidade de 95,6% e valor preditivo negativo de 97,0%. Sua superioridade foi consistente para mortalidade em 30 dias (AUC 0,68) e para o desfecho composto (AUC 0,70), enquanto o ΔEVEREST apresentou fraca discriminação (AUCs 0,51-0,55). Conclusões: O ΔVExPLUs foi um preditor independente de desfechos de curto prazo na ICAD, superando seus componentes individuais e a avaliação clínica. A integração seriada de parâmetros ultrassonográficos sistêmicos e pulmonares pode aprimorar a estratificação de risco durante a hospitalização por ICAD.Introduction: Venous Excess UltraSound (VExUS) score and lung ultrasound (LUS) assess systemic and pulmonary congestion but are typically interpreted separately at a single timepoint, and their combined serial use remains unexplored. Purpose: To investigate whether early combined changes in VExUS score and LUS predict short-outcomes in acute decompensated heart failure (ADHF). Methods: We prospectively enrolled consecutive adults admitted to a cardiovascular intensive care unit with a primary diagnosis of ADHF and left ventricular ejection fraction (LVEF) <50%. VExUS score and LUS were performed within 24 h of admission and repeated after 72 hours. The variation of systemic and pulmonary congestion over 72 hours was integrated into a single metric (ΔVExPLUs = [2 × ΔVExUS] + ΔLUS), with ΔVExUS multiplied by two to balance its narrower scoring range (-3 to +3) relative to LUS (-8 to +8). The primary outcome was in-hospital mortality. Secondary outcomes included 30-day all-cause mortality and a composite of 30-day all-cause mortality, heart transplantation and left ventricular assist device implantation. Associations between ΔVExPLUs improvement and outcomes were assessed using chi-square test and logistic regression. Predictive performance was evaluated by receiver operating characteristic (ROC) curve analysis with calculation of area under the curve (AUC) and diagnostic accuracy metrics. Results: A total of 104 patients were included (mean age 64.3 ± 13.5 years, 69.2% male, median LVEF 24.5% [18.0, 32.0]). Improvement in ΔVExPLUs was associated with greater decongestion, including larger weight loss (-4.5 kg [-6.5, -2.4] vs. -2.2 kg [-4.6, 0.5]; P = 0.009) and greater reductions in EVEREST score (-5.0 [-9.5, -3.0] vs. -1.0 [-4.0 to 2.0]; P = 0.002). Patients with greater ΔVExPLUs improvement had lower rates of in-hospital mortality (3% vs. 46%; P < 0.001), 30-day all-cause mortality (13% vs. 50%; P = 0.008), and the composite outcome (16% vs. 64%; P < 0.001) compared with those exhibiting unchanging or worsening congestion. In multivariable analysis, ΔVExPLUs ≥ 1 independently predicted in-hospital mortality (OR 0.65; 95% CI 0.51, 0.83; P < 0.001), 30-day all-cause mortality (OR 0.78; 95% CI 0.65, 0.94; P = 0.009), and the composite outcome (OR 0.76; 95% CI 0.64, 0.92; P = 0.004). For in-hospital mortality, ΔVExPLUs achieved the highest AUC (0.76), with sensitivity of 95.6% and negative predictive value of 97.0%. Its superiority was consistent for 30-day all-cause mortality (AUC 0.68) and the composite outcome (AUC 0.70), whereas ΔEVEREST demonstrated poor discrimination (AUCs 0.51 to 0.55). Conclusions: ΔVExPLUs was an independent predictor of short-term outcomes in ADHF, outperforming its individual components and clinical assessment. Serial integration of systemic and pulmonary ultrasound parameters may improve risk stratification during ADHF hospitalization.application/pdfporInsuficiência cardíacaUltrassonografiaPulmãoUnidades de terapia intensivaPrognósticoFatores de riscoAcute decompensated heart failurePoint-of-care ultrasoundPulmonary congestionVExUS scoreLung ultrasoundRisk stratificationValor prognóstico da combinação do escore VExUS com ultrassonografia pulmonar em pacientes com insuficiência cardíaca descompensadainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências CardiovascularesPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001300034.pdf.txt001300034.pdf.txtExtracted Texttext/plain67384http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/300642/2/001300034.pdf.txte2f06fb9ae6672d00c3f1d2a24119cc9MD52ORIGINAL001300034.pdfTexto parcialapplication/pdf1176671http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/300642/1/001300034.pdf0a1ff071a150fc78a6a6a936f223fc87MD5110183/3006422026-02-26 06:55:27.248707oai:www.lume.ufrgs.br:10183/300642Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-02-26T09:55:27Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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Introdução: O escore Venous Excess UltraSound (VExUS) e a ultrassonografia pulmonar (UP) avaliam a congestão sistêmica e pulmonar, mas geralmente são interpretados separadamente em um único momento, e seu uso combinado de forma seriada permanece inexplorado. Objetivo: Investigar se mudanças combinadas precoces no escore VExUS e UP predizem desfechos de curto prazo na insuficiência cardíaca agudamente descompensada (ICAD). Métodos: Foram incluídos de forma prospectiva e consecutiva adultos com diagnóstico primário de ICAD e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) <50% admitidos em uma unidade de terapia intensiva cardiovascular. Os escores VExUS e UP foram realizados nas primeiras 24 horas de admissão e repetidos após 72 horas. A variação da congestão sistêmica e pulmonar ao longo de 72 horas foi integrada em uma única métrica (ΔVExPLUs = [2 × ΔVExUS] + ΔLUS), sendo ΔVExUS multiplicado por dois para equilibrar seu intervalo de pontuação mais estreito (-3 a +3) em relação a UP (-8 a +8). O desfecho primário foi mortalidade intra-hospitalar. Os desfechos secundários incluíram mortalidade por todas as causas em 30 dias e um desfecho composto de mortalidade por todas as causas em 30 dias, transplante cardíaco e implante de dispositivo de assistência ventricular esquerda. As associações entre melhora do ΔVExPLUs com os desfechos foram avaliadas por teste qui-quadrado e regressão logística. O desempenho preditivo foi avaliado por curvas ROC com cálculo da área sob a curva (AUC) e métricas de acurácia diagnóstica. Resultados: Um total de 104 pacientes foi incluído (idade média 64,3 ± 13,5 anos, 69,2% homens, FEVE mediana 24,5% [18,0; 32,0]). A melhora do ΔVExPLUs foi associada a maior descongestão, incluindo maior perda de peso (-4,5 kg [-6,5; -2,4] vs. -2,2 kg [-4,6; 0,5]; P = 0.009) e redução superior no escore EVEREST (-5,0 [-9,5; -3,0] vs. -1,0 [-4,0; 2,0]; P = 0.002). Pacientes com maior melhora no ΔVExPLUs apresentaram menores taxas de mortalidade intra-hospitalar (3% vs. 46%; P < 0,001), mortalidade por todas as causas em 30 dias (13% vs. 50%; P = 0,008) e do desfecho composto (16% vs. 64%; P < 0,001), quando comparados àqueles com ΔVExPLUs inalterado ou indicando piora da congestão. Em análise multivariada, ΔVExPLUs ≥ 1 previu independentemente mortalidade intra-hospitalar (OR 0,65; IC 95% 0,51–0,83; P < 0,001), mortalidade em 30 dias (OR 0,78; IC 95% 0,65–0,94; P = 0.009) e o desfecho composto (OR 0,76; IC 95% 0,64–0,92; P = 0.004). Para mortalidade intra-hospitalar, ΔVExPLUs apresentou a maior AUC (0,76), com sensibilidade de 95,6% e valor preditivo negativo de 97,0%. Sua superioridade foi consistente para mortalidade em 30 dias (AUC 0,68) e para o desfecho composto (AUC 0,70), enquanto o ΔEVEREST apresentou fraca discriminação (AUCs 0,51-0,55). Conclusões: O ΔVExPLUs foi um preditor independente de desfechos de curto prazo na ICAD, superando seus componentes individuais e a avaliação clínica. A integração seriada de parâmetros ultrassonográficos sistêmicos e pulmonares pode aprimorar a estratificação de risco durante a hospitalização por ICAD. |
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