A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Freitas, Fernanda Maria Grasselli
Orientador(a): Oliveira Júnior, José Alcebíades de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/253811
Resumo: Introdução: a Lei n° 9.263/1996 regulamentou o acesso aos métodos contraceptivos dentro do contexto do planejamento familiar, dando tratamento diferenciado ao procedimento de esterilização voluntária para fins contraceptivos. Qualquer pessoa, seja ela mulher ou homem, além de possuir 25 anos completos ou no mínimo dois filhos vivos, deve solicitar o consentimento de outra pessoa (cônjuge e, por analogia, o companheiro e a companheira) para a realização do procedimento. Neste contexto, importa discutir em que medida a obrigatoriedade desse consentimento afeta liberdades individuais e a autodeterminação reprodutiva. Objetivos: como objetivo geral, pretende-se discutir sobre a imposição de limites para o acesso ao método contraceptivo da esterilização voluntária, notadamente a exigência do consentimento do cônjuge. Especificamente, analisar o contexto histórico em que a Lei foi promulgada; discutir quais os elementos que compõem o consentimento, especialmente na relação médico-paciente; identificar quais os problemas éticos que envolvem o tema, utilizando como aporte teórico as contribuições de Jürgem Habermas e Ronald Dworkin. Ainda, discutir o acesso à esterilização para fins contraceptivos por incapazes, a partir da modificação da teoria das incapacidades trazidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência. Além disso, analisar a (in)constitucionalidade da norma que regulamentou a esterilização voluntária no Brasil, a partir da análise das duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade que tramitam no Supremo Tribunal Federal – ADI 5.097 e ADI 5.911. Metodologia: trata se de uma pesquisa descritiva e qualitativa que se propõe a analisar o tratamento legislativo concedido à esterilização voluntária sob a ótica da dignidade da pessoa humana, da autonomia e da liberdade na doutrina brasileira, com vistas a descrever, compreender e explicar a norma que regulamenta o procedimento, de um modo indutivo. Ademais, é uma pesquisa aplicada, pois voltada à produção de conhecimentos essenciais para embasar uma possível mudança na recepção da lei no regramento pátrio. Resultados: a presente pesquisa apresenta resultados práticos, uma vez que consubstanciou uma Nota Técnica enviada à Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal, sobre o Projeto de Lei nº 7.364/2014, que modifica a Lei do Planejamento Familiar. Conclusão: a previsão normativa disposta no § 5° do artigo 10 da Lei n° 9.263/1996, que estabelece a obrigatoriedade do consentimento do/da cônjuge para a realização do procedimento médico cirúrgico para fins contraceptivos, impõe limites às liberdades individuais, à autonomia privada e à autodeterminação reprodutiva. Além disso, é incompatível com o texto constitucional e vai de encontro às conquistas das declarações internacionais sobre direitos humanos das quais o Brasil é signatário.
id URGS_379b41020d843871f1924f64c87f32c0
oai_identifier_str oai:www.lume.ufrgs.br:10183/253811
network_acronym_str URGS
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
repository_id_str
spelling Freitas, Fernanda Maria GrasselliOliveira Júnior, José Alcebíades de2023-01-18T05:01:48Z2022http://hdl.handle.net/10183/253811001153635Introdução: a Lei n° 9.263/1996 regulamentou o acesso aos métodos contraceptivos dentro do contexto do planejamento familiar, dando tratamento diferenciado ao procedimento de esterilização voluntária para fins contraceptivos. Qualquer pessoa, seja ela mulher ou homem, além de possuir 25 anos completos ou no mínimo dois filhos vivos, deve solicitar o consentimento de outra pessoa (cônjuge e, por analogia, o companheiro e a companheira) para a realização do procedimento. Neste contexto, importa discutir em que medida a obrigatoriedade desse consentimento afeta liberdades individuais e a autodeterminação reprodutiva. Objetivos: como objetivo geral, pretende-se discutir sobre a imposição de limites para o acesso ao método contraceptivo da esterilização voluntária, notadamente a exigência do consentimento do cônjuge. Especificamente, analisar o contexto histórico em que a Lei foi promulgada; discutir quais os elementos que compõem o consentimento, especialmente na relação médico-paciente; identificar quais os problemas éticos que envolvem o tema, utilizando como aporte teórico as contribuições de Jürgem Habermas e Ronald Dworkin. Ainda, discutir o acesso à esterilização para fins contraceptivos por incapazes, a partir da modificação da teoria das incapacidades trazidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência. Além disso, analisar a (in)constitucionalidade da norma que regulamentou a esterilização voluntária no Brasil, a partir da análise das duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade que tramitam no Supremo Tribunal Federal – ADI 5.097 e ADI 5.911. Metodologia: trata se de uma pesquisa descritiva e qualitativa que se propõe a analisar o tratamento legislativo concedido à esterilização voluntária sob a ótica da dignidade da pessoa humana, da autonomia e da liberdade na doutrina brasileira, com vistas a descrever, compreender e explicar a norma que regulamenta o procedimento, de um modo indutivo. Ademais, é uma pesquisa aplicada, pois voltada à produção de conhecimentos essenciais para embasar uma possível mudança na recepção da lei no regramento pátrio. Resultados: a presente pesquisa apresenta resultados práticos, uma vez que consubstanciou uma Nota Técnica enviada à Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal, sobre o Projeto de Lei nº 7.364/2014, que modifica a Lei do Planejamento Familiar. Conclusão: a previsão normativa disposta no § 5° do artigo 10 da Lei n° 9.263/1996, que estabelece a obrigatoriedade do consentimento do/da cônjuge para a realização do procedimento médico cirúrgico para fins contraceptivos, impõe limites às liberdades individuais, à autonomia privada e à autodeterminação reprodutiva. Além disso, é incompatível com o texto constitucional e vai de encontro às conquistas das declarações internacionais sobre direitos humanos das quais o Brasil é signatário.Introduction: Brazilian Federal Law 9.263/1996 regulated the access to contraceptive methods within the context of family planning, giving different treatment to the procedure of voluntary sterilization for contraceptive purposes. Any person, woman or man, in addition to being 25 years old or having at least two living children, must request the consent of another person (spouse and, by analogy, partner) to have the procedure performed. In this context, it is important to discuss to what extent the compulsory nature of this consent affects individual liberties and reproductive self determination. Objectives: as a general objective, this study aims to discuss the imposition of limits on access to the contraceptive method of voluntary sterilization, especially the requirement of spousal consent. Specifically, to analyze the historical context in which the law was enacted; to discuss which elements are involved in consent, especially in the doctor-patient relationship; to identify which ethical problems involve the theme, using the contributions of Jürgem Habermas and Ronald Dworkin as theoretical basis. Also, to discuss the access to sterilization for contraceptive purposes by incapacitated people, based on the modification of the theory of incapacity brought about by the Statute of the Person with Disability. In addition, we will analyze the (in)constitutionality of the law that regulated voluntary sterilization in Brazil, based on the analysis of two Direct Actions of Unconstitutionality (ADI) that are currently pending in the Federal Supreme Court - ADI 5.097 and ADI 5.911. Methodology: This is a descriptive and qualitative research that aims to analyze the legislative treatment given to voluntary sterilization from the point of view of human dignity, autonomy and freedom in Brazilian doctrine, in order to describe, understand and explain the norm that regulates the procedure, in an inductive way. Furthermore, this is an applied research, since it is aimed at producing essential knowledge to support a possible change in the reception of the law in the Brazilian legislation. Results: this research has practical results, since it substantiated a Technical Note sent to the Commission of Social Affairs of the Federal Senate on Bill No. 7.364/2014, which modifies the Family Planning Law. Conclusion: the normative provision stated in § 5 of article 10 of Law No. 9,263/1996, which establishes the mandatory consent of the spouse for the performance of surgical medical procedure for contraceptive purposes, imposes limits on individual freedoms, private autonomy and reproductive self-determination. Furthermore, it is incompatible with the constitutional text and goes against the achievements of the international declarations on human rights of which Brazil is a party.application/pdfporBioéticaDireitos sexuais e reprodutivosEsterilizaçãoPlanejamento familiarBioethicsSexual and reproductive rightsVoluntary sterilizationFamily planning lawSexual and reproductive healthA obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuaisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de DireitoPrograma de Pós-Graduação em DireitoPorto Alegre, BR-RS2022mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001153635.pdf.txt001153635.pdf.txtExtracted Texttext/plain173946http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/253811/2/001153635.pdf.txt8e6232299e7294273bfab9a77ebc9e8dMD52ORIGINAL001153635.pdfTexto parcialapplication/pdf1399987http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/253811/1/001153635.pdfeef5a15f1a84dc9e43ebfb7a705f5396MD5110183/2538112025-10-04 08:00:40.43276oai:www.lume.ufrgs.br:10183/253811Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-10-04T11:00:40Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
dc.title.pt_BR.fl_str_mv A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais
title A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais
spellingShingle A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais
Freitas, Fernanda Maria Grasselli
Bioética
Direitos sexuais e reprodutivos
Esterilização
Planejamento familiar
Bioethics
Sexual and reproductive rights
Voluntary sterilization
Family planning law
Sexual and reproductive health
title_short A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais
title_full A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais
title_fullStr A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais
title_full_unstemmed A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais
title_sort A obrigatoriedade do consentimento do cônjuge para esterilização voluntária como a hamartia da lei do planejamento familiar : breve histórico e discussões atuais
author Freitas, Fernanda Maria Grasselli
author_facet Freitas, Fernanda Maria Grasselli
author_role author
dc.contributor.author.fl_str_mv Freitas, Fernanda Maria Grasselli
dc.contributor.advisor1.fl_str_mv Oliveira Júnior, José Alcebíades de
contributor_str_mv Oliveira Júnior, José Alcebíades de
dc.subject.por.fl_str_mv Bioética
Direitos sexuais e reprodutivos
Esterilização
Planejamento familiar
topic Bioética
Direitos sexuais e reprodutivos
Esterilização
Planejamento familiar
Bioethics
Sexual and reproductive rights
Voluntary sterilization
Family planning law
Sexual and reproductive health
dc.subject.eng.fl_str_mv Bioethics
Sexual and reproductive rights
Voluntary sterilization
Family planning law
Sexual and reproductive health
description Introdução: a Lei n° 9.263/1996 regulamentou o acesso aos métodos contraceptivos dentro do contexto do planejamento familiar, dando tratamento diferenciado ao procedimento de esterilização voluntária para fins contraceptivos. Qualquer pessoa, seja ela mulher ou homem, além de possuir 25 anos completos ou no mínimo dois filhos vivos, deve solicitar o consentimento de outra pessoa (cônjuge e, por analogia, o companheiro e a companheira) para a realização do procedimento. Neste contexto, importa discutir em que medida a obrigatoriedade desse consentimento afeta liberdades individuais e a autodeterminação reprodutiva. Objetivos: como objetivo geral, pretende-se discutir sobre a imposição de limites para o acesso ao método contraceptivo da esterilização voluntária, notadamente a exigência do consentimento do cônjuge. Especificamente, analisar o contexto histórico em que a Lei foi promulgada; discutir quais os elementos que compõem o consentimento, especialmente na relação médico-paciente; identificar quais os problemas éticos que envolvem o tema, utilizando como aporte teórico as contribuições de Jürgem Habermas e Ronald Dworkin. Ainda, discutir o acesso à esterilização para fins contraceptivos por incapazes, a partir da modificação da teoria das incapacidades trazidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência. Além disso, analisar a (in)constitucionalidade da norma que regulamentou a esterilização voluntária no Brasil, a partir da análise das duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade que tramitam no Supremo Tribunal Federal – ADI 5.097 e ADI 5.911. Metodologia: trata se de uma pesquisa descritiva e qualitativa que se propõe a analisar o tratamento legislativo concedido à esterilização voluntária sob a ótica da dignidade da pessoa humana, da autonomia e da liberdade na doutrina brasileira, com vistas a descrever, compreender e explicar a norma que regulamenta o procedimento, de um modo indutivo. Ademais, é uma pesquisa aplicada, pois voltada à produção de conhecimentos essenciais para embasar uma possível mudança na recepção da lei no regramento pátrio. Resultados: a presente pesquisa apresenta resultados práticos, uma vez que consubstanciou uma Nota Técnica enviada à Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal, sobre o Projeto de Lei nº 7.364/2014, que modifica a Lei do Planejamento Familiar. Conclusão: a previsão normativa disposta no § 5° do artigo 10 da Lei n° 9.263/1996, que estabelece a obrigatoriedade do consentimento do/da cônjuge para a realização do procedimento médico cirúrgico para fins contraceptivos, impõe limites às liberdades individuais, à autonomia privada e à autodeterminação reprodutiva. Além disso, é incompatível com o texto constitucional e vai de encontro às conquistas das declarações internacionais sobre direitos humanos das quais o Brasil é signatário.
publishDate 2022
dc.date.issued.fl_str_mv 2022
dc.date.accessioned.fl_str_mv 2023-01-18T05:01:48Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv http://hdl.handle.net/10183/253811
dc.identifier.nrb.pt_BR.fl_str_mv 001153635
url http://hdl.handle.net/10183/253811
identifier_str_mv 001153635
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
instname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
instacron:UFRGS
instname_str Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
instacron_str UFRGS
institution UFRGS
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
bitstream.url.fl_str_mv http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/253811/2/001153635.pdf.txt
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/253811/1/001153635.pdf
bitstream.checksum.fl_str_mv 8e6232299e7294273bfab9a77ebc9e8d
eef5a15f1a84dc9e43ebfb7a705f5396
bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv MD5
MD5
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
repository.mail.fl_str_mv lume@ufrgs.br || lume@ufrgs.br
_version_ 1854319309388513280