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Intervenção penal em condutas motivadas por discriminação homotransfóbica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Especiato, Ian Matozo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-18092023-134907/
Resumo: A questão de pesquisa que move o presente trabalho é a necessidade ou não de tutela penal para confronto da homotransfobia, ou seja, da tipificação de condutas motivadas pela discriminação da orientação sexual ou da identidade de gênero da vítima ou mesmo de majoração das penas dos delitos já existentes. Em termos de tutela da discriminação, há a Lei n. 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor - rol que foi ampliado para abranger as expressões etnia, religião ou procedência nacional. Dentre os motivos a ensejarem a punição através dos crimes dessa lei não se encontra a discriminação em razão de orientação sexual ou identidade de gênero. Todavia, o texto constitucional afirma que a lei punirá qualquer discriminação que atente contra os direitos e as liberdades fundamentais (art. 5o, inciso XLI). Assim, pode-se dizer que a lei maior do Estado proíbe ou mesmo não tolera a discriminação, independentemente de como ela se manifestar. Em razão disso, aventa-se a hipótese de existência de proteção penal deficiente em relação à discriminação dirigida às pessoas LGBT+, ao mesmo tempo em que se reconhece a limitação do direito penal para a tutela deste fenômeno social. A omissão do Legislativo foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Mandado de Injunção n. 4.733 e da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão n. 26. A equiparação entre homotransfobia e racismo é criticada por parte da doutrina por supostamente violar o princípio da legalidade. Para verificar se o Direito Penal deve considerar o desvalor do móvel homotransfóbico, elegeu-se como metodologia de pesquisa o levantamento bibliográfico e documental, com análise de artigos e livros científicos, leis, jurisprudências, resoluções, relatórios e dossiês. Além disso, quanto ao método, adotou-se o histórico-descritivo, o comparado e o hipotético- dedutivo. Objetivando cumprir tal desiderato, este trabalho traçou um percurso em que se buscou entender como se estrutura a dominação por meio da violência homotransfóbica. Na sequência, houve um exame de dados já coletados e parcialmente sistematizados para entender a extensão dos danos causados à população LGBT+, bem como a maneira pela qual o Estado possibilita a apuração e julgamento dessas denúncias. Logo após, analisou- se a luta por reconhecimento empreendida pelo movimento LGBT+, que apostou na judicialização para a conquista de direitos civis ao lado, também, de uma pauta punitiva. A fim de refletir sobre o problema desde algum lugar, optou-se pelo levantamento de leis que criminalizassem ou que de algum modo tutelassem a discriminação na América do Sul. Para isso, foram explorados os ordenamentos jurídicos da Bolívia, Chile, Colômbia e Uruguai. Após o estudo comparado, objetivou-se investigar se a orientação sexual e a identidade de gênero representam categorias especialmente protegidas internacionalmente, partindo-se dos sistemas internacionais de proteção de Direitos Humanos. Ao final dessa expedição, a tese se debruçou sobre a dogmática penal para analisar a problemática apontada, com discussões sobre proteção deficiente, mandado constitucional de criminalização, limitação da liberdade de expressão e crença, necessidade, racionalidade e limites da incriminação de condutas odiosas.
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Todavia, o texto constitucional afirma que a lei punirá qualquer discriminação que atente contra os direitos e as liberdades fundamentais (art. 5o, inciso XLI). Assim, pode-se dizer que a lei maior do Estado proíbe ou mesmo não tolera a discriminação, independentemente de como ela se manifestar. Em razão disso, aventa-se a hipótese de existência de proteção penal deficiente em relação à discriminação dirigida às pessoas LGBT+, ao mesmo tempo em que se reconhece a limitação do direito penal para a tutela deste fenômeno social. A omissão do Legislativo foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Mandado de Injunção n. 4.733 e da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão n. 26. A equiparação entre homotransfobia e racismo é criticada por parte da doutrina por supostamente violar o princípio da legalidade. Para verificar se o Direito Penal deve considerar o desvalor do móvel homotransfóbico, elegeu-se como metodologia de pesquisa o levantamento bibliográfico e documental, com análise de artigos e livros científicos, leis, jurisprudências, resoluções, relatórios e dossiês. Além disso, quanto ao método, adotou-se o histórico-descritivo, o comparado e o hipotético- dedutivo. Objetivando cumprir tal desiderato, este trabalho traçou um percurso em que se buscou entender como se estrutura a dominação por meio da violência homotransfóbica. Na sequência, houve um exame de dados já coletados e parcialmente sistematizados para entender a extensão dos danos causados à população LGBT+, bem como a maneira pela qual o Estado possibilita a apuração e julgamento dessas denúncias. Logo após, analisou- se a luta por reconhecimento empreendida pelo movimento LGBT+, que apostou na judicialização para a conquista de direitos civis ao lado, também, de uma pauta punitiva. A fim de refletir sobre o problema desde algum lugar, optou-se pelo levantamento de leis que criminalizassem ou que de algum modo tutelassem a discriminação na América do Sul. Para isso, foram explorados os ordenamentos jurídicos da Bolívia, Chile, Colômbia e Uruguai. Após o estudo comparado, objetivou-se investigar se a orientação sexual e a identidade de gênero representam categorias especialmente protegidas internacionalmente, partindo-se dos sistemas internacionais de proteção de Direitos Humanos. Ao final dessa expedição, a tese se debruçou sobre a dogmática penal para analisar a problemática apontada, com discussões sobre proteção deficiente, mandado constitucional de criminalização, limitação da liberdade de expressão e crença, necessidade, racionalidade e limites da incriminação de condutas odiosas.The question that drives the present work is the necessity or not of the punishment of homotransphobia under criminal law, that is, the typification of behaviors motivated by discrimination against sexual orientation or gender identity or even increased penalties for existing offences. In terms of criminal regulation, there is Law n. 7.716/1989, which defines crimes resulting from racial or color prejudice - a list that was expanded to include expressions of ethnicity, religion or national origin. Among them, there is not the expressions sexual orientation or gender identity. However, the Brazilian Federal Constitution establishes that the law will punish any discrimination that violates fundamental rights and freedoms (art. 5, item XLI). It is observed, therefore, that the highest law of the State prohibits or even does not tolerate discrimination, regardless of how it manifests itself. As a result, the hypothesis of the existence of deficient criminal protection, in relation to discrimination against LGBT+ people is suggested, while recognizing the limitation of criminal law for the protection of this social phenomenon. The omission of the Legislature was recognized by the Federal Supreme Court (STF) in the judgment of the Writ of Injunction n. 4,733 and the Direct Action of Unconstitutionality by Omission n. 26. The equation between racism and homotransphobia is criticized by part of criminal theory for allegedly violating the principle of legality, in terms of the legal reserve. In order to verify if the Criminal Law should consider the devaluation of the homotransphobic motif, the bibliographical and documental survey was chosen as a research methodology, with analysis of scientific articles and books, laws, jurisprudence, resolutions, reports and dossiers. In addition, regarding the method, the historical-descriptive, the comparative and the hypothetical- deductive methods were adopted. Aiming to fulfill this aim, this work traced a course in which it sought to understand how domination is structured through homotransphobic violence. Subsequently, there was an examination of data already collected and partially systematized to understand the extent of the damage caused to the LGBT+ population, as well as the way in which the State enables the investigation and judgment of these complaints. Afterwards, the fight for recognition undertaken by the LGBT+ movement was analyzed, which bet on the judicialization for the conquest of civil rights alongside, also, a punitive agenda. In order to reflect on the problem from somewhere, it was decided to survey laws that criminalize or that in some way protect discrimination in South America. For this, the legal systems of Bolivia, Chile, Colombia and Uruguay were explored. After the comparative study, the objective was to investigate whether these categories are especially internationally protected, based on the International Systems for the Protection of Human Rights. At the end of this expedition, the thesis focused on criminal dogmatics to analyze the pointed out problem, with discussions on deficient protection, constitutional criminalization warrant, limitation of freedom of expression and belief, necessity, rationality and limits of the incrimination of hateful acts.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGomes, Mariângela Gama de MagalhãesEspeciato, Ian Matozo2023-06-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2136/tde-18092023-134907/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-31T19:29:44Zoai:teses.usp.br:tde-18092023-134907Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-31T19:29:44Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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