Papel dos linfócitos e macrófagos intratumorais, expressão imuno-histoquímica de PD-L1 e desmoplasia estromal no prognóstico dos carcinomas do colo uterino

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Larre, Ailma Fabiane de Andrade
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5144/tde-07102024-142618/
Resumo: Introdução: O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres no Brasil. Para cada ano do triênio 2023-2025 foram estimados 17.010 casos novos, o que representa uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada cem mil mulheres. O agente causador desta neoplasia, o papiloma vírus humano, usa mecanismos de evasão para escapar das barreiras imunológicas. A progressão tumoral é influenciada por uma complexa rede de diferentes elementos celulares, que compõem um microambiente favorável à ação viral. Características dos linfócitos infiltrantes tumorais (TILs) e do estroma refletem duas faces de um mecanismo intrínseco envolvido na interação tumor-hospedeiro e podem ser facilmente avaliados por exame histológico de rotina. Seu valor prognóstico pode ser demonstrado em diferentes tipos de tumores, mas são pouco explorados no câncer cervical. Além destes aspectos, outras características do estroma estão associadas à evolução dos tumores, como a morfologia dos fibroblastos associados ao tumor, um dos parâmetros usados para caracterizar o padrão reativo do estroma. Aprofundando o estudo do microambiente tumoral, marcadores imuno-histoquímicos podem identificar moléculas que desempenham um papel crucial nas diversas etapas da carcinogênese: a avaliação de linfócitos CD8 tem demonstrado correlação com a progressão de tumores e resposta à imunoterapia. Os macrófagos podem desenvolver fenótipos opostos durante a progressão dos tumores e podem ser objeto de estudo para novas drogas. O PD-L1 é o foco de algumas terapias-alvo, mas no câncer de colo tem resposta terapêutica inferior, quando comparado a outras neoplasias malignas. O objetivo deste estudo foi avaliar o papel dos linfócitos e macrófagos intratumorais, expressão de PD-L1 e desmoplasia no prognóstico de pacientes com carcinoma de colo uterino. Metodologia: Nesse estudo retrospectivo analisou-se a associação de TILs, relação tumor-estroma, padrão de fibroblastos estromais, PD-L1, macrófagos CD163+ e linfócitos CD8 com prognóstico e variáveis clínico-patológicas. Foram avaliadas 61 pacientes com estágio inicial de câncer cervical. Revisou-se tipo histológico, grau do tumor, padrão Silva de invasão para adenocarcinomas, espessura do tumor, profundidade da invasão do estroma, invasão do espaço vascular linfático e status linfonodal. A mediana de seguimento foi de 37,77 meses (de 4,77 a 112,37 meses). Resultados: TILs altos foram associados ao tipo histológico escamoso (p = 0,003), alto grau do tumor (p = 0,041) e mais invasão linfovascular (p=0,009). A sobrevida geral média no grupo com TILs alto foi maior do que no grupo com TILs baixo (p=0,04, logrank test). Houve correlação entre TILS e CD8 (coeficiente de Spearman 0,715 [IC95% 0,561-0,822], p<0,0001). CD8 20 foi significativamente associado à invasão linfovascular presente (p=0.0422) e sem evidência de doença durante o seguimento (p= 0.0390). A proporção tumor-estroma não se correlacionou com nenhuma característica clínico-patológica ou sobrevida. Por outro lado, o padrão reativo do estroma composto por fibroblastos maiores e menor colagenização foi associado com o FIGO IB2 estágio (p=0,04), tumores maiores (p=0,02), profundidade de invasão (p=0,003) e espessura do tumor (p=0,02). Observaram-se mais recorrências no grupo de estroma reativo, sem significado estatístico. Estroma reativo foi associado à menor sobrevida livre de recorrência (p=0,05) e menor sobrevida geral (p=0,005). A expressão de PD-L1 foi positiva em sete (12,1%) casos. A sobrevida geral média no grupo PD-L1 positiva foi de 73,81 meses, enquanto no grupo PD-L1-negativo foi de 105,01 (p=0,63). Houve correlação entre PD-L1 e tipo histológico escamoso (p=0,004) e grau histológico 3 (p=0,048). CD 163 10% teve correlação significativa com invasão linfovascular (p=0,042), mas não com recidiva e nem com infiltração do estroma cervical. Conclusão: Os resultados indicam papéis relevantes da infiltração tumoral por células imunes (TILs, CD8+, CD163+, PD-L1) e da reação desmoplásica do estroma, embora independentes entre si. Os indicadores de ativação imune tendem a se associar com agressividade biológica dos tumores (tipo histológico, grau histológico e embolização vascular); já a resposta imune tende a se associar com melhor prognóstico; e a reação estromal desmoplásica está relacionada à infiltração local e tendência a pior prognóstico
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A progressão tumoral é influenciada por uma complexa rede de diferentes elementos celulares, que compõem um microambiente favorável à ação viral. Características dos linfócitos infiltrantes tumorais (TILs) e do estroma refletem duas faces de um mecanismo intrínseco envolvido na interação tumor-hospedeiro e podem ser facilmente avaliados por exame histológico de rotina. Seu valor prognóstico pode ser demonstrado em diferentes tipos de tumores, mas são pouco explorados no câncer cervical. Além destes aspectos, outras características do estroma estão associadas à evolução dos tumores, como a morfologia dos fibroblastos associados ao tumor, um dos parâmetros usados para caracterizar o padrão reativo do estroma. Aprofundando o estudo do microambiente tumoral, marcadores imuno-histoquímicos podem identificar moléculas que desempenham um papel crucial nas diversas etapas da carcinogênese: a avaliação de linfócitos CD8 tem demonstrado correlação com a progressão de tumores e resposta à imunoterapia. Os macrófagos podem desenvolver fenótipos opostos durante a progressão dos tumores e podem ser objeto de estudo para novas drogas. O PD-L1 é o foco de algumas terapias-alvo, mas no câncer de colo tem resposta terapêutica inferior, quando comparado a outras neoplasias malignas. O objetivo deste estudo foi avaliar o papel dos linfócitos e macrófagos intratumorais, expressão de PD-L1 e desmoplasia no prognóstico de pacientes com carcinoma de colo uterino. Metodologia: Nesse estudo retrospectivo analisou-se a associação de TILs, relação tumor-estroma, padrão de fibroblastos estromais, PD-L1, macrófagos CD163+ e linfócitos CD8 com prognóstico e variáveis clínico-patológicas. Foram avaliadas 61 pacientes com estágio inicial de câncer cervical. Revisou-se tipo histológico, grau do tumor, padrão Silva de invasão para adenocarcinomas, espessura do tumor, profundidade da invasão do estroma, invasão do espaço vascular linfático e status linfonodal. A mediana de seguimento foi de 37,77 meses (de 4,77 a 112,37 meses). Resultados: TILs altos foram associados ao tipo histológico escamoso (p = 0,003), alto grau do tumor (p = 0,041) e mais invasão linfovascular (p=0,009). A sobrevida geral média no grupo com TILs alto foi maior do que no grupo com TILs baixo (p=0,04, logrank test). Houve correlação entre TILS e CD8 (coeficiente de Spearman 0,715 [IC95% 0,561-0,822], p<0,0001). CD8 20 foi significativamente associado à invasão linfovascular presente (p=0.0422) e sem evidência de doença durante o seguimento (p= 0.0390). A proporção tumor-estroma não se correlacionou com nenhuma característica clínico-patológica ou sobrevida. Por outro lado, o padrão reativo do estroma composto por fibroblastos maiores e menor colagenização foi associado com o FIGO IB2 estágio (p=0,04), tumores maiores (p=0,02), profundidade de invasão (p=0,003) e espessura do tumor (p=0,02). Observaram-se mais recorrências no grupo de estroma reativo, sem significado estatístico. Estroma reativo foi associado à menor sobrevida livre de recorrência (p=0,05) e menor sobrevida geral (p=0,005). A expressão de PD-L1 foi positiva em sete (12,1%) casos. A sobrevida geral média no grupo PD-L1 positiva foi de 73,81 meses, enquanto no grupo PD-L1-negativo foi de 105,01 (p=0,63). Houve correlação entre PD-L1 e tipo histológico escamoso (p=0,004) e grau histológico 3 (p=0,048). CD 163 10% teve correlação significativa com invasão linfovascular (p=0,042), mas não com recidiva e nem com infiltração do estroma cervical. Conclusão: Os resultados indicam papéis relevantes da infiltração tumoral por células imunes (TILs, CD8+, CD163+, PD-L1) e da reação desmoplásica do estroma, embora independentes entre si. Os indicadores de ativação imune tendem a se associar com agressividade biológica dos tumores (tipo histológico, grau histológico e embolização vascular); já a resposta imune tende a se associar com melhor prognóstico; e a reação estromal desmoplásica está relacionada à infiltração local e tendência a pior prognósticoIntroduction: Cervical cancer ranks as the third most common cancer type among women in Brazil. During the 2023-2025 period, there were an estimated 17,010 new cases annually, indicating a crude incidence rate of 15.38 cases per 100,000 women. The causative agent of this neoplasia is the human papillomavirus, which employs evasion mechanisms to escape immunological barriers. A complex network of different cellular elements influences tumor progression, creating a microenvironment favorable to viral action. Characteristics of tumor-infiltrating lymphocytes (TILs) and stroma reflect two sides of an intrinsic mechanism involved in tumor-host interaction and can be easily assessed by routine histological examination. Although their prognostic value can be demonstrated in different types of tumors, they have been underexplored in cervical cancer. Additionally, other features of the stroma are linked to tumor progression. For instance, the morphology of tumor-associated fibroblasts is one of the parameters used to characterize the reactive pattern of the stroma. By deepening the study of the tumor microenvironment, immunohistochemical markers can identify molecules that play a crucial role in the various stages of carcinogenesis the assessment of CD8 lymphocytes has demonstrated a correlation with tumor progression and response to immunotherapy. Macrophages can develop opposite phenotypes during tumor progression and could be the subject of study for new drugs. PD-L1 is the focus of some targeted therapies, but in colon cancer, it has a lower therapeutic response when compared to other malignant neoplasms. This study aims to evaluate the role of intratumoral stroma, PD-L1 expression, and desmoplasia in the prognosis of patients with cervical carcinoma. Methodology: This retrospective study analyzed the association of TILs, tumor-stroma relationship, stromal fibroblast pattern, PD-L1, CD163+ macrophages, and CD8 lymphocytes with prognosis and clinicopathological variables. The assessment involved 61 patients with early-stage cervical cancer. There was a revision of histologic type, tumor grade, Silva pattern of invasion for adenocarcinomas, tumor thickness, depth of stromal invasion, lymphatic vascular space invasion, and lymph node status. The median follow-up was 37.77 months (from 4.77 to 112.37 months). Results: High TILs were associated with squamous histological type (p = 0.003), high tumor grade (p = 0.041), and more lymphovascular invasion (p = 0.009). The average overall survival in the high TILs group was higher than in the low TILs group (p=0.04, log-rank test). There was a correlation between TILS and CD8 (Spearman coefficient 0.715 (95%CI 0.561-0.822), p<0.0001). The percentage of CD8 was significantly higher in patients with lymphovascular invasion (p=0.0422) and without evidence of disease during follow-up (p=0.0390). There was no association between stromal characteristics and TILs. The tumor-to-stroma ratio did not correlate with any clinicopathological characteristics or survival. On the other hand, the reactive stroma pattern, composed of larger fibroblasts and less collagenization, was associated with FIGO IB2 stage (p=0.04), larger tumors (p=0.02), depth of invasion (p=0.003), and tumor thickness (p=0.02). More recurrences were observed in the reactive stroma group without any statistical significance. Reactive stroma was associated with shorter recurrence-free survival (p=0.05) and overall survival (p=0.005). PD-L1 expression was positive in 7 (12.1%) cases. The average overall survival in the PD-L1-positive group was 73.81 months, while in the PD-L1-negative group, it was 105.01 (p=0.63). There was a correlation between PD-L1 and squamous histological type (p=0.004) and histological grade 3 (p=0.048). The CD8+ and CD163+ stromal cell fractions correlated with each other and the TILs fraction, although the correlation with the CD8+ cell population was higher (p<0.0001). CD 163 10% had a significant correlation with lymphovascular invasion (p=0.042), but not with recurrence or cervical stroma infiltration. Conclusion: The results indicate relevant roles of tumor infiltration by immune cells (TILs, CD8+, CD163+, PD-L1) and the stromal desmoplastic reaction, although they are independent. Immune activation indicators tend to be associated with the biological aggressiveness of tumors (histological type, histological grade, vascular embolization). Immune response tends to be associated with a better prognosis. The desmoplastic stromal reaction is related to local infiltration and tends to have a worse prognosisBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCarvalho, Filomena MarinoLarre, Ailma Fabiane de Andrade2024-07-31info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5144/tde-07102024-142618/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-10-29T17:29:02Zoai:teses.usp.br:tde-07102024-142618Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-10-29T17:29:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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Larre, Ailma Fabiane de Andrade
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