Participação social na incorporação de tecnologias no Sistema Único de Saúde

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Lopes, Ana Carolina de Freitas
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-13112024-150813/
Resumo: Pesquisa conduzida com o objetivo de compreender a interrelação entre participação social e decisões de incorporação de tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS), em âmbito nacional, durante os primeiros dez anos de atuação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), no período entre 2012 e 2021. Foi utilizada metodologia de métodos mistos, com desenho sequencial explanatório e arcabouço filosófico ancorado no pragmatismo. A participação social esteve prevista formalmente como demandante inicial, representação no colegiado deliberativo, consulta pública, audiência pública e ouvidoria. A consulta pública (CP) destacou-se como o principal mecanismo participativo utilizado, diante da frequência de realização e maior volume de contribuições enviadas por esse canal. Foram identificados 479 relatórios técnicos, em sua maioria para a incorporação de medicamentos (n=366; 76%), com solicitações de origem governamental (n=262; 55%). As neoplasias e doenças infecciosas foram as indicações com maior frequência de demandas, com 66 processos analisados (14%) para cada. Do total, 264 (55%) análises tiveram recomendação final favorável à oferta da tecnologia no SUS. Foi conduzida CP em 400 (83%) processos analisados, nas quais foram enviadas 196.483 contribuições. O maior volume de contribuições foi enviado por pacientes e seus familiares ou representantes (99.082; 50%), do sexo feminino (122.895; 67%), de cor branca (129.165; 71%), na faixa etária entre 25 e 59 anos (145.364; 70%) e das regiões sul e sudeste do país. Em 13% dos processos houve alteração da recomendação da Conitec após CP. Por meio de modelo de regressão logística múltipla, identificou-se que uma maior participação de pacientes e familiares aumentou em quase quatro vezes a chance de alteração da recomendação preliminar (Odds ratio 3,87; IC 95% 1,33 13,35; p=0,02), enquanto os demais fatores (tipo de tecnologia, demandante, indicação clínica e volume de participação dos outros atores) não apresentaram associação significativa com a alteração da recomendação. Entretanto, as experiências de pacientes e familiares não foram incluídas dentre as justificativas para a recomendação final em nenhum dos 40 casos analisados, selecionados de forma aleatória e estratificada (106 relatórios e atas). Em análise apoiada na Grounded Theory sobre a apresentação das contribuições recebidas durante a CP (n=8) e discussão do Plenário, a experiência dos pacientes foi apresentada com menos destaque, em termos científicos e não reconhecida como fonte de evidência primária, tanto por técnicos quanto pelo Plenário deliberativo. Esses resultados suscitam discussões sobre a latente tensão epistemológica entre a prática da Avaliação de Tecnologias em Saúde e a inclusão da participação social nos processos decisórios. No campo da Saúde Coletiva, o exame dos espaços de participação social, suas características e interrelações com a tomada de decisão coloca-se como interesse público, em especial na incorporação de tecnologias no SUS, cujas decisões impactam a assistência à saúde de toda a população brasileira. Destaca-se a importância do aprimoramento dos espaços disponíveis, de forma mais dialógica, menos vulneráveis a contextos políticos específicos, e visando a construção de um sistema saúde mais equitativo e responsivo às necessidades da população brasileira
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A participação social esteve prevista formalmente como demandante inicial, representação no colegiado deliberativo, consulta pública, audiência pública e ouvidoria. A consulta pública (CP) destacou-se como o principal mecanismo participativo utilizado, diante da frequência de realização e maior volume de contribuições enviadas por esse canal. Foram identificados 479 relatórios técnicos, em sua maioria para a incorporação de medicamentos (n=366; 76%), com solicitações de origem governamental (n=262; 55%). As neoplasias e doenças infecciosas foram as indicações com maior frequência de demandas, com 66 processos analisados (14%) para cada. Do total, 264 (55%) análises tiveram recomendação final favorável à oferta da tecnologia no SUS. Foi conduzida CP em 400 (83%) processos analisados, nas quais foram enviadas 196.483 contribuições. O maior volume de contribuições foi enviado por pacientes e seus familiares ou representantes (99.082; 50%), do sexo feminino (122.895; 67%), de cor branca (129.165; 71%), na faixa etária entre 25 e 59 anos (145.364; 70%) e das regiões sul e sudeste do país. Em 13% dos processos houve alteração da recomendação da Conitec após CP. Por meio de modelo de regressão logística múltipla, identificou-se que uma maior participação de pacientes e familiares aumentou em quase quatro vezes a chance de alteração da recomendação preliminar (Odds ratio 3,87; IC 95% 1,33 13,35; p=0,02), enquanto os demais fatores (tipo de tecnologia, demandante, indicação clínica e volume de participação dos outros atores) não apresentaram associação significativa com a alteração da recomendação. Entretanto, as experiências de pacientes e familiares não foram incluídas dentre as justificativas para a recomendação final em nenhum dos 40 casos analisados, selecionados de forma aleatória e estratificada (106 relatórios e atas). Em análise apoiada na Grounded Theory sobre a apresentação das contribuições recebidas durante a CP (n=8) e discussão do Plenário, a experiência dos pacientes foi apresentada com menos destaque, em termos científicos e não reconhecida como fonte de evidência primária, tanto por técnicos quanto pelo Plenário deliberativo. Esses resultados suscitam discussões sobre a latente tensão epistemológica entre a prática da Avaliação de Tecnologias em Saúde e a inclusão da participação social nos processos decisórios. No campo da Saúde Coletiva, o exame dos espaços de participação social, suas características e interrelações com a tomada de decisão coloca-se como interesse público, em especial na incorporação de tecnologias no SUS, cujas decisões impactam a assistência à saúde de toda a população brasileira. Destaca-se a importância do aprimoramento dos espaços disponíveis, de forma mais dialógica, menos vulneráveis a contextos políticos específicos, e visando a construção de um sistema saúde mais equitativo e responsivo às necessidades da população brasileiraResearch conducted with the aim of understanding the interrelationship between patient and public involvement (PPI) and decisions to adopt technologies into the Unified Health System (SUS), at a national level, during the first ten years of operation of the National Committee for Health Technologies Incorporation into the SUS (Conitec), in the period between 2012 and 2021. Mixed methods methodology was used, with an explanatory sequential design and a philosophical framework anchored in pragmatism. PPI was formally foreseen as initial applicant, representation on the deliberative board, public consultation, public hearing and ombudsman. Public consultation (PC) stood out as the main participatory mechanism used, given the frequency of completion and the greater volume of contributions sent through this channel. 479 technical reports were identified, mostly for the incorporation of medicines (n=366; 76%), with requests from government sources (n=262; 55%). Neoplasms and infectious diseases were the indications with the highest frequency of demands, with 66 processes analyzed (14%) for each. Of the total, 264 (55%) analyzes had a final recommendation in favor of offering the technology in the SUS. PC was conducted in 400 (83%) processes analyzed, in which 196,483 contributions were sent. The largest volume of contributions was sent by patients and their family members or representatives (99,082; 50%), female (122,895; 67%), white (129,165; 71%), aged between 25 and 59 years (145,364; 70%) and from the south and southeast regions of the country. In 13% of the processes, there was a change in Conitec\'s recommendation after PC. Using a multiple logistic regression model, it was identified that greater participation by patients and family members increased the chance of changing the preliminary recommendation by almost four times (Odds ratio 3.87; 95% CI 1.33 13.35; p=0.02), while the other factors (type of technology, demander, clinical indication and volume of participation of other actors) did not show a significant association with the change in recommendation. However, the experiences of patients and family members were not included among the justifications for the final recommendation in any of the 40 cases analyzed, selected in a random and stratified manner (106 reports and minutes). In an analysis supported by Grounded Theory on the presentation of contributions received during the PC and Plenary discussion (n=8), the patients\' experience was presented with less prominence, in scientific terms and not recognized as a source of primary evidence, both by technicians and by the deliberative Plenary. These results raise discussions about the latent epistemological tension between the practice of Health Technology Assessment and the inclusion of the public in decision-making processes. In the field of Public Health, the examination of spaces for PPI, their characteristics and interrelations with decision-making is a public interest, especially in the adoption of technologies in the SUS, whose decisions impact health care for the entire Brazilian population. The importance of improving the available spaces is highlighted, in a more dialogical way, less vulnerable to specific political contexts, and aiming to build a health system that is more equitable and responsive to the needs of the Brazilian populationBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSoárez, Patrícia Coelho deLopes, Ana Carolina de Freitas2024-08-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-13112024-150813/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-11-22T17:49:02Zoai:teses.usp.br:tde-13112024-150813Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-11-22T17:49:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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