Pedagogias Afrodiaspóricas: resistência, resiliência e reexistência negra na educação escolar pública
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-23062025-133712/ |
Resumo: | A presente tese propõe uma análise e caracterização teórica das Pedagogias Afrodiaspóricas, entendidas como práticas pedagógicas de resistência à cultura escolar leucocrática. O estudo se inicia com um abrangente levantamento histórico de projetos pedagógicos nos Estados Unidos e no Brasil. Este panorama serve para identificar e compreender as relações diaspóricas e as interconexões entre o pensamento pedagógico afro-americano e o afro-brasileiro, revelando como a resposta à educação racista se manifesta como um movimento transnacional que, paulatinamente, constrói uma contracultura escolar. Com base nos fundamentos desse arcabouço histórico-analítico, a pesquisa se aprofunda na análise de três projetos pedagógicos desenvolvidos em Salvador, Bahia (Brasil) uma das capitais da diáspora africana , que constituem o corpus empírico deste trabalho. São eles: a Educação Pluricultural da Mini Comunidade Obá Biyi (1974-1985), vinculada ao Ilê Axé Opô Afonjá; o Projeto Irê Ayó (1999 presente), desenvolvido na Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, situada no mesmo Ilê Axé Opô Afonjá; e o Projeto Baobá (2010-presente), desenvolvido pela Escola Municipal do Parque São Cristóvão. Esses exemplos foram selecionados por representarem \"ilhas de esperança e de resistência\" que, em diferentes momentos históricos, buscaram desenvolver processos de ensino-aprendizagem nas brechas do sistema educacional formal, atuando em instituições públicas municipais. As educadoras e educadores responsáveis pela concepção pedagógica desses projetos estabelecem uma relação histórica e orgânica com o ativismo negro no Brasil e na diáspora africana. A implementação de suas propostas em sala de aula exigiu e continua a exigir professoras e professores resilientes, com uma firme disposição para enfrentar políticas públicas estatais e governamentais marcadas pela regulação leucocrática do ensino. Ao praticarem o magistério imbuídos de uma atitude consciente de resistência e resiliência frente a projetos de aniquilação de epistemologias e ontologias de origem africana, esses educadores contribuem para o surgimento e a consolidação de pedagogias de reexistência cultural afrodiaspórica. Essas pedagogias afrodiaspóricas, como são denominadas e conceitualizadas nesta tese, não apenas desafiam o status quo, mas propõem caminhos para a reorganização dos fundamentos teóricos e filosóficos da escola. Elas oferecem subsídios para a elaboração de políticas públicas mais amplas, capazes de beneficiar o conjunto docente e discente do país. Metodologicamente, este é um estudo analítico-descritivo, baseado em extenso material bibliográfico e documental, interpretado à luz da literatura sobre a luta do movimento negro por educação e campo de estudos em Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER). O argumento principal que estrutura todo o trabalho é que resistência, resiliência e reexistência são ações e elementos constitutivos das Pedagogias Afrodiaspóricas. |
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Pedagogias Afrodiaspóricas: resistência, resiliência e reexistência negra na educação escolar públicaAfro-diasporic pedagogies: black resistance, resilience, and re-existence in public educationAfro-diasporic pedagogiesBlack educationCultura escolar leucocráticaEducação das relações étnico-raciaisHistória da educação antirracistaHistory anti-racist educationPedagogias afrodiaspóricasSchool cultureA presente tese propõe uma análise e caracterização teórica das Pedagogias Afrodiaspóricas, entendidas como práticas pedagógicas de resistência à cultura escolar leucocrática. O estudo se inicia com um abrangente levantamento histórico de projetos pedagógicos nos Estados Unidos e no Brasil. Este panorama serve para identificar e compreender as relações diaspóricas e as interconexões entre o pensamento pedagógico afro-americano e o afro-brasileiro, revelando como a resposta à educação racista se manifesta como um movimento transnacional que, paulatinamente, constrói uma contracultura escolar. Com base nos fundamentos desse arcabouço histórico-analítico, a pesquisa se aprofunda na análise de três projetos pedagógicos desenvolvidos em Salvador, Bahia (Brasil) uma das capitais da diáspora africana , que constituem o corpus empírico deste trabalho. São eles: a Educação Pluricultural da Mini Comunidade Obá Biyi (1974-1985), vinculada ao Ilê Axé Opô Afonjá; o Projeto Irê Ayó (1999 presente), desenvolvido na Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, situada no mesmo Ilê Axé Opô Afonjá; e o Projeto Baobá (2010-presente), desenvolvido pela Escola Municipal do Parque São Cristóvão. Esses exemplos foram selecionados por representarem \"ilhas de esperança e de resistência\" que, em diferentes momentos históricos, buscaram desenvolver processos de ensino-aprendizagem nas brechas do sistema educacional formal, atuando em instituições públicas municipais. As educadoras e educadores responsáveis pela concepção pedagógica desses projetos estabelecem uma relação histórica e orgânica com o ativismo negro no Brasil e na diáspora africana. A implementação de suas propostas em sala de aula exigiu e continua a exigir professoras e professores resilientes, com uma firme disposição para enfrentar políticas públicas estatais e governamentais marcadas pela regulação leucocrática do ensino. Ao praticarem o magistério imbuídos de uma atitude consciente de resistência e resiliência frente a projetos de aniquilação de epistemologias e ontologias de origem africana, esses educadores contribuem para o surgimento e a consolidação de pedagogias de reexistência cultural afrodiaspórica. Essas pedagogias afrodiaspóricas, como são denominadas e conceitualizadas nesta tese, não apenas desafiam o status quo, mas propõem caminhos para a reorganização dos fundamentos teóricos e filosóficos da escola. Elas oferecem subsídios para a elaboração de políticas públicas mais amplas, capazes de beneficiar o conjunto docente e discente do país. Metodologicamente, este é um estudo analítico-descritivo, baseado em extenso material bibliográfico e documental, interpretado à luz da literatura sobre a luta do movimento negro por educação e campo de estudos em Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER). O argumento principal que estrutura todo o trabalho é que resistência, resiliência e reexistência são ações e elementos constitutivos das Pedagogias Afrodiaspóricas.This dissertation proposes an in-depth theoretical analysis and characterization of Afrodiasporic Pedagogies, understood as pedagogical practices of resistance to the leucocratic school culture. The study begins with a comprehensive historical survey of pedagogical projects in the United States and Brazil. This overview serves to identify and understand diasporic relations and the interconnections between African American and Afro-Brazilian pedagogical thought, revealing how the response to racist education manifests as a transnational movement that, gradually, builds a school counterculture. Based on the foundations of this historicalanalytical framework, the research delves into the analysis of three pedagogical projects developed in Salvador, Bahia (Brazil) one of the capitals of the African diaspora which constitute the empirical corpus of this work. These are: the Pluricultural Education of the Mini Comunidade Obá Biyi (1974-1985), linked to Ilê Axé Opô Afonjá; the Irê Ayó Project (1999 present days), developed at the Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, located within the same Ilê Axé Opô Afonjá; and the Baobá Project (2008-present days), developed by the Escola Municipal Parque São Cristóvão. These examples were selected because they represent \"islands of hope and resistance\" that, at different historical moments, sought to develop teachinglearning processes within the fissures of the formal educational system, operating in municipal public institutions. The educators responsible for the pedagogical conception of these projects establish a historical and organic relationship with black activism in Brazil and the African diaspora. The implementation of their proposals in the classroom has demanded and continues to demand resilient teachers, with a firm disposition to confront state and governmental public policies marked by the leucocratic regulation of education. By practicing teaching imbued with a conscious attitude of resistance and resilience against projects aiming to annihilate epistemologies and ontologies of African origin, these educators contribute to the emergence and consolidation of Afro-diasporic cultural re-existence pedagogies. These Afro-diasporic pedagogies, as they are named and conceptualized in this dissertation, not only challenge the status quo but also propose pathways for the reorganization of the theoretical and philosophical foundations of schooling. They offer subsidies for the elaboration of broader public policies, capable of benefiting the entire teaching and student body of the country. Methodologically, this is an analytical-descriptive study, based on extensive bibliographic and documentary material, interpreted in light of the literature on the black movement\'s struggle for education. The main argument that structures the entire work is that resistance, resilience, and re-existence are constitutive actions and elements of Afro-diasporic Pedagogies.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFischmann, RoseliGivens, Jarvis Ray GuyMolina, Thiago dos Santos2025-04-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-23062025-133712/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-24T17:39:02Zoai:teses.usp.br:tde-23062025-133712Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-24T17:39:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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