Mulheres na composição de Cortes Supremas : um estudo sobre a desigualdade de gênero

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Guimarães, Lívia Gil
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2134/tde-12032025-113859/
Resumo: O tema amplo da presente pesquisa é a diversidade de gênero na composição de cortes supremas. Com o aumento da importância que essas instituições ganharam nos últimos tempos, somado à intensificação de debates e reivindicações relacionados às políticas de reconhecimento e diferença das mais diversas coletividades, se tornou urgente pensar de maneira crítica sobre quem são as pessoas que assumem os poucos assentos nas cortes supremas. Assim, as perguntas centrais que respondo neste estudo são: Por que há tão poucas mulheres nas cortes supremas? E por que é preciso ter mais?. Em realidade, ambas as perguntas estão interligadas, na medida em que a resposta da primeira fornece um diagnóstico para que se possa pensar criticamente sobre a segunda. Para investigar os motivos da baixa presença de mulheres nesses importantes espaços de tomada de decisão pública, primeiramente faço uma revisão da literatura do campo Gender and Judging e discuto as hipóteses mais correntes: (i) de que o aumento do número de mulheres nos cursos de direito e nas profissões jurídicas teria um incremento progressivo e natural e elas alcançariam o topo da hierarquia jurisdicional; (ii) de que os métodos de seleção e de indicação de juízas e juízes poderiam impactar diretamente na diversidade de gênero. Foi possível concluir que nenhuma dessas duas explicações são suficientes. Em realidade, constatou-se que um regime de gênero atua sistematicamente na exclusão de mulheres, de forma a restringir as suas oportunidades de avanços até as cortes supremas. Já, a fim de responder a segunda pergunta, utilizo uma abordagem não-essencialista sobre o conceito de gênero e de mulheres como uma categoria política possível. Dessa forma, analiso as principais justificativas encontradas na literatura. Refuto os argumentos teoricamente deficitários e empiricamente equivocados que se pautam na existência de uma voz diferente para pessoas do gênero feminino e relativizo as respostas de natureza procedimentais, que se apoiam em uma noção de diferença potencial. Por fim, ofereço como resposta o argumento da igualdade, visto que ele se afasta por completo de noções essencialistas. Isso porque os seus pontos de partida e de chegada não dependem que mulheres demonstrem um resultado ou um ganho de eficiência específico para que participem das cortes supremas em iguais condições.
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Em realidade, ambas as perguntas estão interligadas, na medida em que a resposta da primeira fornece um diagnóstico para que se possa pensar criticamente sobre a segunda. Para investigar os motivos da baixa presença de mulheres nesses importantes espaços de tomada de decisão pública, primeiramente faço uma revisão da literatura do campo Gender and Judging e discuto as hipóteses mais correntes: (i) de que o aumento do número de mulheres nos cursos de direito e nas profissões jurídicas teria um incremento progressivo e natural e elas alcançariam o topo da hierarquia jurisdicional; (ii) de que os métodos de seleção e de indicação de juízas e juízes poderiam impactar diretamente na diversidade de gênero. Foi possível concluir que nenhuma dessas duas explicações são suficientes. Em realidade, constatou-se que um regime de gênero atua sistematicamente na exclusão de mulheres, de forma a restringir as suas oportunidades de avanços até as cortes supremas. Já, a fim de responder a segunda pergunta, utilizo uma abordagem não-essencialista sobre o conceito de gênero e de mulheres como uma categoria política possível. Dessa forma, analiso as principais justificativas encontradas na literatura. Refuto os argumentos teoricamente deficitários e empiricamente equivocados que se pautam na existência de uma voz diferente para pessoas do gênero feminino e relativizo as respostas de natureza procedimentais, que se apoiam em uma noção de diferença potencial. Por fim, ofereço como resposta o argumento da igualdade, visto que ele se afasta por completo de noções essencialistas. Isso porque os seus pontos de partida e de chegada não dependem que mulheres demonstrem um resultado ou um ganho de eficiência específico para que participem das cortes supremas em iguais condições.The broad theme of the present research is gender diversity in the composition of supreme courts. With the increased importance that these institutions have gained in recent decades, combined with the intensification of debates and claims related to the politics of recognition and difference of the most diverse collectivities, it has become urgent to think critically about who are the ones who take up the few seats in the supreme courts. Thus, the central questions that I answer in this study are: \"Why are there so few women in the supreme courts? And why do we need to have more?\". Both questions are interconnected, in that the answer to the former provides a diagnosis for critical thinking about the latter. In order to investigate the reasons for the low presence of women in these important spaces of public decision-making, I first review the literature in the field of Gender and Judging and discuss the most current hypotheses: (i) that the increase in the number of women in law courses and in the legal professions would lead to a progressive and natural rise, and that they would reach the top of the judicial hierarchy; (ii) that the methods of selection and appointment of judges could have a direct impact on the gender diversity. It was concluded that neither of these two explanations is sufficient. In fact, it was found that a gender regime systematically acts to exclude women in ways that restrict their opportunities to advance to the supreme courts. In order to answer the second question, I use a non-essentialist approach to the concept of gender and \"women\" as a possible political category. In this sense, I analyze the main justifications found in the literature. I refute the theoretically flawed and empirically misguided arguments based on the existence of a \"different voice\" for females, and I relativize the procedural response that rely on a notion of potential difference. Finally, I offer the equality argument as a response, since it distances itself completely from essentialist notions. This is because its starting and ending points do not depend on women demonstrating a specific outcome or efficiency gain to participate of supreme courts on equal conditions.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Luís Virgílio Afonso daGuimarães, Lívia Gil2023-08-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2134/tde-12032025-113859/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-03T18:41:05Zoai:teses.usp.br:tde-12032025-113859Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-03T18:41:05Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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