Características da neurite óptica duplamente soronegativa em um centro terciário no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Ronchi, Nathalia Rossoni
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
MOG
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17161/tde-08092025-160012/
Resumo: A neurite óptica é a principal causa de perda visual em adultos jovens (18-45 anos), e está frequentemente associada à Esclerose Múltipla (EM). Outras doenças desmielinizantes, como a Doença do Espectro da Neuromielite Óptica (DENMO) e a Doença associada ao anticorpo da glicoproteína da mielina de oligodendrócitos (DAGMO), também podem cursar com neurite óptica. Este estudo retrospectivo, realizado em um centro terciário brasileiro, investigou 40 pacientes com neurite óptica duplamente soronegativa (anticorpos anti-MOG e anti-AQP4 negativos), visando descrever o perfil clínico, radiológico e oftalmológico. Foram coletados dados epidemiológicos e clínicos, ressonância magnética (RM) do encéfalo, análise do líquor (LCR), além de informações sobre prognóstico, taxa de recidiva, tratamento e falha terapêutica. A avaliação neuroftalmológica incluiu, além da avaliação clínica (acuidade visual e fundoscopia), tomografia de coerência óptica (OCT), campo visual e potencial evocado visual. A amostra (n=40) era predominantemente feminina (75%) e branca (68%), com idade média de início dos sintomas aos 38 anos. Em 90% dos casos, não havia fatores predisponentes, como infecção ou vacinação e a baixa acuidade visual foi o sintoma inicial em 45% dos pacientes. A evolução foi aguda em 63% dos casos, e o acometimento unilateral em 80%. A RM revelou alterações em 80% da amostra, com hipersinal, edema e captação de gadolínio predominando no segmento canalicular do nervo óptico, com 30% de envolvimento quiasmático. Bandas oligoclonais no LCR foram encontradas em 10% dos casos. Na OCT houve maior atrofia nas camadas de células ganglionares e plexiforme interna (CCG-CPI), com um aumento na camada nuclear interna (INL). Doze pacientes apresentaram desfecho de acuidade visual ≥20/200 e os casos não tratados na fase aguda tiveram piores resultados visuais. Em metade dos pacientes foi iniciado tratamento crônico, com boa resposta à azatioprina e falha terapêutica em 15%. Recorrências ocorreram em 29% dos pacientes, mais frequentemente naqueles que tiveram piores desfechos visuais. Este estudo destaca a importância de um diagnóstico diferencial cuidadoso considerando fatores clínicos, demográficos e terapêuticos individuais.
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Foram coletados dados epidemiológicos e clínicos, ressonância magnética (RM) do encéfalo, análise do líquor (LCR), além de informações sobre prognóstico, taxa de recidiva, tratamento e falha terapêutica. A avaliação neuroftalmológica incluiu, além da avaliação clínica (acuidade visual e fundoscopia), tomografia de coerência óptica (OCT), campo visual e potencial evocado visual. A amostra (n=40) era predominantemente feminina (75%) e branca (68%), com idade média de início dos sintomas aos 38 anos. Em 90% dos casos, não havia fatores predisponentes, como infecção ou vacinação e a baixa acuidade visual foi o sintoma inicial em 45% dos pacientes. A evolução foi aguda em 63% dos casos, e o acometimento unilateral em 80%. A RM revelou alterações em 80% da amostra, com hipersinal, edema e captação de gadolínio predominando no segmento canalicular do nervo óptico, com 30% de envolvimento quiasmático. Bandas oligoclonais no LCR foram encontradas em 10% dos casos. Na OCT houve maior atrofia nas camadas de células ganglionares e plexiforme interna (CCG-CPI), com um aumento na camada nuclear interna (INL). Doze pacientes apresentaram desfecho de acuidade visual ≥20/200 e os casos não tratados na fase aguda tiveram piores resultados visuais. Em metade dos pacientes foi iniciado tratamento crônico, com boa resposta à azatioprina e falha terapêutica em 15%. Recorrências ocorreram em 29% dos pacientes, mais frequentemente naqueles que tiveram piores desfechos visuais. Este estudo destaca a importância de um diagnóstico diferencial cuidadoso considerando fatores clínicos, demográficos e terapêuticos individuais.Optic neuritis is the leading cause of visual loss in young adults (18-45 years), often associated with multiple sclerosis (MS). Other demyelinating diseases, such as neuromyelitis optica spectrum disorder (NMOSD) and myelin oligodendrocyte glycoprotein antibody-associated disease (MOGAD), can also present with optic neuritis. This retrospective study, conducted at a Brazilian tertiary center, investigated 40 patients with double seronegative optic neuritis (negative anti-MOG and anti-AQP4 antibodies), aiming to describe their clinical, radiological and ophthalmological profile. The study assessed epidemiological data, brain magnetic resonance imaging (MRI), analysis of cerebrospinal fluid (CSF), prognosis, recurrence rate and therapeutic failures throughout follow-up. The neuro-ophthalmological evaluation included clinical assessment (best-corrected visual acuity, fundoscopy), optical coherence tomography (OCT), computerized perimetry, and Visual Evoked Potential. The sample (n=40 patients) was predominantly female (75%) and white (68%), with a mean age of symptom onset at 38 years. In 90% of cases, there were no predisposing factors such as infection or vaccination and low visual acuity was the initial symptom in 45% of patients. The course was acute in 63% cases, and unilateral involvement was noted in 80%. MRI were normal in 20%, and revealed hyperintensity, edema, and gadolinium enhancement mainly in the canalicular segment of the nerve, with 30% chiasmatic involvement. Oligoclonal bands in CSF were found in 10% of cases. OCT reported most atrophy in the ganglion cell and inner plexiform layers (GCL-IPL), with an increase in the inner nuclear layer (INL), probably due to retraction. Twelve patients had a VA outcome ≥20/200. Patients not treated in the acute phase had worse visual outcomes. Half of the patients were treated chronically, with a good response to azathioprine and therapeutic failure in 15%. Recurrences occurred in 29% of patients, more frequently in whom had worse visual outcomes. This study highlights the importance of careful differential diagnosis considering individual clinical, demographic, and therapeutic factors.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMarques, Vanessa DaccachRonchi, Nathalia Rossoni2025-05-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17161/tde-08092025-160012/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-23T14:10:02Zoai:teses.usp.br:tde-08092025-160012Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-23T14:10:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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