Monitorização subclínica de cardiotoxicidade relacionada ao uso de bloqueadores de correceptores imunes em pacientes oncológicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Martins, Juliana Góes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-09062025-113526/
Resumo: Introdução: Os bloqueadores de correceptores imunes (BCIs) mudaram o cenário do tratamento do câncer. A cardiotoxicidade ou disfunção cardíaca relacionada à terapia do câncer (CT) são relatadas com BCIs, mas não dispomos de dados para melhorar as diretrizes de manejo e prevenção. O uso do trabalho miocárdico (MW) visa mitigar as influências das alterações de pré e pós-carga, frequentemente encontradas ao longo do curso do câncer e do tratamento do câncer. Métodos: Trata-se de um estudo observacional prospectivo, de centro único, que incluiu pacientes tratados com BCIs, independentemente da indicação, com ou sem combinação com quimioterapia. Os pacientes foram submetidos a ecocardiografia com strain longitudinal global (SLG) e MW, e coleta de biomarcadores antes e após 2 meses do início dos BCIs, e a cada 3 meses até a conclusão de um ano de tratamento ou descontinuação devido à toxicidade ou progressão da doença/morte. A CT foi definida como uma redução 10% na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) para um valor final abaixo de 50%, elevação de troponina 0,30 ng/ml ou redução no SLG relativo 15%. Resultados: Dos 63 pacientes, 39 (62%) passaram por pelo menos 2 avaliações. A incidência de CT foi de 26% (metade dos pacientes diagnosticados pelos critérios de FEVE). Esses pacientes eram majoritariamente homens (56%), fumantes (61%) e com câncer de pulmão (54%). Eles apresentaram FEVE mais baixa (67% vs 62%, p = 0,014) em exames de base pré BCIs. Quimioterapia concomitante ou escores de cálcio coronário mais altos em avaliações de base não estavam associados a um aumento do risco de CT. Pacientes que usavam betabloqueadores anteriormente não desenvolveram CT. Houve uma redução nos parâmetros de MW nos pacientes que desenvolveram CT no 2º mês após uso dos BCIs em comparação com exames de base: índice global (GWI; 1833 vs 2334 mmHg, p = 0,006), trabalho construtivo (GCW; 2299 vs 2683 mmHg, p = 0,040) e eficiência de trabalho (GWE; 83 vs 95%, p = 0,025) e tendência em direção ao MW desperdiçado (GWW; 286 vs 116 mmHg, p = 0,064), respectivamente. Conclusão: Usando ferramentas mais sensíveis, identificamos uma incidência inesperadamente alta de eventos clínicos e subclínicos não relacionados à miocardite. Esse fenômeno foi recentemente descrito como disfunção ventricular esquerda não inflamatória (NILVD). Valorizamos estudos adicionais para validar o uso da ferramenta MW para vigilância cardiológica para diagnóstico precoce e manejo da CT
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Métodos: Trata-se de um estudo observacional prospectivo, de centro único, que incluiu pacientes tratados com BCIs, independentemente da indicação, com ou sem combinação com quimioterapia. Os pacientes foram submetidos a ecocardiografia com strain longitudinal global (SLG) e MW, e coleta de biomarcadores antes e após 2 meses do início dos BCIs, e a cada 3 meses até a conclusão de um ano de tratamento ou descontinuação devido à toxicidade ou progressão da doença/morte. A CT foi definida como uma redução 10% na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) para um valor final abaixo de 50%, elevação de troponina 0,30 ng/ml ou redução no SLG relativo 15%. Resultados: Dos 63 pacientes, 39 (62%) passaram por pelo menos 2 avaliações. A incidência de CT foi de 26% (metade dos pacientes diagnosticados pelos critérios de FEVE). Esses pacientes eram majoritariamente homens (56%), fumantes (61%) e com câncer de pulmão (54%). Eles apresentaram FEVE mais baixa (67% vs 62%, p = 0,014) em exames de base pré BCIs. Quimioterapia concomitante ou escores de cálcio coronário mais altos em avaliações de base não estavam associados a um aumento do risco de CT. Pacientes que usavam betabloqueadores anteriormente não desenvolveram CT. Houve uma redução nos parâmetros de MW nos pacientes que desenvolveram CT no 2º mês após uso dos BCIs em comparação com exames de base: índice global (GWI; 1833 vs 2334 mmHg, p = 0,006), trabalho construtivo (GCW; 2299 vs 2683 mmHg, p = 0,040) e eficiência de trabalho (GWE; 83 vs 95%, p = 0,025) e tendência em direção ao MW desperdiçado (GWW; 286 vs 116 mmHg, p = 0,064), respectivamente. Conclusão: Usando ferramentas mais sensíveis, identificamos uma incidência inesperadamente alta de eventos clínicos e subclínicos não relacionados à miocardite. Esse fenômeno foi recentemente descrito como disfunção ventricular esquerda não inflamatória (NILVD). Valorizamos estudos adicionais para validar o uso da ferramenta MW para vigilância cardiológica para diagnóstico precoce e manejo da CTIntroduction: Immune checkpoint inhibitors (ICIs) have revolutionized cancer treatment. However, cardiotoxicity, also termed cancer therapy-related cardiac dysfunction (CTRCD), remains a concern due to insufficient data for enhancing management and prevention strategies. Methods: This single-center, prospective observational study included ICI-treated patients, regardless of indication, managed with or without chemotherapy. Patients underwent biomarker collection and echocardiography to measure global longitudinal strain (GLS) and myocardial work (MW) before ICI treatment, after 2 months, and every 3 months for one year or until treatment discontinuation. CTRCD was defined as a 10% reduction in the left ventricular ejection fraction (LVEF) to <50%, troponin elevation of 0.30 ng/ml, or 15% relative reduction in GLS. Results: Among 63 patients, 39 (62%) underwent at least two evaluations (56% male, 61% smokers, 54% lung-cancer patients). The overall CTRCD incidence was 26%, with half of those patients exhibiting a 10% reduction in LVEF. The CTRCD group had a lower baseline LVEF than the CTRCD group (67% vs. 62%, p = 0.014). Concurrent chemotherapy and higher baseline coronary calcium scores did not correlate with increased CTRCD risk. Notably, patients on beta-blockers did not develop CTRCD. The CTRCD group also showed a reduction in several MW parameters at the 2-month mark compared with baseline: the global index (GWI; 1833 vs. 2334 mmHg, p = 0.006), constructive work (GCW; 2299 vs. 2683 mmHg, p = 0.040), and work efficiency (GWE; 83 vs. 95%, p = 0.025), with a trend toward increased wasted MW (GWW; 286 vs. 116 mmHg, p = 0.064). Conclusion: Using more sensitive tools, we identified an unexpectedly high incidence of clinical and subclinical events, described as noninflammatory left ventricular dysfunction (NILVD). Further studies are warranted to validate the use of the MW tool to conduct cardiological surveillance for early CTRCD diagnosis and management in patients receiving ICIsBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFerreira, Silvia Moreira AyubMelo, Marcelo Dantas Tavares deMartins, Juliana Góes2024-11-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-09062025-113526/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-13T19:07:02Zoai:teses.usp.br:tde-09062025-113526Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-13T19:07:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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