Soja fermentada como aditivo alimentar para equinos
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10135/tde-12022026-150400/ |
Resumo: | A utilização de grãos na alimentação de equinos, embora comum como estratégia nutricional, pode levar ao consumo excessivo de amido. Esse desequilíbrio pode comprometer a estabilidade da função digestiva, promovendo alterações nas populações microbianas e no perfil fermentativo. Tais mudanças podem desencadear distúrbios gastrointestinais. Dessa forma, os aditivos alimentares têm surgido como uma estratégia para mitigar os efeitos adversos associados à elevada ingestão de amido. Com isso, o objetivo do estudo foi avaliar o efeito da inclusão de diferentes níveis de aditivo alimentar à base de soja fermentada sobre os parâmetros digestivos, metabólicos e inflamatórios de equinos submetidos à dieta com altos níveis de amido. Foram utilizados oito pôneis, machos, castrados, da raça Mini-Horse, com idade média de 13 ± 2 anos e peso corporal (PC) médio de 147,5 ± 27,5 kg. O delineamento experimental utilizado foi o quadrado latino duplo 4x4 contemporâneo balanceado, sendo a unidade experimental o animal dentro de cada período (n = 32). O experimento ocorreu em quatro períodos com 5 dias para coleta de amostras. Entre cada período foi realizado um intervalo de 15 dias (washout) com objetivo de minimizar os eventuais efeitos residuais dos tratamentos. A dieta foi composta por feno de gramínea Cynodon spp. Cv. Tifton 85 e concentrado peletizado. Foi adotado consumo diário individual de 1,75% do peso corpóreo em matéria seca, sendo 1,05% de concentrado e 0,7% de volumoso, caracterizando uma proporção concentrado/volumoso de 60:40. Água e sal mineral ad libitum. A ingestão de amido foi estabelecida em 4,75 g/kg de peso corporal por dia, equivalente a 27,12% da ingestão de matéria seca. Os animais foram divididos em quatro tratamentos/grupos: Grupo Controle: concentrado sem aditivo, Grupo D5: 5 gramas de aditivo/100kg de PC, Grupo D10: 10 gramas de aditivo/100kg de PC, Grupo D15: 15 gramas de aditivo/100kg de PC. Os dados foram avaliados por análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey, com nível de significância de 10%, utilizando o PROC MIXED do Statistical Analysis System (SAS, versão 9.4). Não foi observado efeito (P>0,10) de tratamento para os coeficientes de digestibilidade aparente total dos nutrientes, concentrações de ácido lático nas fezes, pH das fezes, escore de consistência e coloração fecal e espessura da parede intestinal. Para a concentração de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) nas fezes, observou-se efeito (P<0,10) para propionato e butirato. As médias de propionato foram de 7,94 mM e 5,93 mM nos grupos controle e D10, respectivamente. Para o butirato, os valores médios corresponderam a 2,89 mM no grupo controle e 1,93 mM no grupo D10. Nas análises sanguíneas dos parâmetros bioquímicos, verificou-se efeito (P<0,10) para albumina, cujas médias foram de 3,16 g/dL no grupo controle e 3,04 g/dL no grupo D10. Já para os parâmetros metabólicos, observou-se efeito (P<0,10) para colesterol e HDL, com valores de 94,29 mg/dL, 89,79 mg/dL e 90,02 mg/dL nos grupos controle, D5 e D15, para colesterol, respectivamente, e médias de 5,67 mg/dL e 5,69 mg/dL nos grupos controle e D15 para HDL. Em relação aos marcadores inflamatórios, também se observou efeito (P<0,10) para a interleucina IL-10, cujas médias corresponderam a 0,024, 0,004 e 0,003 (expressão gênica relativa) nos grupos controle, D5 e D15, respectivamente. Assim, conclui-se que a inclusão do aditivo à base de soja fermentada na dieta de equinos com alto teor de amido não alterou a digestibilidade aparente total dos nutrientes nem os parâmetros fecais, indicando manutenção da função digestiva. Houve, contudo, modulação do perfil fermentativo, com redução das concentrações de propionato e butirato. Observou-se ainda efeito metabólico sobre colesterol e HDL, além de alteração do marcador inflamatório IL-10, com menores níveis de expressão nos grupos suplementados. Esses resultados sugerem que o aditivo exerce efeitos sobre o metabolismo e a resposta inflamatória, sem prejuízo à função digestiva de equinos submetidos à dieta com altos níveis de amido. |
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Soja fermentada como aditivo alimentar para equinosFermented soybean as a feed additive for horsesAmidoDigestive functionFunção digestivaNattoNattoNattokinaseNattokinaseStarchVitamin K2Vitamina K2A utilização de grãos na alimentação de equinos, embora comum como estratégia nutricional, pode levar ao consumo excessivo de amido. Esse desequilíbrio pode comprometer a estabilidade da função digestiva, promovendo alterações nas populações microbianas e no perfil fermentativo. Tais mudanças podem desencadear distúrbios gastrointestinais. Dessa forma, os aditivos alimentares têm surgido como uma estratégia para mitigar os efeitos adversos associados à elevada ingestão de amido. Com isso, o objetivo do estudo foi avaliar o efeito da inclusão de diferentes níveis de aditivo alimentar à base de soja fermentada sobre os parâmetros digestivos, metabólicos e inflamatórios de equinos submetidos à dieta com altos níveis de amido. Foram utilizados oito pôneis, machos, castrados, da raça Mini-Horse, com idade média de 13 ± 2 anos e peso corporal (PC) médio de 147,5 ± 27,5 kg. O delineamento experimental utilizado foi o quadrado latino duplo 4x4 contemporâneo balanceado, sendo a unidade experimental o animal dentro de cada período (n = 32). O experimento ocorreu em quatro períodos com 5 dias para coleta de amostras. Entre cada período foi realizado um intervalo de 15 dias (washout) com objetivo de minimizar os eventuais efeitos residuais dos tratamentos. A dieta foi composta por feno de gramínea Cynodon spp. Cv. Tifton 85 e concentrado peletizado. Foi adotado consumo diário individual de 1,75% do peso corpóreo em matéria seca, sendo 1,05% de concentrado e 0,7% de volumoso, caracterizando uma proporção concentrado/volumoso de 60:40. Água e sal mineral ad libitum. A ingestão de amido foi estabelecida em 4,75 g/kg de peso corporal por dia, equivalente a 27,12% da ingestão de matéria seca. Os animais foram divididos em quatro tratamentos/grupos: Grupo Controle: concentrado sem aditivo, Grupo D5: 5 gramas de aditivo/100kg de PC, Grupo D10: 10 gramas de aditivo/100kg de PC, Grupo D15: 15 gramas de aditivo/100kg de PC. Os dados foram avaliados por análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey, com nível de significância de 10%, utilizando o PROC MIXED do Statistical Analysis System (SAS, versão 9.4). Não foi observado efeito (P>0,10) de tratamento para os coeficientes de digestibilidade aparente total dos nutrientes, concentrações de ácido lático nas fezes, pH das fezes, escore de consistência e coloração fecal e espessura da parede intestinal. Para a concentração de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) nas fezes, observou-se efeito (P<0,10) para propionato e butirato. As médias de propionato foram de 7,94 mM e 5,93 mM nos grupos controle e D10, respectivamente. Para o butirato, os valores médios corresponderam a 2,89 mM no grupo controle e 1,93 mM no grupo D10. Nas análises sanguíneas dos parâmetros bioquímicos, verificou-se efeito (P<0,10) para albumina, cujas médias foram de 3,16 g/dL no grupo controle e 3,04 g/dL no grupo D10. Já para os parâmetros metabólicos, observou-se efeito (P<0,10) para colesterol e HDL, com valores de 94,29 mg/dL, 89,79 mg/dL e 90,02 mg/dL nos grupos controle, D5 e D15, para colesterol, respectivamente, e médias de 5,67 mg/dL e 5,69 mg/dL nos grupos controle e D15 para HDL. Em relação aos marcadores inflamatórios, também se observou efeito (P<0,10) para a interleucina IL-10, cujas médias corresponderam a 0,024, 0,004 e 0,003 (expressão gênica relativa) nos grupos controle, D5 e D15, respectivamente. Assim, conclui-se que a inclusão do aditivo à base de soja fermentada na dieta de equinos com alto teor de amido não alterou a digestibilidade aparente total dos nutrientes nem os parâmetros fecais, indicando manutenção da função digestiva. Houve, contudo, modulação do perfil fermentativo, com redução das concentrações de propionato e butirato. Observou-se ainda efeito metabólico sobre colesterol e HDL, além de alteração do marcador inflamatório IL-10, com menores níveis de expressão nos grupos suplementados. Esses resultados sugerem que o aditivo exerce efeitos sobre o metabolismo e a resposta inflamatória, sem prejuízo à função digestiva de equinos submetidos à dieta com altos níveis de amido.The use of grains in equine feeding, although common as a nutritional strategy, can lead to excessive starch intake. This imbalance may compromise the stability of digestive function, promoting changes in microbial populations and fermentative profiles. Such alterations can trigger gastrointestinal disorders. Therefore, feed additives have emerged as a strategy to mitigate the adverse effects associated with high starch intake. Thus, the aim of this study was to evaluate the effect of including different levels of a fermented soybean-based additive on digestive, metabolic, and inflammatory parameters in horses fed a high-starch diet. Eight Mini- Horse ponies, male and castrated, with an average age of 13 ± 2 years and an average body weight (BW) of 147.5 ± 27.5 kg, were used. The experimental design was a balanced double 4×4 Latin square, with the experimental unit being the animal within each period (n = 32). The experiment was conducted in four periods with 5 days for sample collection. Between each period, a 15-day washout interval was implemented to minimize potential residual effects of the treatments. The diet consisted of Cynodon spp. cv. Tifton 85 grass hay and pelleted concentrate. Daily individual dry matter intake was set at 1.75% of body weight, with 1.05% concentrate and 0.7% forage, resulting in a 60:40 concentrate-to-forage ratio. Water and mineral salt were provided ad libitum. Starch intake was established at 4.75 g/kg body weight per day, equivalent to 27.12% of total dry matter intake. The animals were divided into four treatments/groups: Control Group: concentrate without additive, Group D5: 5 g of additive/100 kg BW, Group D10: 10 g of additive/100 kg BW, and Group D15: 15 g of additive/100 kg BW. Data were analyzed by analysis of variance, and means were compared using Tukeys test at a 10% significance level, employing the PROC MIXED procedure of the Statistical Analysis System (SAS, version 9.4). No effect (P>0.10) of treatment was observed for apparent total tract digestibility coefficients of nutrients, fecal lactic acid concentrations, fecal pH, fecal consistency score and color, or intestinal wall thickness. For fecal short-chain fatty acid (SCFA) concentrations, an effect (P<0.10) was observed for propionate and butyrate. Mean propionate concentrations were 7.94 mM and 5.93 mM in the control and D10 groups, respectively. For butyrate, the mean values were 2.89 mM in the control group and 1.93 mM in the D10 group. In the biochemical blood analyses, an effect (P<0.10) was verified for albumin, with mean values of 3.16 g/dL in the control group and 3.04 g/dL in the D10 group. Regarding metabolic parameters, an effect (P<0.10) was observed for cholesterol and HDL, with mean values of 94.29 mg/dL, 89.79 mg/dL, and 90.02 mg/dL in the control, D5, and D15 groups, respectively, for cholesterol, and means of 5.67 mg/dL and 5.69 mg/dL in the control and D15 groups for HDL. Concerning inflammatory markers, an effect (P<0.10) was also observed for interleukin IL-10, with mean relative expression levels of 0.024, 0.004, and 0.003 in the control, D5, and D15 groups, respectively. Thus, it is concluded that the inclusion of the fermented soybean- based additive in the diet of horses fed high-starch diets did not alter the apparent total tract digestibility of nutrients or fecal parameters, indicating maintenance of digestive function. However, modulation of the fermentative profile was observed, with reductions in propionate and butyrate concentrations. Metabolic effects on cholesterol and HDL, as well as changes in the inflammatory marker IL-10 with lower expression levels in the supplemented groups, were also observed. These results suggest that the additive exerts effects on metabolism and inflammatory response without impairing the digestive function of horses fed high-starch diets.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGobesso, Alexandre Augusto de OliveiraPadovan, Julian Rospendovski2025-12-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10135/tde-12022026-150400/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-11T19:17:05Zoai:teses.usp.br:tde-12022026-150400Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-11T19:17:05Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A utilização de grãos na alimentação de equinos, embora comum como estratégia nutricional, pode levar ao consumo excessivo de amido. Esse desequilíbrio pode comprometer a estabilidade da função digestiva, promovendo alterações nas populações microbianas e no perfil fermentativo. Tais mudanças podem desencadear distúrbios gastrointestinais. Dessa forma, os aditivos alimentares têm surgido como uma estratégia para mitigar os efeitos adversos associados à elevada ingestão de amido. Com isso, o objetivo do estudo foi avaliar o efeito da inclusão de diferentes níveis de aditivo alimentar à base de soja fermentada sobre os parâmetros digestivos, metabólicos e inflamatórios de equinos submetidos à dieta com altos níveis de amido. Foram utilizados oito pôneis, machos, castrados, da raça Mini-Horse, com idade média de 13 ± 2 anos e peso corporal (PC) médio de 147,5 ± 27,5 kg. O delineamento experimental utilizado foi o quadrado latino duplo 4x4 contemporâneo balanceado, sendo a unidade experimental o animal dentro de cada período (n = 32). O experimento ocorreu em quatro períodos com 5 dias para coleta de amostras. Entre cada período foi realizado um intervalo de 15 dias (washout) com objetivo de minimizar os eventuais efeitos residuais dos tratamentos. A dieta foi composta por feno de gramínea Cynodon spp. Cv. Tifton 85 e concentrado peletizado. Foi adotado consumo diário individual de 1,75% do peso corpóreo em matéria seca, sendo 1,05% de concentrado e 0,7% de volumoso, caracterizando uma proporção concentrado/volumoso de 60:40. Água e sal mineral ad libitum. A ingestão de amido foi estabelecida em 4,75 g/kg de peso corporal por dia, equivalente a 27,12% da ingestão de matéria seca. Os animais foram divididos em quatro tratamentos/grupos: Grupo Controle: concentrado sem aditivo, Grupo D5: 5 gramas de aditivo/100kg de PC, Grupo D10: 10 gramas de aditivo/100kg de PC, Grupo D15: 15 gramas de aditivo/100kg de PC. Os dados foram avaliados por análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey, com nível de significância de 10%, utilizando o PROC MIXED do Statistical Analysis System (SAS, versão 9.4). Não foi observado efeito (P>0,10) de tratamento para os coeficientes de digestibilidade aparente total dos nutrientes, concentrações de ácido lático nas fezes, pH das fezes, escore de consistência e coloração fecal e espessura da parede intestinal. Para a concentração de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) nas fezes, observou-se efeito (P<0,10) para propionato e butirato. As médias de propionato foram de 7,94 mM e 5,93 mM nos grupos controle e D10, respectivamente. Para o butirato, os valores médios corresponderam a 2,89 mM no grupo controle e 1,93 mM no grupo D10. Nas análises sanguíneas dos parâmetros bioquímicos, verificou-se efeito (P<0,10) para albumina, cujas médias foram de 3,16 g/dL no grupo controle e 3,04 g/dL no grupo D10. Já para os parâmetros metabólicos, observou-se efeito (P<0,10) para colesterol e HDL, com valores de 94,29 mg/dL, 89,79 mg/dL e 90,02 mg/dL nos grupos controle, D5 e D15, para colesterol, respectivamente, e médias de 5,67 mg/dL e 5,69 mg/dL nos grupos controle e D15 para HDL. Em relação aos marcadores inflamatórios, também se observou efeito (P<0,10) para a interleucina IL-10, cujas médias corresponderam a 0,024, 0,004 e 0,003 (expressão gênica relativa) nos grupos controle, D5 e D15, respectivamente. Assim, conclui-se que a inclusão do aditivo à base de soja fermentada na dieta de equinos com alto teor de amido não alterou a digestibilidade aparente total dos nutrientes nem os parâmetros fecais, indicando manutenção da função digestiva. Houve, contudo, modulação do perfil fermentativo, com redução das concentrações de propionato e butirato. Observou-se ainda efeito metabólico sobre colesterol e HDL, além de alteração do marcador inflamatório IL-10, com menores níveis de expressão nos grupos suplementados. Esses resultados sugerem que o aditivo exerce efeitos sobre o metabolismo e a resposta inflamatória, sem prejuízo à função digestiva de equinos submetidos à dieta com altos níveis de amido. |
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