Pré-Escola obrigatória no Brasil: entre a universalização do acesso e a invisibilidade da infância

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Klein, Sylvie Bonifacio
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48139/tde-19052025-094112/
Resumo: A pesquisa teve como objetivo geral identificar os efeitos da política de obrigatoriedade de matrícula na pré-escola em âmbito nacional, considerando a mudança ocorrida a partir da Emenda Constitucional (EC) nº. 59/2009 e regulamentada pela Lei Federal nº. 12.796/2013. Trata-se de pesquisa qualitativa, com métodos mistos (Stake, 2011) envolvendo: pesquisa bibliográfica e documental; revisão sistemática das teses e dissertações que investigaram ou consideraram como central a política da obrigatoriedade da pré-escola em regiões ou municípios brasileiros; levantamento e análise de dados nacionais sobre a cobertura do atendimento no país a partir do Censo Escolar e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio no período de 2001 a 2022; e entrevistas com militantes do Comitê Diretivo do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil. Compreende-se que a política da obrigatoriedade da pré-escola dialogou com alteração da organização da educação básica realizada três anos antes, qual seja, a extensão do ensino fundamental obrigatório para nove anos de duração, com início aos seis anos de idade, que também redefiniu a etapa da educação infantil para zero a cinco anos. Concluiu-se que a política de obrigatoriedade da pré-escola inclui-se em políticas que invisibilizam a infância, em especial pelas estratégias de expansão do acesso utilizadas e pela aproximação da identidade da pré-escola com os anos iniciais do ensino fundamental, em uma perspectiva preparatória para alfabetização. As tensões apresentadas desde a aprovação da EC 59/2009 são semelhantes às historicamente reconhecidas no campo da educação infantil, como a segmentação do atendimento (seja por classe social, por idade ou por compreensão de sua função social), relações entre público/privado e preparo para o ensino fundamental. Os dados apontam movimentos de avanços e retrocessos, que identificam a importância de pesquisadoras, militantes e educadoras em geral manterem-se ativamente na defesa da unidade da educação infantil de qualidade que respeite os direitos das crianças. Entende-se que a defesa da educação infantil que garanta direitos insere-se em um contexto mais amplo, relacionando-se com concepções de sociedade, de Estado e de Educação. Como referencial teórico considerou-se autoras do campo da educação infantil (Rosemberg; Campos, M; Campos, R.; Correa, Faria, Monção, Godoy), autores do campo da sociologia da infância (Qvortrup, Moss, Sarmento, Castro, Kosminsky; Nascimento) e autores das ciências políticas e políticas educacionais (Gramsci, Fernandes, Souza, Arelaro, Cury, Cara).
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Trata-se de pesquisa qualitativa, com métodos mistos (Stake, 2011) envolvendo: pesquisa bibliográfica e documental; revisão sistemática das teses e dissertações que investigaram ou consideraram como central a política da obrigatoriedade da pré-escola em regiões ou municípios brasileiros; levantamento e análise de dados nacionais sobre a cobertura do atendimento no país a partir do Censo Escolar e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio no período de 2001 a 2022; e entrevistas com militantes do Comitê Diretivo do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil. Compreende-se que a política da obrigatoriedade da pré-escola dialogou com alteração da organização da educação básica realizada três anos antes, qual seja, a extensão do ensino fundamental obrigatório para nove anos de duração, com início aos seis anos de idade, que também redefiniu a etapa da educação infantil para zero a cinco anos. Concluiu-se que a política de obrigatoriedade da pré-escola inclui-se em políticas que invisibilizam a infância, em especial pelas estratégias de expansão do acesso utilizadas e pela aproximação da identidade da pré-escola com os anos iniciais do ensino fundamental, em uma perspectiva preparatória para alfabetização. As tensões apresentadas desde a aprovação da EC 59/2009 são semelhantes às historicamente reconhecidas no campo da educação infantil, como a segmentação do atendimento (seja por classe social, por idade ou por compreensão de sua função social), relações entre público/privado e preparo para o ensino fundamental. Os dados apontam movimentos de avanços e retrocessos, que identificam a importância de pesquisadoras, militantes e educadoras em geral manterem-se ativamente na defesa da unidade da educação infantil de qualidade que respeite os direitos das crianças. Entende-se que a defesa da educação infantil que garanta direitos insere-se em um contexto mais amplo, relacionando-se com concepções de sociedade, de Estado e de Educação. Como referencial teórico considerou-se autoras do campo da educação infantil (Rosemberg; Campos, M; Campos, R.; Correa, Faria, Monção, Godoy), autores do campo da sociologia da infância (Qvortrup, Moss, Sarmento, Castro, Kosminsky; Nascimento) e autores das ciências políticas e políticas educacionais (Gramsci, Fernandes, Souza, Arelaro, Cury, Cara).The research aimed to identify the effects of the mandatory preschool enrollment policy at the national level, considering the changes introduced by Constitutional Amendment no. 59/2009 and regulated by Federal Law no. 12.796/2013. This is a qualitative study employing mixed methods (Stake, 2011), including: bibliographic and documentary research, a systematic review of theses and dissertations that investigated or focused on the mandatory preschool policy in Brazilian regions or municipalities, analysis of national data on enrollment coverage from the School Census and the National Household Sample Survey for the period 2001 to 2022, and interviews with members of the Steering Committee of the Brazilian Inter-Forums Movement on Early Childhood Education. The study understands that the mandatory preschool policy aligned with the reorganization of basic education carried out three years earlier, which extended mandatory elementary education to nine years, beginning at six years of age, and redefined early childhood education to encompass children from zero to five years old. The findings indicate that the mandatory preschool policy is part of broader policies that render childhood invisible, particularly through the strategies used to expand access and the alignment of preschool with the early years of elementary education, emphasizing a preparatory approach for literacy. The tensions identified since the approval of CA 59/2009 reflect historical issues in the field of early childhood education, such as the segmentation of services (by social class, age, or perceived social function), the relationship between public and private sectors, and the preparation for elementary education. The data reveal progress and setbacks, underscoring the importance of researchers, activists, and educators remaining actively engaged in defending high-quality early childhood education that respects children\'s rights. The defense of early childhood education that guarantees rights is understood within a broader context, connected to conceptions of society, the state, and education. The theoretical framework includes scholars from the field of early childhood education (Rosemberg; Campos, M.; Campos, R.; Correa; Faria; Monção; Godoy), sociology of childhood (Qvortrup; Moss; Sarmento; Castro; Kosminsky; Nascimento), and political science and educational policy (Gramsci; Fernandes; Souza; Arelaro; Cury; Cara).Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCamargo, Rubens Barbosa deKlein, Sylvie Bonifacio2025-04-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48139/tde-19052025-094112/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-04T15:29:01Zoai:teses.usp.br:tde-19052025-094112Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-04T15:29:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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