Pernambuco e a aliança para o progresso: ajuda econômica regional no Brasil de João Goulart

A Revolução Cubana de janeiro de 1959 promoveu profundas mudanças na política externa dos Estados Unidos para a América Latina. A fim de combater o comunismo, promover a democracia e o desenvolvimento econômico regional, os Estados Unidos lançaram a Aliança para o Progresso, um programa de ajuda eco...

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2019
Main Author: Leonardo Laguna Betfuer
Orientador/a: Felipe Pereira Loureiro
Banca: Renato Perim Colistete, Christine Paulette Yves Rufino Dabat, Alexandre Luís Moreli Rocha
Format: Dissertação
Language:por
Published: Universidade de São Paulo
Programa: História Econômica
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Online Access:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-07112019-171552/
Resumo Português:A Revolução Cubana de janeiro de 1959 promoveu profundas mudanças na política externa dos Estados Unidos para a América Latina. A fim de combater o comunismo, promover a democracia e o desenvolvimento econômico regional, os Estados Unidos lançaram a Aliança para o Progresso, um programa de ajuda econômica que pretendia investir até US$ 20 bilhões no continente em uma década. No entanto, ao contrário da proposta original, estudiosos argumentam que a Aliança teria sido utilizada para interferir na política doméstica latino-americana em favor dos interesses estratégicos de Washington. No caso do Brasil, os recursos da Aliança para o Progresso foram utilizados, entre outras coisas, para apoiar políticos que se opunham ao Presidente João Goulart, na tentativa de desestabilizar seu governo. A região Nordeste do Brasil e o estado de Pernambuco, em particular, foram motivo de atenção especial por parte do governo norte-americano devido às forças políticas que disputavam o poder na região, ao grau de subdesenvolvimento socioeconômico regional, e ao nível de agitação social considerados alarmantes. A presente dissertação de mestrado argumenta que o jornal Diário de Pernambuco utilizou a Aliança para o Progresso para favorecer políticos conservadores do status quo, no caso Cid Sampaio e João Cleofas, ambos da UDN. O jornal também usou a Aliança ativamente para prejudicar candidatos nacionalistas, no caso Miguel Arraes (PST). Argumenta-se também que o jornal usou o programa de ajuda econômica para criticar o Presidente João Goulart, contribuindo para a campanha de desestabilização política que resultou no golpe civil-militar de 1964.
Resumo inglês:The Cuban Revolution of January 1959 brought about profound changes in the United States foreign policy towards Latin America. In order to combat communism, promote democracy and regional economic development, the United States launched the Alliance for Progress, an economic aid program that sought to invest up to $ 20 billion on the continent in a decade. However, contrary to the original proposal, scholars argue that the Alliance would have been used to interfere in Latin American domestic politics in favor of Washington\'s strategic interests. In the case of Brazil, the resources of the Alliance for Progress were used, among other things, to support politicians who opposed President João Goulart in an attempt to destabilize his government. The Northeastern region of Brazil and the State of Pernambuco, in particular, received special attention from the US government due to the political forces that disputed power in the region, the degree of regional socioeconomic underdevelopment, and the level of social unrest, considered alarming. This dissertation argues that the newspaper \"Diário de Pernambuco\" used the Alliance for Progress to favor conservative politicians of the status quo, in the case Cid Sampaio and João Cleofas, both politicians of UDN. The newspaper also actively used the program to harm nationalist candidates, in the case Miguel Arraes (PST). It is also argued that the newspaper used the Alliance to criticize President João Goulart, contributing to the political destabilization campaign that resulted in the 1964 civil-military coup.