Notas de um kinoc: os cadernos de trabalho e diários pessoais de Dziga Viértov
| Ano de defesa: | 2026 |
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| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Escola de Comunicações e Artes |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-23042026-124230/ |
Resumo: | Esta tese é uma investigação do processo criativo e das práticas diarísticas do cineasta soviético Dziga Viértov (1896-1954), tendo como objeto central os manuscritos conservados na seção \"Cadernos e cadernetas\" de seu fundo pessoal (f. 2091) no Arquivo Estatal Russo de Literatura e Arte (RGALI). A seção reúne 1975 folhas distribuídas em 27 unidades de preservação contendo cadernos, blocos de notas, agendas e folhas soltas produzidas entre 1925 e 1953 um conjunto em grande parte ainda inédito, apesar de edições parciais de alguns materiais. O estudo parte da constatação de que, se Viértov expôs didaticamente em seus artigos as principais etapas de seu método de realização, foi relativamente raro o compartilhamento de exemplos documentais concretos dos materiais produzidos em seu trabalho criativo cotidiano. Entretanto, a análise de seus cadernos revela a importância central da escrita nesse processo, a despeito de declarações suas em sentido contrário. Partindo de uma passagem de \"Nós. Variação do manifesto\" (1922) em que afirma buscar os \"necessários sinais gráficos de movimento\" que o permitiriam anotar \"de maneira precisa\" um \"cinepoema ou fragmento\", este trabalho investiga em que medida o cineasta teria desenvolvido uma forma particular de \"notação cinematográfica\". São examinados rascunhos e diários ligados à produção de A sexta parte do mundo (1926), O décimo primeiro ano (1928), O homem com a câmera (1929), Entusiasmo (Sinfonia de Donbas) (1930), Três cantos sobre Lênin (1934) e Canção de ninar (1937). A tese propõe que, embora não tenha criado uma forma sintética de \"notação\", Viértov recorria regularmente a um conjunto de procedimentos que aqui serão descritos: a criação de \"cine-estudos\"; a redação de diários durante e após as filmagens; a elaboração de rascunhos para intertítulos e de personagens e molduras narrativas \"operacionais\"; o recurso à listagem como princípio estético; e a produção de variados tipos de diagramas. A prática diarística é tratada como componente essencial desse processo. Assim, a tese examina como, nos anos 1920, Viértov e o grupo Cine-Olho construíram, entre artigos, filmes e projetos não realizados, uma forma de diário profissional coletivo que encontrou sua expressão mais plena em O homem com a câmera. Já nos anos 1930, os cadernos de Viértov se tornam ainda mais regulares, combinando \"diários de produção\", reflexões sobre seu método de trabalho, questões íntimas, notas de leitura e poemas autobiográficos. As funções dessa escrita, privada apenas em princípio, são examinadas à luz de estudos sobre práticas diarísticas de cidadãos soviéticos. Propõe-se que Viértov encarava o diário não apenas como registro histórico, mas também como material bruto a ser mobilizado para atribuir responsabilidades pelo que percebia ser um boicote sistemático a seu trabalho. O Volume II reúne transcrições em russo e traduções para o português da íntegra de quatro unidades de preservação (2091-2-236; 2091-2-237; 2091-2-238; 2091-2-246), além de excertos de outras duas (2091-2-235; 2091-2-261). Apresenta-se também um Apêndice com tabelas descritivas, página a página, do conteúdo das 27 unidades da seção \"Cadernos e cadernetas\", com referências às suas eventuais publicações e apontando divergências entre suas edições os manuscritos e suas edições em livro. |
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Notas de um kinoc: os cadernos de trabalho e diários pessoais de Dziga ViértovNotes of a kinok: the notebooks and diaries of Dziga Vertov.Cinema soviéticoDiáriosDziga ViértovProcessos de criaçãoCreative processesDiariesDziga VertovSoviet CinemaEsta tese é uma investigação do processo criativo e das práticas diarísticas do cineasta soviético Dziga Viértov (1896-1954), tendo como objeto central os manuscritos conservados na seção \"Cadernos e cadernetas\" de seu fundo pessoal (f. 2091) no Arquivo Estatal Russo de Literatura e Arte (RGALI). A seção reúne 1975 folhas distribuídas em 27 unidades de preservação contendo cadernos, blocos de notas, agendas e folhas soltas produzidas entre 1925 e 1953 um conjunto em grande parte ainda inédito, apesar de edições parciais de alguns materiais. O estudo parte da constatação de que, se Viértov expôs didaticamente em seus artigos as principais etapas de seu método de realização, foi relativamente raro o compartilhamento de exemplos documentais concretos dos materiais produzidos em seu trabalho criativo cotidiano. Entretanto, a análise de seus cadernos revela a importância central da escrita nesse processo, a despeito de declarações suas em sentido contrário. Partindo de uma passagem de \"Nós. Variação do manifesto\" (1922) em que afirma buscar os \"necessários sinais gráficos de movimento\" que o permitiriam anotar \"de maneira precisa\" um \"cinepoema ou fragmento\", este trabalho investiga em que medida o cineasta teria desenvolvido uma forma particular de \"notação cinematográfica\". São examinados rascunhos e diários ligados à produção de A sexta parte do mundo (1926), O décimo primeiro ano (1928), O homem com a câmera (1929), Entusiasmo (Sinfonia de Donbas) (1930), Três cantos sobre Lênin (1934) e Canção de ninar (1937). A tese propõe que, embora não tenha criado uma forma sintética de \"notação\", Viértov recorria regularmente a um conjunto de procedimentos que aqui serão descritos: a criação de \"cine-estudos\"; a redação de diários durante e após as filmagens; a elaboração de rascunhos para intertítulos e de personagens e molduras narrativas \"operacionais\"; o recurso à listagem como princípio estético; e a produção de variados tipos de diagramas. A prática diarística é tratada como componente essencial desse processo. Assim, a tese examina como, nos anos 1920, Viértov e o grupo Cine-Olho construíram, entre artigos, filmes e projetos não realizados, uma forma de diário profissional coletivo que encontrou sua expressão mais plena em O homem com a câmera. Já nos anos 1930, os cadernos de Viértov se tornam ainda mais regulares, combinando \"diários de produção\", reflexões sobre seu método de trabalho, questões íntimas, notas de leitura e poemas autobiográficos. As funções dessa escrita, privada apenas em princípio, são examinadas à luz de estudos sobre práticas diarísticas de cidadãos soviéticos. Propõe-se que Viértov encarava o diário não apenas como registro histórico, mas também como material bruto a ser mobilizado para atribuir responsabilidades pelo que percebia ser um boicote sistemático a seu trabalho. O Volume II reúne transcrições em russo e traduções para o português da íntegra de quatro unidades de preservação (2091-2-236; 2091-2-237; 2091-2-238; 2091-2-246), além de excertos de outras duas (2091-2-235; 2091-2-261). Apresenta-se também um Apêndice com tabelas descritivas, página a página, do conteúdo das 27 unidades da seção \"Cadernos e cadernetas\", com referências às suas eventuais publicações e apontando divergências entre suas edições os manuscritos e suas edições em livro.This thesis investigates the creative process and diaristic practices of the Soviet filmmaker Dziga Vertov (18961954), focusing on the manuscripts preserved in the section \"Notebooks and Pocketbooks\" of his personal archive (f. 2091) at the Russian State Archive of Literature and Art (RGALI). This section comprises 1,975 pages across 27 archival units, including notebooks, notepads, diaries, and loose sheets produced between 1925 and 1953a largely unpublished corpus despite partial editions of some materials. The study begins from the observation that, although Vertov didactically exposed the stages of his filmmaking method in his theoretical writings, he rarely provided concrete examples of the materials produced in his daily creative practice. A close examination of his notebooks, however, reveals the central role of writing in this process, despite his own statements to the contrary. Drawing on a passage from We. Variant of a manifest (1922) in which Vertov speaks of seeking the \"necessary graphic signs of movement that would allow him to record \"precisely\" a \"cinepoem or fragment\" this thesis explores the extent to which he developed a distinctive form of \"cinematic notation. The analysis focuses on drafts and diaries related to the production of A Sixth Part of the World (1926), The Eleventh Year (1928), Man with a Movie Camera (1929), Enthusiasm: Symphony of the Donbas (1930), Three Songs of Lenin (1934), and Lullaby (1937). The central argument is that, while Vertov never created a fully codified system of notation, he regularly employed a set of recurring procedures that may be described as his personal methods of inscription: the creation of \"cine-studies\"; the keeping of diaries during and after filming; the drafting of intertitles; the development of \"operational\" characters and narrative frameworks; the use of listing as an aesthetic principle; and the construction of various kinds of diagrams. Diaristic practice is approached here as a fundamental component of Vertov´s creative method. The study shows how, in the 1920s, Vertov and the Kino-Eye group constructed through articles, films, and unrealized projects a form of collective professional diary that reached its fullest expression in Man with a Movie Camera. In the 1930s, Vertov´s diaries became even more systematic, combining production diaries, reflections on his working method, intimate notes, reading excerpts, and autobiographical poems. The functions of this writing, private only at first glance, are examined in light of studies on Soviet diaristic practices. The dissertation suggests that Vertov conceived of his diaries not merely as historical records but also as raw material for assigning responsibility for what he perceived as a systematic obstruction of his work. Volume II presents Russian transcriptions and Portuguese translations of four complete archival units (2091-2-236, 2091-2-237, 2091-2-238, and 2091-2-246), along with excerpts from two others (2091-2-235 and 2091-2-261). An appendix provides detailed, page-by-page descriptions of the contents of all 27 archival units in the \"Notebooks and Pocketbooks\" section, including references to published versions and notes on discrepancies between the manuscripts and their printed editions.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloEscola de Comunicações e ArtesMorettin, Eduardo VictorioLabaki, Luis Felipe Gurgel Ribeiro2026-02-052026-04-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-23042026-124230/doi:10.11606/T.27.2026.tde-23042026-124230Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-24T13:10:02Zoai:teses.usp.br:tde-23042026-124230Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-24T13:10:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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