Peter Sloterdijk: virada imunológica e analítica do lugar

No Brasil, ainda são poucos os estudos sobre o pensamento do filósofo alemão Peter Sloterdijk, que é, certamente, o maior herdeiro da linhagem filosófica de Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger. Um herdeiro heterodoxo, que, mantendo o pensar no mesmo patamar de seus mestres, os corrige e desafia....

Nível de Acesso:openAccess
Publication Date:2017
Main Author: Juliano Garcia Pessanha
Orientador/a: Ricardo Nascimento Fabbrini
Banca: Celso Fernando Favaretto, Oswaldo Giacoia Junior, Suze de Oliveira Piza, Franklin Leopoldo e Silva
Format: Tese
Language:por
Published: Universidade de São Paulo
Programa: Filosofia
Assuntos em Português:
Assuntos em Inglês:
Online Access:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-09062017-121329/
Resumo Português:No Brasil, ainda são poucos os estudos sobre o pensamento do filósofo alemão Peter Sloterdijk, que é, certamente, o maior herdeiro da linhagem filosófica de Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger. Um herdeiro heterodoxo, que, mantendo o pensar no mesmo patamar de seus mestres, os corrige e desafia. Esta tese, que privilegia a discussão de Sloterdijk com Heidegger, apresenta resumidamente o Projeto Esferas, composto por três volumes (Esferas I, II e II), e sugere que esta obra representa uma virada paradigmática com consequências muito férteis e desafiadoras para a filosofia contemporânea. O fio condutor da leitura empreendida é a ideia dos receptáculos conformadores de mundo e a apresentação sucessiva das principais morfologias (Bolha, Globo, Espuma), que correspondem a cada um dos volumes dessa trilogia, e respondem à pergunta: onde estamos quando estamos no mundo?. Se a microesferologia equivale a uma analítica do lugar íntimo (Bolha), problematizadora do ponto de partida da psicanálise tradicional, a macroesferologia (Globo) procura desvendar a forma do mundo na era metafísica. Já a dissolução da superimunidade ideal e a correlata crise da forma política imperial abrem o campo da modernidade como uma era na qual o onde é esclarecido pela forma da espuma. A analítica da espuma, enquanto ontologia de nós mesmos (pois somos onde estamos!), oferece um diagnóstico relevante do nosso lugar atual: o palácio de cristal e suas imunidades técnicas, a residência na superinstalação do interior capitalista.
Resumo inglês:The works of German philosopher Peter Sloterdjik are attracting growing worldwide interest. To date, Brazil has produced very few critical essays on this thinker who is unquestionably the major heir of the philosophical tradition inaugurated by Friedrich Nietzsche and Martin Heidegger a heterodox heir who, while keeping thought on the same basis as his masters, dares to correct and challenge them. This thesis, which gives priority to the discussion between Sloterdijk and Heidegger, provides a brief introduction to three-volume Sphären (Spheres I-III) and suggests that it represents a paradigm shift with highly challenging and fertile consequences for contemporary philosophy. The common thread running through his investigations is the notion of world-forming receptacles and the successive presentation of the major morphologies (Bubble, Globe, Foam) comprising each of the volumes of this trilogy in response to the question: Where are we when we are in the world? If microsphereology is equivalent to an analytics of intimate space (Bubble) which casts doubt on the cornerstone of traditional psychoanalysis, macrosphereology (Globes) unveils the morphology of the world in the metaphysical era. In turn, the dissolution of the ideal super-immunology and the associated crisis in the imperial model of politics pave the way for modernity, an era in which the answer to where is clarified by the foam. The analytics of the foam as an ontology of our own selves (since what we are starts from where we are!) offers a relevant diagnosis of our current location: the palace of crystal and its technical immunities, the dwelling in the super-installation of the capitalist interior.