Caracterização clínica da mialgia, fadiga e cãibra nos pacientes com intolerância ao exercício e deleções múltiplas do DNA mitocondrial

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Silva, Lucas Ravagnani
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17161/tde-21022020-134205/
Resumo: INTRODUÇÃO: Intolerância ao exercício é a incapacidade de desempenhar atividade física normal, com o surgimento de mialgia e/ou fadiga precoce, mesmo em resposta a exercícios relativamente leves. É um sintoma que leva à incapacidade física e comprometimento das atividades laborais e sociais. Indivíduos com intolerância ao exercício têm sido frequentemente identificados em nosso serviço de doenças neuromusculares e, em investigação complementar, evidenciou-se um grupo de pacientes com deleções múltiplas do DNA mitocondrial (mtDNA), permitindo a abertura de novos caminhos para um entendimento mais amplo da relação entre tal sintoma e a função mitocondrial. OBJETIVOS: Caracterizar os sintomas mialgia, fadiga e cãibra em pacientes com intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA através de um questionário desenvolvido em nosso serviço e aperfeiçoado para esse fim; comparar os achados nos subgrupos de pacientes, classificados de acordo com as características das deleções múltiplas e com o grupo controle saudável; avaliar a reprodutibilidade das respostas ao referido questionário. MÉTODO: Foram incluídos 29 pacientes com intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA, em seguimento no Ambulatório de Doenças Neuromusculares (ANEM) do HC-FMRP-USP, os quais foram subdivididos em quatro grupos de acordo com o padrão de bandas múltiplas do mtDNA, classificadas por avaliação visual: 9 indivíduos com bandas múltiplas contínuas bem marcadas (1a), 11 com bandas múltiplas contínuas sutis (1b), 6 com bandas múltiplas esparsas bem marcadas (2a) e 3 com bandas múltiplas esparsas sutis (2b). O grupo controle foi constituído por 29 indivíduos saudáveis, pareados com os pacientes por idade e gênero. Além dos dados clinico-laboratoriais, foram aplicados o Questionário para caracterização de mialgia, fadiga e cãibra (QMFC) e as escalas de mensuração da dor - Pequeno Questionário sobre Dor (BPI) - e da fadiga - Escala de Gravidade de Fadiga (FSS). Análise estatística consistiu da avaliação da reprodutibilidade intra-avaliador dos instrumentos através do coeficiente de correlação intraclasse (CCI); da comparação entre os grupos, através dos testes não paramétricos de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis para as variáveis quantitativas discretas contínuas e qualitativas ordinais e do teste qui-quadrado para variáveis qualitativas nominais. RESULTADOS: A reprodutibilidade intraobservador do questionário QMFC e das escalas BPI e FSS foi muito boa, apresentando CCI > 0,9 para a maioria das respostas; as respostas descritivas apresentaram concordância de no mínimo 83%. Observou-se predomínio de mulheres (79%) entre os pacientes, além do acometimento de indivíduos em idade produtiva, com idade de início da doença entre 18 e 62 anos. Há alta frequência dos sintomas de mialgia (n=26, 90%), fadiga (n=27 e 93%) e cãibras (n=20, 69%) nesses pacientes, principalmente a mialgia como o sintoma inicial (n=20, 69%) e de maior importância (n=15, 58%) para a maioria. Observa-se evolução para dor muscular multifocal ou difusa na maioria dos pacientes (n=17, 65%). Além do esforço físico, outros fatores desencadeiam fadiga e mialgia,como estresse emocional (n=8, 31% e n=10, 37%, respectivamente) e jejum (n=6, 23% e n=8, 30%, respectivamente). No contexto da intolerância ao exercício, a mialgia e as cãibras tendem a ser mais incidentes com a atividade física mais prolongada, enquanto que a fadiga, com a atividade física mais precoce. O repouso demonstrou-se de fundamental importância para alívio dos sintomas (n=26, 90%). O escore da escala do BPI apresentou média 27 ± 10 (0 a 40) e do FSS apresentou média 55 ± 6 (9 a 63) mostraram uma repercussão negativa desses sintomas nas atividades de vida diária dos pacientes. No escore da escala FSS e intensidade da fadiga pela escala numérica, houve diferenças significativas entre o grupo de bandas bem marcas em relação ao de bandas sutis (p=0,022 e p=0,008) e quando comparado os quatro subgrupos, os pacientes do subgrupo 2b apresentaram menor escore da escala FSS (p=0,04) e menor média na intensidade da fadiga na escala numérica (p=0,02). Os demais parâmetros foram semelhantes entre os subgrupos. Na investigação laboratorial, muitos pacientes não apresentaram anormalidades significativas, inclusive na análise da função mitocondrial com lactato de esforço e ensaios enzimáticos da cadeia respiratória. CONCLUSÕES: o presente estudo abre uma perspectiva de um olhar diferenciado para pacientes com intolerância ao exercício, sintoma muitas vezes negligenciado na prática clínica. O questionário para caracterização clínica de mialgia, fadiga e cãibras mostrou ser um instrumento reprodutível de anamnese dirigida, com aplicação clínica para esse grupo de pacientes, uma vez que tais sintomas são prevalentes neste contexto de intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA. A classificação das bandas das deleções múltiplas do mtDNA, apresentadas no trabalho, refletiram de forma significativa a gravidade da fadiga, tendendo a representar, de certa forma, a gravidade da disfunção mitocondrial e consequentemente a gravidade desse sintoma.
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Indivíduos com intolerância ao exercício têm sido frequentemente identificados em nosso serviço de doenças neuromusculares e, em investigação complementar, evidenciou-se um grupo de pacientes com deleções múltiplas do DNA mitocondrial (mtDNA), permitindo a abertura de novos caminhos para um entendimento mais amplo da relação entre tal sintoma e a função mitocondrial. OBJETIVOS: Caracterizar os sintomas mialgia, fadiga e cãibra em pacientes com intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA através de um questionário desenvolvido em nosso serviço e aperfeiçoado para esse fim; comparar os achados nos subgrupos de pacientes, classificados de acordo com as características das deleções múltiplas e com o grupo controle saudável; avaliar a reprodutibilidade das respostas ao referido questionário. MÉTODO: Foram incluídos 29 pacientes com intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA, em seguimento no Ambulatório de Doenças Neuromusculares (ANEM) do HC-FMRP-USP, os quais foram subdivididos em quatro grupos de acordo com o padrão de bandas múltiplas do mtDNA, classificadas por avaliação visual: 9 indivíduos com bandas múltiplas contínuas bem marcadas (1a), 11 com bandas múltiplas contínuas sutis (1b), 6 com bandas múltiplas esparsas bem marcadas (2a) e 3 com bandas múltiplas esparsas sutis (2b). O grupo controle foi constituído por 29 indivíduos saudáveis, pareados com os pacientes por idade e gênero. Além dos dados clinico-laboratoriais, foram aplicados o Questionário para caracterização de mialgia, fadiga e cãibra (QMFC) e as escalas de mensuração da dor - Pequeno Questionário sobre Dor (BPI) - e da fadiga - Escala de Gravidade de Fadiga (FSS). Análise estatística consistiu da avaliação da reprodutibilidade intra-avaliador dos instrumentos através do coeficiente de correlação intraclasse (CCI); da comparação entre os grupos, através dos testes não paramétricos de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis para as variáveis quantitativas discretas contínuas e qualitativas ordinais e do teste qui-quadrado para variáveis qualitativas nominais. RESULTADOS: A reprodutibilidade intraobservador do questionário QMFC e das escalas BPI e FSS foi muito boa, apresentando CCI > 0,9 para a maioria das respostas; as respostas descritivas apresentaram concordância de no mínimo 83%. Observou-se predomínio de mulheres (79%) entre os pacientes, além do acometimento de indivíduos em idade produtiva, com idade de início da doença entre 18 e 62 anos. Há alta frequência dos sintomas de mialgia (n=26, 90%), fadiga (n=27 e 93%) e cãibras (n=20, 69%) nesses pacientes, principalmente a mialgia como o sintoma inicial (n=20, 69%) e de maior importância (n=15, 58%) para a maioria. Observa-se evolução para dor muscular multifocal ou difusa na maioria dos pacientes (n=17, 65%). Além do esforço físico, outros fatores desencadeiam fadiga e mialgia,como estresse emocional (n=8, 31% e n=10, 37%, respectivamente) e jejum (n=6, 23% e n=8, 30%, respectivamente). No contexto da intolerância ao exercício, a mialgia e as cãibras tendem a ser mais incidentes com a atividade física mais prolongada, enquanto que a fadiga, com a atividade física mais precoce. O repouso demonstrou-se de fundamental importância para alívio dos sintomas (n=26, 90%). O escore da escala do BPI apresentou média 27 ± 10 (0 a 40) e do FSS apresentou média 55 ± 6 (9 a 63) mostraram uma repercussão negativa desses sintomas nas atividades de vida diária dos pacientes. No escore da escala FSS e intensidade da fadiga pela escala numérica, houve diferenças significativas entre o grupo de bandas bem marcas em relação ao de bandas sutis (p=0,022 e p=0,008) e quando comparado os quatro subgrupos, os pacientes do subgrupo 2b apresentaram menor escore da escala FSS (p=0,04) e menor média na intensidade da fadiga na escala numérica (p=0,02). Os demais parâmetros foram semelhantes entre os subgrupos. Na investigação laboratorial, muitos pacientes não apresentaram anormalidades significativas, inclusive na análise da função mitocondrial com lactato de esforço e ensaios enzimáticos da cadeia respiratória. CONCLUSÕES: o presente estudo abre uma perspectiva de um olhar diferenciado para pacientes com intolerância ao exercício, sintoma muitas vezes negligenciado na prática clínica. O questionário para caracterização clínica de mialgia, fadiga e cãibras mostrou ser um instrumento reprodutível de anamnese dirigida, com aplicação clínica para esse grupo de pacientes, uma vez que tais sintomas são prevalentes neste contexto de intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA. A classificação das bandas das deleções múltiplas do mtDNA, apresentadas no trabalho, refletiram de forma significativa a gravidade da fadiga, tendendo a representar, de certa forma, a gravidade da disfunção mitocondrial e consequentemente a gravidade desse sintoma.INTRODUCTION: Exercise intolerance is an inability to perform normal physical activity, with the appearance of myalgia and/or early fatigue, even when performing relatively mild exercise. Exercise intolerance is a symptom that leads to physical incapacity and undermine work and social activities. The identification of exercise intolerance has become more frequent in patients treated at the Ambulatory of Neuromuscular Diseases (ANEM - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto - HCFMRP-USP). Other studies indicate that a group of these patients has multiple mitochondrial DNA (mtDNA) deletions, creating space for investigations about the relationship between this symptom and the mitochondrial function. OBJECTIVES: This study aims to characterize the symptoms of fatigue, myalgia and cramps in patients with exercise intolerance and multiple mtDNA deletions through a questionnaire developed in our service and improved for this purpose; to compare the results among subgroups of patients (classified according to the multiple deletions characteristics), and among the subgroups and the healthy control group; to evaluate the reproducibility of the answers to the questionnaire. METHOD: The participants were twenty-nine patients with exercise intolerance and multiple mtDNA deletions in treatment at the ANEM (HCFMRP-USP), which were divided into four groups according to the multiple band pattern of the mtDNA (classified by visual evaluation): subgroup 1a - 9 patients with strong bands in a continuous pattern; subgroup 1b - 11 patients with subtle band in a continuous pattern; subgroup 2a - 6 patients with multiple strong bands in a sparse pattern; subgroup 2b - 3 patients with subtle bands in a sparse pattern. The control group consisted of 29 healthy individuals, paired with the patients by age and gender. In addition to the clinical-laboratorial data, were applied the Questionnaire to characterize myalgia, fatigue and cramp and two scales: Brief Pain Inventory and Severity Scale of Fatigue. The statistical evaluation consisted of evaluating the intra-instrument reproducibility of the instruments through the intraclass correlation coefficient (ICC); the group comparison through non-parametrical tests of Mann-Whitney and Kuskall-Wallis for continuous discrete quantitative variables and ordinal qualitative variables, and chi-square test for nominal qualitative variables. RESULTS: The intraobserver reproducibility of the QMFC questionnaire and the BPI and FSS scales was very good, presenting CCI > 0.9 for the majority of the answers; descriptive responses agreed at least 83%. A predominance of women (79%) was observed among the patients. Also, patients were affected during the productive period of life, with age of onset of the disease between 18 and 62 years. There was a high frequency of myalgia (n = 26, 90%), fatigue (n = 27 and 93%) and cramps (n = 20, 69%), especially myalgia as the initial symptom (n = 20, 69%) and of greater importance (n = 15, 58%) for the majority. Progression to diffuse or multifocal myalgia was observed in most patients (n = 17, 65%). In addition to physical effort, other factors triggered fatigue and myalgia, such as emotional stress (n = 8, 31% and n = 10, 37%, respectively), and fasting (n = 6, 23%, and n = 8, 30% respectively). In the context of exercise intolerance, myalgiaand cramps tend to be more incident when associated with a longer physical activity, whereas fatigue was associated with an earlier physical activity. Resting was of fundamental importance for the relief of the symptoms (n = 26, 90%). The BPI scale score averaged 27 ± 10 (0 to 40) and the FSS score averaged 55 ± 6 (9 to 63) showed a negative repercussion in the daily life activities of the patients. In the FSS scale and fatigue intensity on the numerical scale, there was a statistically significant difference between the group strong bands in relation to the group subtle bands (p = 0.022 and p = 0.008) and comparatively among subgroups, patients of subgroup 2b presented the lower score for the FSS scale (p = 0.04) and lower fatigue intensity on the numerical scale (p = 0.02). The other parameters were similar among subgroups. In laboratory investigation, many patients did not present significant abnormalities, including the analysis of mitochondrial function with effort lactate and enzyme assay study of the respiratory chain. CONCLUSIONS: the present study opens the perspective for a new approach with patients with intolerance to exercise, a symptom that is often neglected in clinical practice. The questionnaire for the clinical characterization of myalgia, fatigue and cramps are a reproducible device of directed anamnesis, with clinical application for this group of patients, since these symptoms are prevalent in the context of exercise intolerance and multiple mtDNA deletions. The classification of bands on multiple mtDNA deletions presented in this study significantly reflects the severity associated with fatigue, tending to represent, to a certain extent, the severity of the mitochondrial dysfunction and consequently the severity of this symptom.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSobreira, Claudia Ferreira da RosaSilva, Lucas Ravagnani2019-11-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17161/tde-21022020-134205/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-10-09T13:16:04Zoai:teses.usp.br:tde-21022020-134205Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-10-09T13:16:04Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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OBJETIVOS: Caracterizar os sintomas mialgia, fadiga e cãibra em pacientes com intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA através de um questionário desenvolvido em nosso serviço e aperfeiçoado para esse fim; comparar os achados nos subgrupos de pacientes, classificados de acordo com as características das deleções múltiplas e com o grupo controle saudável; avaliar a reprodutibilidade das respostas ao referido questionário. MÉTODO: Foram incluídos 29 pacientes com intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA, em seguimento no Ambulatório de Doenças Neuromusculares (ANEM) do HC-FMRP-USP, os quais foram subdivididos em quatro grupos de acordo com o padrão de bandas múltiplas do mtDNA, classificadas por avaliação visual: 9 indivíduos com bandas múltiplas contínuas bem marcadas (1a), 11 com bandas múltiplas contínuas sutis (1b), 6 com bandas múltiplas esparsas bem marcadas (2a) e 3 com bandas múltiplas esparsas sutis (2b). O grupo controle foi constituído por 29 indivíduos saudáveis, pareados com os pacientes por idade e gênero. Além dos dados clinico-laboratoriais, foram aplicados o Questionário para caracterização de mialgia, fadiga e cãibra (QMFC) e as escalas de mensuração da dor - Pequeno Questionário sobre Dor (BPI) - e da fadiga - Escala de Gravidade de Fadiga (FSS). Análise estatística consistiu da avaliação da reprodutibilidade intra-avaliador dos instrumentos através do coeficiente de correlação intraclasse (CCI); da comparação entre os grupos, através dos testes não paramétricos de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis para as variáveis quantitativas discretas contínuas e qualitativas ordinais e do teste qui-quadrado para variáveis qualitativas nominais. RESULTADOS: A reprodutibilidade intraobservador do questionário QMFC e das escalas BPI e FSS foi muito boa, apresentando CCI > 0,9 para a maioria das respostas; as respostas descritivas apresentaram concordância de no mínimo 83%. Observou-se predomínio de mulheres (79%) entre os pacientes, além do acometimento de indivíduos em idade produtiva, com idade de início da doença entre 18 e 62 anos. Há alta frequência dos sintomas de mialgia (n=26, 90%), fadiga (n=27 e 93%) e cãibras (n=20, 69%) nesses pacientes, principalmente a mialgia como o sintoma inicial (n=20, 69%) e de maior importância (n=15, 58%) para a maioria. Observa-se evolução para dor muscular multifocal ou difusa na maioria dos pacientes (n=17, 65%). Além do esforço físico, outros fatores desencadeiam fadiga e mialgia,como estresse emocional (n=8, 31% e n=10, 37%, respectivamente) e jejum (n=6, 23% e n=8, 30%, respectivamente). No contexto da intolerância ao exercício, a mialgia e as cãibras tendem a ser mais incidentes com a atividade física mais prolongada, enquanto que a fadiga, com a atividade física mais precoce. O repouso demonstrou-se de fundamental importância para alívio dos sintomas (n=26, 90%). O escore da escala do BPI apresentou média 27 ± 10 (0 a 40) e do FSS apresentou média 55 ± 6 (9 a 63) mostraram uma repercussão negativa desses sintomas nas atividades de vida diária dos pacientes. No escore da escala FSS e intensidade da fadiga pela escala numérica, houve diferenças significativas entre o grupo de bandas bem marcas em relação ao de bandas sutis (p=0,022 e p=0,008) e quando comparado os quatro subgrupos, os pacientes do subgrupo 2b apresentaram menor escore da escala FSS (p=0,04) e menor média na intensidade da fadiga na escala numérica (p=0,02). Os demais parâmetros foram semelhantes entre os subgrupos. Na investigação laboratorial, muitos pacientes não apresentaram anormalidades significativas, inclusive na análise da função mitocondrial com lactato de esforço e ensaios enzimáticos da cadeia respiratória. CONCLUSÕES: o presente estudo abre uma perspectiva de um olhar diferenciado para pacientes com intolerância ao exercício, sintoma muitas vezes negligenciado na prática clínica. O questionário para caracterização clínica de mialgia, fadiga e cãibras mostrou ser um instrumento reprodutível de anamnese dirigida, com aplicação clínica para esse grupo de pacientes, uma vez que tais sintomas são prevalentes neste contexto de intolerância ao exercício e deleções múltiplas do mtDNA. A classificação das bandas das deleções múltiplas do mtDNA, apresentadas no trabalho, refletiram de forma significativa a gravidade da fadiga, tendendo a representar, de certa forma, a gravidade da disfunção mitocondrial e consequentemente a gravidade desse sintoma.
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