Gestão judicial dos ilegalismos: a prática da fiança e as audiências de custódia na regulação da ordem urbana em São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Pagliari de Braud, Paula
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-11022025-135237/
Resumo: O presente trabalho tem por objetivo investigar a participação judicial na regulação da liberdade da pequena criminalidade urbana a partir das audiências de custódia. Tomando como atalho a problemática aplicação das fianças pelos juízes e juízas atuantes nas audiências de custódia em São Paulo/SP, esta pesquisa procurou analisar como, na articulação entre a polícia e a prisão, o aparato judicial participa da fabricação e regulação da ordem, espraiando o dispositivo carcerário pelo território da cidade através da imposição de condutas cumpridas em meio aberto e através da produção de fluxos de pessoas e coisas em circuitos e trajetos determinados entre delegacias, centros de detenção provisória e fóruns. A partir da noção de gestão diferencial dos ilegalismos a fiança pôde ser analisada como o instrumento judicial pelo qual se impõem controle e pequenos castigos à pequena criminalidade urbana. Nessa esteira, o trabalho procurou mapear como, num processo histórico que remonta aos anos 1980, à redemocratização e ao movimento de acesso à justiça, foi se ampliando o rol de institutos jurídicos e o espaço de discricionariedade do Judiciário para lidar com infrações criminais. Na linha das mudanças implementadas por esse processo histórico, as cautelares e a audiência de custódia ganham centralidade no trabalho, como institutos e espaços jurídicos policializados. As audiências apresentam-se não apenas como ponto de observação dessa discricionariedade judicial na aplicação das medidas cautelares e em especial da fiança - e regulação da ordem urbana, mas também como resultado desse movimento que apostou na capacidade do Judiciário de fiscalizar e controlar tanto as altas taxas de encarceramento quanto a violência policial, ambos sem sucesso. Por último, o trabalho buscou identificar sob quais critérios os juízes e juízas das custódias exercem essa discricionariedade. Identificou-se que, apoiado na categoria da reincidência, o trabalho da polícia e dos juízes se articula na produção mais controle e, apoiado na ausência de documentos, trabalho e moradia, o dispositivo prisional se alimenta da e também produz a informalidade, em relação profunda de continuidade com práticas de controle racial do pós-abolição
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Tomando como atalho a problemática aplicação das fianças pelos juízes e juízas atuantes nas audiências de custódia em São Paulo/SP, esta pesquisa procurou analisar como, na articulação entre a polícia e a prisão, o aparato judicial participa da fabricação e regulação da ordem, espraiando o dispositivo carcerário pelo território da cidade através da imposição de condutas cumpridas em meio aberto e através da produção de fluxos de pessoas e coisas em circuitos e trajetos determinados entre delegacias, centros de detenção provisória e fóruns. A partir da noção de gestão diferencial dos ilegalismos a fiança pôde ser analisada como o instrumento judicial pelo qual se impõem controle e pequenos castigos à pequena criminalidade urbana. Nessa esteira, o trabalho procurou mapear como, num processo histórico que remonta aos anos 1980, à redemocratização e ao movimento de acesso à justiça, foi se ampliando o rol de institutos jurídicos e o espaço de discricionariedade do Judiciário para lidar com infrações criminais. Na linha das mudanças implementadas por esse processo histórico, as cautelares e a audiência de custódia ganham centralidade no trabalho, como institutos e espaços jurídicos policializados. As audiências apresentam-se não apenas como ponto de observação dessa discricionariedade judicial na aplicação das medidas cautelares e em especial da fiança - e regulação da ordem urbana, mas também como resultado desse movimento que apostou na capacidade do Judiciário de fiscalizar e controlar tanto as altas taxas de encarceramento quanto a violência policial, ambos sem sucesso. Por último, o trabalho buscou identificar sob quais critérios os juízes e juízas das custódias exercem essa discricionariedade. Identificou-se que, apoiado na categoria da reincidência, o trabalho da polícia e dos juízes se articula na produção mais controle e, apoiado na ausência de documentos, trabalho e moradia, o dispositivo prisional se alimenta da e também produz a informalidade, em relação profunda de continuidade com práticas de controle racial do pós-aboliçãoThis work aims to investigate the judicial involvement in regulating the freedom of individuals involved in minor urban crimes through custody hearings. Focusing on the problematic application of bail by judges in custody hearings in São Paulo/SP, this research sought to analyze how, in the interplay between the police and the prison system, the judicial apparatus contributes to the creation and regulation of order. This is done by extending the carceral apparatus throughout the city, through the imposition of conduct requirements to be fulfilled in an open environment and the creation of flows of people and things through designated circuits and routes between police stations, provisional detention centers, and courts. Using the concept of differential management of illegalism, bail is analyzed as a judicial tool that imposes control and minor punishments on minor urban crime. In this context, the study mapped how, through a historical process dating back to the 1980s, democratization, and the access to justice movement, the range of legal institutes and the discretionary space of the judiciary for handling criminal offenses has expanded. In line with the changes brought about by this historical process, precautionary measures and custody hearings become central to the work, serving as judicial spaces heavily influenced by police practices. Custody hearings are presented not only as a point of observation of judicial discretion in applying precautionary measures and especially bailregulating urban order but also as a result of a movement that relied on the judiciarys ability to oversee and control both high incarceration rates and police violence, both of which have been unsuccessful. Finally, the work aimed to identify the criteria under which judges exercise their discretion in custody hearings. It was found that, based on the category of recidivism, the work of the police and judges contributes to increased control. Additionally, the lack of documentation, employment, and housing feeds into and also generates informality within the prison system, maintaining a deep continuity with post-abolition racial control practicesBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPTelles, Vera da SilvaPagliari de Braud, Paula2024-11-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-11022025-135237/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-11T15:58:02Zoai:teses.usp.br:tde-11022025-135237Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-11T15:58:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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