Trabalho docente no ensino remoto emergencial durante a pandemia de Covid-19: vivências de professoras da educação básica da Região Metropolitana de Belo Horizonte

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Lisboa, Fernanda Cordeiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
Programa de Pós-Graduação em Educação Tecnológica
Brasil
CEFET-MG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.cefetmg.br//handle/123456789/901
Resumo: Durante a pandemia do covid-19, diversas mudanças fizeram-se necessárias no mundo do trabalho, sobretudo no que diz respeito às modalidades e espaços de sua realização. Devido à necessidade do isolamento social, a fim de minimizar a proliferação do vírus e a consequente contaminação da população em massa, foi implementado o trabalho remoto realizado em casa, mediado por tecnologias digitais – o chamado home office – em diversas áreas profissionais. Dessa forma, o espaço público e externo, no qual se dá o trabalho produtivo e assalariado, migrou para o espaço privado, no qual se realiza um trabalho não remunerado e dedicado à reprodução das condições de existência, o trabalho doméstico. Dois ambientes distintos, nos quais a divisão sexual do trabalho e as relações sociais de sexo/gênero se desenvolvem, foram transformados em um só. Especificamente no trabalho docente na Educação Básica, em que pese sua já propalada precarização, desvalorização e feminização, a implementação do Ensino Remoto Emergencial (ERE) resultou numa sobrecarga para a mulher professora-mãe-esposa-dona de casa coma realização de uma prática educativa à distância, mediada por tecnologias digitais pouco usuais nas escolas públicas, bem como o entrelaçamento imprevisto dos seus espaços de trabalho público e doméstico. Desvelar como esse momento foi vivenciado pelas professoras, seus impactos, desafios e dificuldades, estratégias de resistência e de enfrentamento, diante do trabalho múltiplo e simultâneo, da inusitada transformação de seus espaços públicos e privados em um só e da necessidade compulsória de utilização de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no processo educativo, é o que se pretende nesta pesquisa. Busca-se aqui a compreensão e um repensar da formação e do trabalho docente frente a situações imprevistas, à utilização compulsória e não planejada de tecnologias digitais como ferramentas para o ensino-aprendizagem e à divisão sexual do trabalho doméstico das docentes. A pesquisa teórico-empírica teve uma abordagem qualitativa, cujas participantes foram professoras da Educação Básica que atuam nos Ciclos I e II, da Rede Pública Municipal de Educação de Belo Horizonte, entrevistadas presencialmente com a orientação de um roteiro semiestruturado. Posteriormente, trechos dos discursos das entrevistadas foram selecionados e analisados à luz das teorias sobre Formação e Trabalho Docente e da Divisão Sexual do Trabalho. Evidenciou-se, com base nos relatos dessas experiências, que o município não deu às professoras condições ideais para a realização da docência a distância, tais como subsídios financeiros para a aquisição de aparatos tecnológicos, bem como treinamentos adequados para a utilização de mídias digitais. Os impactos na saúde das professoras também foram sentidos de maneira contundente, com crises de estresse e ansiedade, em razão das pressões experienciadas nesse período o qual causou grande impacto na prática educativa das professoras durante a pandemia.
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Dois ambientes distintos, nos quais a divisão sexual do trabalho e as relações sociais de sexo/gênero se desenvolvem, foram transformados em um só. Especificamente no trabalho docente na Educação Básica, em que pese sua já propalada precarização, desvalorização e feminização, a implementação do Ensino Remoto Emergencial (ERE) resultou numa sobrecarga para a mulher professora-mãe-esposa-dona de casa coma realização de uma prática educativa à distância, mediada por tecnologias digitais pouco usuais nas escolas públicas, bem como o entrelaçamento imprevisto dos seus espaços de trabalho público e doméstico. Desvelar como esse momento foi vivenciado pelas professoras, seus impactos, desafios e dificuldades, estratégias de resistência e de enfrentamento, diante do trabalho múltiplo e simultâneo, da inusitada transformação de seus espaços públicos e privados em um só e da necessidade compulsória de utilização de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) no processo educativo, é o que se pretende nesta pesquisa. Busca-se aqui a compreensão e um repensar da formação e do trabalho docente frente a situações imprevistas, à utilização compulsória e não planejada de tecnologias digitais como ferramentas para o ensino-aprendizagem e à divisão sexual do trabalho doméstico das docentes. A pesquisa teórico-empírica teve uma abordagem qualitativa, cujas participantes foram professoras da Educação Básica que atuam nos Ciclos I e II, da Rede Pública Municipal de Educação de Belo Horizonte, entrevistadas presencialmente com a orientação de um roteiro semiestruturado. Posteriormente, trechos dos discursos das entrevistadas foram selecionados e analisados à luz das teorias sobre Formação e Trabalho Docente e da Divisão Sexual do Trabalho. Evidenciou-se, com base nos relatos dessas experiências, que o município não deu às professoras condições ideais para a realização da docência a distância, tais como subsídios financeiros para a aquisição de aparatos tecnológicos, bem como treinamentos adequados para a utilização de mídias digitais. Os impactos na saúde das professoras também foram sentidos de maneira contundente, com crises de estresse e ansiedade, em razão das pressões experienciadas nesse período o qual causou grande impacto na prática educativa das professoras durante a pandemia.During the covid-19 pandemic, several changes were necessary in the work world, especially concerning the modalities and spaces in which they are carried out. Due to the need for lockdown, to minimize the proliferation of the virus and the consequent mass contamination of the population, remote work carried out at home, mediated by digital technologies – the so-called home office – was implemented in several professional areas. This way, the public and external space, in which the productive and salaried work takes place, migrated to the private space, in which the unpaid work, dedicated to the reproduction of the existential conditions is carried out, the domestic work. Two distinct environments, in which the sexual division of labor and sex/gender social relations develops, were merged into one. Specifically in the teacher’s work in Basic Education, besides its already publicized precariousness, devaluation and feminization, the implementation of Emergency Remote Education (ERE) resulted in an overload for the teacher-mother-wife-housewife woman with carrying out an educational practice at a distance, mediated by digital technologies that are unusual in public schools, as well as the unexpected intertwining of their public and domestic work spaces. This research aims to unveil how this moment was experiencied by female teachers, its impacts, challenges and difficulties, resistance and coping strategies, in the face of multiple and simultaneous work, the unusual transformation of their public and private spaces into one and the compulsory need to use Information and Communication Digital Technologies (ICDT) in the educational process. Here we seek to understand and rethink teaching training and teaching work in the face of unforeseen situations, the compulsory and unplanned use of digital technologies as teaching and learning tools, and the sexual division of female teachers' domestic work. The theoretical-empirical research had a qualitative approach, whose participants were Basic Education women teachers who work in Cycles I and II, of the Municipal Public Education Network of Belo Horizonte, interviewed in person with the guidance of a semi-structured script. Subsequently, excerpts from the interviewees' speeches were selected and analyzed under the theories of Teaching Training and Teaching Work and the Sexual Division of Labor. It was evident, based on reports of these experiences, that the municipality did not provide these teachers with ideal conditions for carrying out distance teaching, such as financial subsidies for the acquisition of technological devices, as well as adequate training for the use of digital media. Also, the impacts on the health of teachers were strongly felt, with crises of stress and anxiety, due to the pressures experienced during this period, which had a major impact on the educational practice of female teachers during the pandemic.Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas GeraisPrograma de Pós-Graduação em Educação TecnológicaBrasilCEFET-MGQuirino, Raquelhttp://lattes.cnpq.br/3286747885641896http://lattes.cnpq.br/3697814252664856Quirino, RaquelLopes, Sabrina Fernandes PereiraRosa, Mislene Aparecida GonçalvesLisboa, Fernanda Cordeiro2025-03-24T14:06:07Z2024-04-102025-03-24T14:06:07Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://repositorio.cefetmg.br//handle/123456789/901porreponame:Repositório Institucional do CEFET-MGinstname:Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)instacron:CEFETinfo:eu-repo/semantics/openAccess2026-03-31T14:29:01Zoai:repositorio.cefetmg.br:123456789/901Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.cefetmg.br/server/oai/requestrepositorio@cefetmg.bropendoar:2026-03-31T14:29:01Repositório Institucional do CEFET-MG - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)false
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