A linguagem teatral no ensino de história: uma experiência com o texto Eles não usam black-tie como tema gerador

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Mainoth, Carolina Chalfun
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://petrus.cp2.g12.br/handle/123456789/1762
Resumo: A Educação de Jovens e Adultos é um segmento que apresenta grandes desafios aos educadores. Nosso trabalho parte do histórico desta fatia escolar, tradicionalmente um campo de acirradas disputas políticas, para compreender o lugar atual que é relegado a ela na realidade pesquisada. Abordamos o contexto atual da EJA no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, especificamente do bairro de Campo Grande, município do Rio, no Colégio Estadual Monteiro Lobato. Através do trabalho direto com a turma pesquisada foi possível perceber o perfil dos alunos, em profunda consonância com a dinâmica cruel de um sistema econômico que, ao se sofisticar, produziu um desemprego estrutural e uma massa carente de qualquer trabalho, que absorve o discurso e os sonhos do grande capital como seus, o que pudemos compreender a partir da produção acadêmica de Ricardo Antunes. Nos discursos dos documentos oficiais produzidos pelo país após a redemocratização, a educação teria a missão de formar para a cidadania e para a criticidade, além de preparar para o “mundo do trabalho”. Diante desta configuração, refletimos qual deveria ser o papel da EJA e, sobretudo, do Ensino de História, para estas pessoas que se iniciaram neste “mundo do trabalho” com nenhuma ou pouca intermediação da escola. No que diz respeito ao ensino de História, defendemos que para os jovens e adultos ela deva ser revalorada. É necessário partir do estímulo nos alunos a um olhar profundo para suas realidades atuais e suas histórias de vida no que diz respeito à condição de trabalhador para entender-se enquanto herdeiro de um longo caminho de lutas. Mais do que isto, diante desta percepção de si mesmo enquanto sujeito histórico resultado não só de um modelo econômico que se projeta na produção massiva de miséria e na exploração, mas também da trajetória dos trabalhadores no enfrentamento dos antagonismos de classe, acreditamos que esta disciplina tem um forte compromisso com a transformação da postura destes alunos diante do mundo. Transformação esta que não está centrada em uma cidadania que se limite ao exercício do voto e a conformidade com o modus operandi capitalista, mas vá na direção da compreensão de que existem outras realidades possíveis e que somente com o engajamento na luta podemos alcançá-las. Para tanto, defendemos o texto teatral, especificamente o da peça Eles não usam black tie, de Gianfrancesco Guarnieri, como um dos caminhos possíveis para desenvolver uma metodologia de trabalho em sala de aula onde aconteça a catarse, no sentido gramsciano do termo. Relatamos a aplicação deste método com a turma pesquisada e analisamos os erros e acertos dentro das configurações que enfrentamos ao longo de sua realização.
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Através do trabalho direto com a turma pesquisada foi possível perceber o perfil dos alunos, em profunda consonância com a dinâmica cruel de um sistema econômico que, ao se sofisticar, produziu um desemprego estrutural e uma massa carente de qualquer trabalho, que absorve o discurso e os sonhos do grande capital como seus, o que pudemos compreender a partir da produção acadêmica de Ricardo Antunes. Nos discursos dos documentos oficiais produzidos pelo país após a redemocratização, a educação teria a missão de formar para a cidadania e para a criticidade, além de preparar para o “mundo do trabalho”. Diante desta configuração, refletimos qual deveria ser o papel da EJA e, sobretudo, do Ensino de História, para estas pessoas que se iniciaram neste “mundo do trabalho” com nenhuma ou pouca intermediação da escola. No que diz respeito ao ensino de História, defendemos que para os jovens e adultos ela deva ser revalorada. É necessário partir do estímulo nos alunos a um olhar profundo para suas realidades atuais e suas histórias de vida no que diz respeito à condição de trabalhador para entender-se enquanto herdeiro de um longo caminho de lutas. Mais do que isto, diante desta percepção de si mesmo enquanto sujeito histórico resultado não só de um modelo econômico que se projeta na produção massiva de miséria e na exploração, mas também da trajetória dos trabalhadores no enfrentamento dos antagonismos de classe, acreditamos que esta disciplina tem um forte compromisso com a transformação da postura destes alunos diante do mundo. Transformação esta que não está centrada em uma cidadania que se limite ao exercício do voto e a conformidade com o modus operandi capitalista, mas vá na direção da compreensão de que existem outras realidades possíveis e que somente com o engajamento na luta podemos alcançá-las. Para tanto, defendemos o texto teatral, especificamente o da peça Eles não usam black tie, de Gianfrancesco Guarnieri, como um dos caminhos possíveis para desenvolver uma metodologia de trabalho em sala de aula onde aconteça a catarse, no sentido gramsciano do termo. Relatamos a aplicação deste método com a turma pesquisada e analisamos os erros e acertos dentro das configurações que enfrentamos ao longo de sua realização.Young and Adult Education is a segment that presents great challenges for educators. Our work focuses at first in the background of this school slice, which is a traditional fierce political field, and then realizes the current place of this specific reality studied. We present the current context of YAE in Rio de Janeiro State department of Education, specifically in Campo Grande neighborhood, in the city of Rio, at Monteiro Lobato State School. Working directly with the studied group, it was possible to observe the students profile agreeing in deep harmony with the cruel dynamics of an economic system that as long as turned sophisticated by itself produced a structural unemployment and a mass wanting any type of work, a group wich absorbs the speech and dreams of the big business capital as they were yours, this is what we could notice in Ricardo Antunes academic production. In the speeches of official documents produced by the country after the return to democracy, the education would have the mission to educate for citizenship and critically. Besides that, it would prepare for the “world of work”. Having in mind this configuration, we reflect what should be the role of Young and Adult Education, mainly the Teaching of History for these people who started this “world of work” with little or no school intermediation. In the teaching of history, we stand up for that it should be considered valuable for Young people and adults. It is necessary to start the work according to the students incitement to a look toward at their current realities and their life stories with regards to the worker’s condition to consider themselves heirs of a long way of struggle. Moreover, having this perception of themselves as historical subjects as a result not only of an economic model which projects itself in the mass production of misery and exploitation, but also the trajectory of workers in dealing with class antagonisms. We believe that this course has a strong commitment to the transformation of the attitude of these students to the world. This transformation is not centered in a citizenship that is limited to voting and complying with the capitalist modus operandi. On the contrary, it is centered in a citizenship which go towards the understanding that there are other possible realities and that only with the commitment to the fight we can achieve them. Therefore, we advocate the theatrical text, specifically in the play Eles não usam black-tie (They do not wear black-tie), by Gianfrancisco Guarnieri, as one of the possible ways to develop a methodology in the classroom where catharsis happens, in the Gramscian sense. We reported the application of this method in the class and analyzed the strengths and weaknesses in the settings we face throughout its realization.Kuperman, EstherMainoth, Carolina Chalfun2024-04-07T21:01:32Z2024-04-07T21:01:32Z2015info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfMAINOTH, Carolina Chalfun. A linguagem teatral no ensino de história : uma experiência com o texto Eles não usam black-tie como tema gerador. 2015. 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