A planta da espécie Laguncularia racemosa como bioindicadora de contaminação por metais e metaloides em dois importantes manguezais do Estado do Rio de Janeiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Lima, Camila Nunes Santos
Orientador(a): Correia, Fábio Veríssimo
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://arca.fiocruz.br/handle/icict/74408
Resumo: Os manguezais, ecossistemas litorâneos únicos, enfrentam crescentes ameaças provocadas pelas atividades antrópicas no Brasil, a degradação desses ambientes exige abordagens integradas que articulem diagnóstico ambiental e conservação, considerando que a proteção dos manguezais se mostra mais vantajosa econômica e ecologicamente do que sua exploração. A poluição por metais e metaloides destacase como uma prioridade para avaliação ecotoxicológica, dada sua persistência, bioacumulação e potencial de indução de estresse oxidativo em vegetais. Este estudo foi realizado em dois manguezais do estado do Rio de Janeiro: a Lagoa Rodrigo de Freitas e a Baía de Sepetiba, um ambiente historicamente contaminado por atividades antrópicas e industriais. As coletas foram realizadas na estação chuvosa de 2023, totalizando cinco pontos de amostragem. Foram obtidas amostras de Laguncularia racemosa (folhas, caules, raízes e pneumatóforos), posteriormente higienizadas, liofilizadas e armazenadas a -25 °C. As concentrações de metais totais foram determinadas por espectrometria de massas com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), conforme o método USEPA 6020B, e os metais intracelulares foram extraídos termicamente e quantificados por espectrofotometria. Também foram analisados biomarcadores de estresse oxidativo, incluindo peroxidação lipídica (CARB), peróxido de hidrogênio (H₂O₂), metalotioneínas (MT) e glutationa reduzida (GSH), como indicativos de danos celulares e respostas adaptativas da planta. As análises estatísticas foram conduzidas nos softwares GraphPad Prism (versão 8.0) e R Studio (versão 4.3.2), adotando-se nível de significância de p < 0,05. Após verificação da normalidade pelo teste de Shapiro-Wilk, optou-se por testes não paramétricos, aplicando-se o teste de Kruskal-Wallis para comparações múltiplas As correlações entre metais, metaloides e biomarcadores foram avaliadas pelo coeficiente de Spearman, sendo consideradas apenas aquelas de força forte ou muito forte (r > 0,70) e com significância estatística (p < 0,05), conforme a classificação de Bryman e Cramer. Além disso, foi realizada uma Análise de Componentes Principais (PCA), precedida dos testes de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e esfericidade de Bartlett, com seleção dos componentes com autovalores superiores a 1,0. Os resultados demonstraram que os metais intracelulares apresentaram maior potencial discriminatório em relação aos metais totais, com separação dos grupos por local e por órgão. A Lagoa Rodrigo de Freitas, apresentou valores mais distintos de acúmulo, associado a maiores níveis de estresse oxidativo. Metais como Cr, As, Mn, V e Ti foram os elementos com maiores variação entre os grupos, especialmente em raízes e pneumatóforos. A correlação entre os biomarcadores e os metais evidenciou a compartimentalização intracelular como uma estratégia fisiológica relevante, sendo os elevados níveis de MT em raízes e pneumatóforos indicativos de mecanismos protetores, enquanto a peroxidação lipídica em tecidos foliares e dos caules, sugere maior vulnerabilidade celular nessas regiões. O H₂O₂ destacou-se como uma molécula sinalizadora com variação entre os órgãos. Os achados reforçam o papel de L. racemosa como bioindicadora eficaz da contaminação por metais, além de contribuírem para a compreensão dos mecanismos de tolerância vegetal frente ao estresse químico em zonas costeiras. A conservação dos manguezais, especialmente em áreas como as estudadas, é essencial para a proteção da biodiversidade, mitigação de impactos ambientais e manutenção dos serviços ecossistêmicos.
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Among the degradation factors, pollution by heavy metals and metalloids stands out as a priority for ecotoxicological assessment, given their persistence, bioaccumulation, and potential to induce oxidative stress in plant organisms. This study was conducted in two estuarine ecosystems in the state of Rio de Janeiro: Rodrigo de Freitas Lagoon, characterized by intense human impact and low water renewal, and Sepetiba Bay, a semi-open environment historically contaminated by industrial activities. Collections were conducted during the 2023 rainy season, totaling five sampling points. Samples of Laguncularia racemosa (leaves, stems, roots, and pneumatophores) were obtained, subsequently sanitized, freeze-dried, and stored at -25°C. Total metal concentrations were determined by inductively coupled plasma mass spectrometry (ICP-MS) according to the USEPA 6020B method, and intracellular metals were thermally extracted and quantified by spectrophotometry. Biomarkers of oxidative stress, including lipid peroxidation (CARB), hydrogen peroxide (H2O2), metallothioneins (MT), and reduced glutathione (GSH), were also analyzed as indicators of cellular damage and plant adaptive responses. Principal component analysis (PCA) was used to identify patterns of bioaccumulation and differentiation between sampling sites and plant organs The PCA results demonstrated that intracellular metals had greater discriminatory power than total metals, with clear separation of groups by site and organ. Rodrigo de Freitas Lagoon stood out, presenting a more distinct accumulation profile, associated with higher levels of oxidative stress. Metals such as Cr, As, Mn, V, and Ti were the main drivers of variation between groups, especially in roots and pneumatophores. The correlation between biomarkers and metals highlighted intracellular compartmentalization as a relevant physiological strategy. High MT levels in roots and pneumatophores indicate protective mechanisms, while lipid peroxidation was predominant in leaf and stem tissues, suggesting greater cellular vulnerability in these regions. H2O2 stood out as a signaling molecule with variation between organs. The findings reinforce the role of L. racemosa as an effective bioindicator of metal contamination and contribute to understanding the mechanisms of plant tolerance to chemical stress in coastal areas. Mangrove conservation, especially in areas such as those studied, is essential for protecting biodiversity, mitigating environmental impacts, and maintaining ecosystem services.Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.porConservaçãoEcotoxicologiaManguezaisConservationEcotoxicologyMangrovesConservação dos Recursos NaturaisEcotoxicologiaManguezaisPolítica PúblicaContaminação AmbientalConservationEcotoxicologyMangrovesA planta da espécie Laguncularia racemosa como bioindicadora de contaminação por metais e metaloides em dois importantes manguezais do Estado do Rio de JaneiroThe plant species Laguncularia racemosa as a bioindicator of metal and metalloid contamination in two important mangroves in the State of Rio de Janeiroinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesis2025-02-14Escola Nacional de Saúde Pública Sergio AroucaFundação Oswaldo CruzRio de JaneiroPrograma de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambienteinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da Fiocruz (ARCA)instname:Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)instacron:FIOCRUZLICENSElicense.txttext/plain1748https://arca.fiocruz.br/bitstreams/d982cb2b-fc03-4979-9c4c-96d770347eda/download8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD51falseAnonymousREADORIGINALcamila_nunes_santos_lima_ensp_mest_2025.pdfapplication/pdf2916188https://arca.fiocruz.br/bitstreams/62b0f723-3212-4d18-b1ba-98e2ebe16ead/download0625ce3b29a199df900d0c47f55dbbe4MD52trueAnonymousREADTEXTcamila_nunes_santos_lima_ensp_mest_2025.pdf.txtcamila_nunes_santos_lima_ensp_mest_2025.pdf.txtExtracted texttext/plain102987https://arca.fiocruz.br/bitstreams/f13e8673-4afa-4b08-81e2-40b321c72c48/download6d1edaa6fb028986a4aaf6e3f68cc431MD53falseAnonymousREADTHUMBNAILcamila_nunes_santos_lima_ensp_mest_2025.pdf.jpgcamila_nunes_santos_lima_ensp_mest_2025.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg14916https://arca.fiocruz.br/bitstreams/da059aaf-5b31-48d7-aef3-00180ef902fc/downloadd1755a2a2cfb6b763a2b3abcb064c8feMD54falseAnonymousREADicict/744082026-01-08 15:41:28.204open.accessoai:arca.fiocruz.br:icict/74408https://arca.fiocruz.brRepositório InstitucionalPUBhttps://www.arca.fiocruz.br/oai/requestrepositorio.arca@fiocruz.bropendoar:21352026-01-08T18:41:28Repositório Institucional da Fiocruz (ARCA) - Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)falseTk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=
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