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Tornar-se mãe nas ruas: o que dizem a ciência, mulheres em situação de rua e agentes de estado quando as fronteiras do cuidado, da lei e da cidadania se confrontam?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Santos, Gilney Costa
Orientador(a): Constantino, Patricia
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://arca.fiocruz.br/handle/icict/66469
Resumo: Esta tese mobiliza as experiências de maternidade de mulheres em situação de rua a partir dos discursos produzidos pela ciência, por essas mulheres e agentes de Estado que operam políticas no contexto da garantia de direitos – saúde, judiciário e assistência social - às mulheres e seus descendentes. A tese está estruturada em formato de quatro artigos. O primeiro, faz uma discussão sobre o lugar de fala a partir da resenha do livro de Djamilla Ribeiro, sendo este um referencial de partida para o estudo. O segundo, configura-se numa revisão integrativa da literatura científica que possibilitou uma compreensão sobre a produção discursiva da ciência a respeito das experiências dessas mulheres e o que há de controvérsias, disputas e consensos nesse campo. O terceiro, registra a fala, história e memórias de Carolina, uma mulher gestante em situação de rua. Esse registro foi possível a partir do convívio cotidiano junto a uma equipe de Consultório na Rua. No quarto artigo mobilizamos questões discutidas no espaço do Fórum de Maternidades, Uso de Drogas e Convivência Familiar do Rio de Janeiro e entrevistas semiestruturadas com agentes de Estado que transitam no Fórum e de um Consultório na Rua. As análises sinalizam que as experiências de maternidade dessas mulheres são extremamente complexas, pois se produzem em um profundo contexto de desamparo e desproteção social. A criminalização dessas maternidades tem sido uma tendência global, em que direitos fetais/criança significam retração dos direitos das mulheres. No campo científico, os sentidos dessas experiências são polissêmicos, apesar disso sobressai o discurso de proteção dos direitos fetais/bebês. Há um entendimento dessas maternidades como ponto de inflexão na vida dessas mulheres, quando há não somente o desejo de maternar, mas redes de apoio familiar, comunitária e serviços públicos Carolina ajuda a entender o drama de não conseguir conviver com os limites de uma casa, ao mesmo tempo em que compreende que a rua não favorece o desenvolvimento de uma criança. Sua trajetória de vida nos fez perceber que "entregar" o filho não significa não amá-lo, mas acreditar que quem o "recebe" terá melhores condições de criá-lo. Carolina se torna a expressão da mulher preta que está em situação de rua, mas também, nos rincões das periferias do Brasil Torna-se um imperativo ético e humanitário construir modos de cuidar, ancorados na perspectiva dos direitos humanos para que a garantia dos direitos infantis não se traduzam em violência às mulheres.
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O primeiro, faz uma discussão sobre o lugar de fala a partir da resenha do livro de Djamilla Ribeiro, sendo este um referencial de partida para o estudo. O segundo, configura-se numa revisão integrativa da literatura científica que possibilitou uma compreensão sobre a produção discursiva da ciência a respeito das experiências dessas mulheres e o que há de controvérsias, disputas e consensos nesse campo. O terceiro, registra a fala, história e memórias de Carolina, uma mulher gestante em situação de rua. Esse registro foi possível a partir do convívio cotidiano junto a uma equipe de Consultório na Rua. No quarto artigo mobilizamos questões discutidas no espaço do Fórum de Maternidades, Uso de Drogas e Convivência Familiar do Rio de Janeiro e entrevistas semiestruturadas com agentes de Estado que transitam no Fórum e de um Consultório na Rua. As análises sinalizam que as experiências de maternidade dessas mulheres são extremamente complexas, pois se produzem em um profundo contexto de desamparo e desproteção social. A criminalização dessas maternidades tem sido uma tendência global, em que direitos fetais/criança significam retração dos direitos das mulheres. No campo científico, os sentidos dessas experiências são polissêmicos, apesar disso sobressai o discurso de proteção dos direitos fetais/bebês. Há um entendimento dessas maternidades como ponto de inflexão na vida dessas mulheres, quando há não somente o desejo de maternar, mas redes de apoio familiar, comunitária e serviços públicos Carolina ajuda a entender o drama de não conseguir conviver com os limites de uma casa, ao mesmo tempo em que compreende que a rua não favorece o desenvolvimento de uma criança. Sua trajetória de vida nos fez perceber que "entregar" o filho não significa não amá-lo, mas acreditar que quem o "recebe" terá melhores condições de criá-lo. Carolina se torna a expressão da mulher preta que está em situação de rua, mas também, nos rincões das periferias do Brasil Torna-se um imperativo ético e humanitário construir modos de cuidar, ancorados na perspectiva dos direitos humanos para que a garantia dos direitos infantis não se traduzam em violência às mulheres.In this thesis, we share the perspective of decolonial studies: this is the basis to discuss the maternity experiences of homeless women and to present discourses obtained: a) by science; b) by these women and c) by State agents who operate policies in the context of guaranteeing rights - health, judiciary and social assistance - to these women and their descendants. The thesis is structured in a four-article format. The first one discusses the speaking place, based on the review of the book by Djamilla Ribeiro, which is a starting point for this study. The second article is an integrative review of the scientific literature on the subject. It allowed us to understand the discursive production of science about the experiences of these women, as well as the controversies and internal disputes in this field. The third one records the speech, history and memories of Carolina, a pregnant woman living on the streets. This record came from the daily contact with a team at a consultation office in the street. In the fourth article, we accessed the issues discussed in the space of Motherhoods, Drug Use and Family Living Forum in Rio de Janeiro and semi-structured interviews with State agents who circulate in the Forum and in the consultation office in the street. Our analyzes indicate that these women's motherhood experiences are extremely complex, as they take place in a context of profound helplessness and lack of social protection. The criminalization of these motherhoods has been a global trend, in which fetal/child rights mean retraction of women's rights. In the scientific field, the meanings of these experiences are polysemic, although the discourse of protection of fetal/infant rights stands out These motherhoods are seen as a turning point in the lives of these women, when there is not only the desire to mother, but also the need of family and community support networks and public services capable of transforming expectations into concrete projects. In this sense, Carolina's story helps us to understand the drama of not being able to live within the limits of a house and, at the same time, she understands the streets does not favor the development of a child. Following his life trajectory made us realize that "giving the child for adoption" does not mean not loving him, but believing that whoever "receives" the baby will be better able to raise it. Carolina becomes the expression of the black woman who is on the streets, but also in the corners of the peripheries of Brazil. It becomes an ethical and humanitarian imperative to build ways of caring, anchored in the perspective of human rights, so that the guarantee of children's rights does not translate into violence against women.Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.porMulheresGêneroMaternidadePessoas em Situação de RuaDireitos HumanosWomenGenderMotherhoodHomeless PeopleHuman RightsMulheresIdentidade de GêneroMaternidadePopulação em Situação de RuaDireitos HumanosRevisãoWomenGenderMotherhoodHomeless PeopleHuman Rights01 Erradicação da pobrezaTornar-se mãe nas ruas: o que dizem a ciência, mulheres em situação de rua e agentes de estado quando as fronteiras do cuidado, da lei e da cidadania se confrontam?Becoming a mother on the streets: what do science, homeless women and state agents say when the borders of care, law and citizenship clash?info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesis2022-01-31Escola Nacional de Saúde Pública Sergio AroucaFundação Oswaldo CruzRio de Janeiro/RJPrograma de Pós-Graduação em Saúde Públicainfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA)instname:Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)instacron:FIOCRUZLICENSElicense.txttext/plain1748https://arca.fiocruz.br/bitstreams/dd1420f9-f2be-4f61-8d5c-03bf6c719661/download8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD51falseAnonymousREADORIGINALgilney_costa_santos_ensp_dout_2022.pdfapplication/pdf3724789https://arca.fiocruz.br/bitstreams/68e5df77-e2a9-47fc-a86f-54891dd1d751/download569e6708545f80b0935643fce991d5b0MD52trueAnonymousREADTEXTgilney_costa_santos_ensp_dout_2022.pdf.txtgilney_costa_santos_ensp_dout_2022.pdf.txtExtracted texttext/plain103207https://arca.fiocruz.br/bitstreams/4713a24c-f844-4fbc-a35d-71a8cbf63404/download88af75d5cbe623f27bef6e4d1b1f1ecaMD511falseAnonymousREADTHUMBNAILgilney_costa_santos_ensp_dout_2022.pdf.jpggilney_costa_santos_ensp_dout_2022.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg2465https://arca.fiocruz.br/bitstreams/c1a01f24-776e-4876-bb5c-515a7592d718/downloadff7ad04979cebfce6b2f831fb9d130acMD512falseAnonymousREADicict/664692025-07-29 18:57:17.469open.accessoai:arca.fiocruz.br:icict/66469https://arca.fiocruz.brRepositório InstitucionalPUBhttps://www.arca.fiocruz.br/oai/requestrepositorio.arca@fiocruz.bropendoar:21352025-07-29T21:57:17Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA) - Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)falseTk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=
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