Perfil epidemiológico dos casos notificados e distribuição temporal e espacial da incidência de hanseníase no Extremo Oeste de Santa Catarina, 2012 a 2021

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Bonavigo, Andrei Gustavo
Orientador(a): Silva, Cosme Marcelo Furtado Passos da
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://arca.fiocruz.br/handle/icict/69434
Resumo: A hanseníase é uma doença crônica infecciosa, causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, com alta infectividade e baixa patogenicidade, sendo transmitida pelo contato íntimo domiciliar. O tratamento precoce, disponibilizado gratuitamente no sistema de saúde público no Brasil, evita a evolução da doença para incapacidades físicas irreversíveis e até a morte. Embora não seja uma região endêmica, a baixa incidência da hanseníase no Sul do Brasil pode refletir ações precárias na detecção da doença, contribuindo para o quadro de doenças negligenciadas e favorecendo a cadeia de transmissão. Este estudo analisou o perfil epidemiológico, a incidência, e a distribuição espacial e temporal da hanseníase no período entre 2012 e 2021, em 30 municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina. No período, foram registrados 180 casos novos de hanseníase no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, representando 12,44% dos casos do Estado e 2% da região Sul do Brasil. Houve alta incidência de hanseníase entre indivíduos com menor escolaridade (63,22%) e a predominância de casos entre homens (57,78%) e pessoas acima de 50 anos (60,55%). A condição socioeconômica, verificada com base no cálculo do desempenho global ponderado a partir de dados do censo demográfico de 2010, indicou que mais da metade dos municípios apresentou desempenho ruim. A distribuição dos casos foi desigual, com cinco municípios concentrando 55,56% dos casos novos, o que sugere uma vigilância de saúde mais eficaz nessas localidades. Observou-se uma predominância de casos multibacilares (87,78%) e uma alta taxa de incapacidade física, o que indica diagnósticos tardios. Para a faixa etária de 50 anos ou mais, a doença variou de hiperendêmica a alta durante todo o período A variação temporal dos casos, avaliada pelo modelo de regressão Joinpoint, revelou tendência de redução dos casos entre 2015 a 2018 e de aumento entre 2018 a 2021, variando conforme a faixa etária. O cálculo do Índice de Moran revelou ausência de autocorrelação espacial e clusters específicos de baixa incidência foram identificados através da autocorrelação local LISA. Os resultados deste estudo demonstram que a hanseníase é um problema de saúde pública no Extremo Oeste de Santa Catarina e a manutenção da transmissão da doença é reforçada pela ineficácia na vigilância ativa na maior parte do território. Ações de educação em saúde precisam ser implementadas para a redução do estigma da doença entre a população, gestores e profissionais da saúde, visando a detecção e o tratamento precoce dos casos.
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spelling Bonavigo, Andrei GustavoSilva, Cosme Marcelo Furtado Passos da2025-04-07T15:14:51Z2025-04-07T15:14:51Z2024BONAVIGO, Andrei Gustavo. Perfil epidemiológico dos casos notificados e distribuição temporal e espacial da incidência de hanseníase no Extremo Oeste de Santa Catarina, 2012 a 2021. 2024. 89 f. Dissertação (Mestrado em Epidemiologia em Saúde Pública) - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2024.https://arca.fiocruz.br/handle/icict/69434A hanseníase é uma doença crônica infecciosa, causada pelo bacilo Mycobacterium leprae, com alta infectividade e baixa patogenicidade, sendo transmitida pelo contato íntimo domiciliar. O tratamento precoce, disponibilizado gratuitamente no sistema de saúde público no Brasil, evita a evolução da doença para incapacidades físicas irreversíveis e até a morte. Embora não seja uma região endêmica, a baixa incidência da hanseníase no Sul do Brasil pode refletir ações precárias na detecção da doença, contribuindo para o quadro de doenças negligenciadas e favorecendo a cadeia de transmissão. Este estudo analisou o perfil epidemiológico, a incidência, e a distribuição espacial e temporal da hanseníase no período entre 2012 e 2021, em 30 municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina. No período, foram registrados 180 casos novos de hanseníase no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, representando 12,44% dos casos do Estado e 2% da região Sul do Brasil. Houve alta incidência de hanseníase entre indivíduos com menor escolaridade (63,22%) e a predominância de casos entre homens (57,78%) e pessoas acima de 50 anos (60,55%). A condição socioeconômica, verificada com base no cálculo do desempenho global ponderado a partir de dados do censo demográfico de 2010, indicou que mais da metade dos municípios apresentou desempenho ruim. A distribuição dos casos foi desigual, com cinco municípios concentrando 55,56% dos casos novos, o que sugere uma vigilância de saúde mais eficaz nessas localidades. Observou-se uma predominância de casos multibacilares (87,78%) e uma alta taxa de incapacidade física, o que indica diagnósticos tardios. Para a faixa etária de 50 anos ou mais, a doença variou de hiperendêmica a alta durante todo o período A variação temporal dos casos, avaliada pelo modelo de regressão Joinpoint, revelou tendência de redução dos casos entre 2015 a 2018 e de aumento entre 2018 a 2021, variando conforme a faixa etária. O cálculo do Índice de Moran revelou ausência de autocorrelação espacial e clusters específicos de baixa incidência foram identificados através da autocorrelação local LISA. Os resultados deste estudo demonstram que a hanseníase é um problema de saúde pública no Extremo Oeste de Santa Catarina e a manutenção da transmissão da doença é reforçada pela ineficácia na vigilância ativa na maior parte do território. Ações de educação em saúde precisam ser implementadas para a redução do estigma da doença entre a população, gestores e profissionais da saúde, visando a detecção e o tratamento precoce dos casos.Leprosy is a chronic infectious disease caused by the bacillus Mycobacterium leprae, characterized by high infectivity and low pathogenicity, transmitted through close household contact. Early treatment, which is provided free of charge in Brazil's public health system, prevents the disease from progressing to irreversible physical disabilities and even death. Although the South of Brazil is not an endemic region, the low incidence of leprosy may reflect inadequate disease detection efforts, contributing to the neglected diseases and facilitating the transmission chain. This study analysed the epidemiological profile, incidence, spatial, and temporal distribution of leprosy between 2012 and 2021 in 30 municipalities in the Extreme West of Santa Catarina. A total of 180 new leprosy cases were recorded during this period in the Notification Information System, representing 12.44% of the state's cases and 2% of those in the South of Brazil. There was a high incidence of leprosy among individuals with less schooling (63.22%) and a predominance of cases among men (57.78%) and people over 50 (60.55%). The socioeconomic conditions, verified by calculating of the weighted global performance index based on the 2010 demographic census data, indicated that more than half of the municipalities performed poorly. The distribution of cases was uneven, with five municipalities accounting for 55.56% of new cases, suggesting more effective health surveillance in those areas. A predominance of multibacillary cases (87.78%) and a high rate of physical disability indicated late diagnoses. In individuals aged 50 years and older, the disease varied from hyperendemic to high throughout the study period Temporal variation of cases, evaluated using the Joinpoint regression model, revealed a decreasing trend from 2015 to 2018 and an increasing trend from 2018 to 2021, varying by age group. The Moran Index calculation showed an absence of spatial autocorrelation, while specific clusters of low incidences were identified through local autocorrelation (LISA). The results of this study show that leprosy is a public health issue in the Extreme West of Santa Catarina and the continued transmission of the disease is reinforced by the ineffectiveness of active surveillance across most of the territory. Health education actions need to be implemented to reduce the stigma associated with the disease among the population, managers, and healthcare professionals, aiming at the early detection and treatment of cases.Fundação Oswaldo Cruz. Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.porHanseníaseIncidênciaAnálise espaço-temporalLeprosyIncidenceSpace-Time AnalysisHanseníaseIncidênciaAnálise Espaço-TemporalEpidemiologiaCondições SocioeconômicasEstudos EcológicosEstudos RetrospectivosLeprosyIncidenceSpace-Time AnalysisPerfil epidemiológico dos casos notificados e distribuição temporal e espacial da incidência de hanseníase no Extremo Oeste de Santa Catarina, 2012 a 2021Epidemiological profile of reported cases and temporal and spatial distribution of leprosy incidence in the Far West of Santa Catarina, 2012 to 2021info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesis2024-11-05Escola Nacional de Saúde Pública Sergio AroucaFundação Oswaldo CruzMestrado AcadêmicoRio de Janeiro/RJPrograma de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Públicainfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA)instname:Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)instacron:FIOCRUZLICENSElicense.txttext/plain1748https://arca.fiocruz.br/bitstreams/199e3e13-efd0-4ee8-a949-8cfaf94cdc4e/download8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD51falseAnonymousREADORIGINALandrei_gustavo_bonavigo_ensp_mest_2024.pdfapplication/pdf3404155https://arca.fiocruz.br/bitstreams/eb417bd1-8f63-45ae-81b4-38d2c920324e/download872888c72f973b99f4acf74294f16625MD52trueAnonymousREADTEXTandrei_gustavo_bonavigo_ensp_mest_2024.pdf.txtandrei_gustavo_bonavigo_ensp_mest_2024.pdf.txtExtracted texttext/plain104246https://arca.fiocruz.br/bitstreams/8b585f15-fdd4-4caa-a9f7-c89dcf9603d3/download87723d79e20f43aad7d0681f8aa3941dMD515falseAnonymousREADTHUMBNAILandrei_gustavo_bonavigo_ensp_mest_2024.pdf.jpgandrei_gustavo_bonavigo_ensp_mest_2024.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg12712https://arca.fiocruz.br/bitstreams/738c7e5b-17df-4669-9fcb-32c2afe5719c/download2c29512bdc6411678660627b6b7d4165MD516falseAnonymousREADicict/694342025-12-11 08:27:28.56open.accessoai:arca.fiocruz.br:icict/69434https://arca.fiocruz.brRepositório InstitucionalPUBhttps://www.arca.fiocruz.br/oai/requestrepositorio.arca@fiocruz.bropendoar:21352025-12-11T11:27:28Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA) - Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)falseTk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=
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