Feminismo e aborto no Brasil: lutas históricas e desafios

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Silva, Mércia Lima da
Orientador(a): Araújo Júnior, José Luiz do Amaral Correia de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://arca.fiocruz.br/handle/icict/59742
Resumo: A atual conjuntura de efervescência sobre o debate acerca da descriminalização das mulheres e pela legalização do aborto tem tomado toda a América Latina, incluindo o Brasil. Ocasião favorável para os movimentos feministas, vanguarda da luta pelo direito ao aborto seguro e legal, no âmbito das políticas estatais e da saúde pública. São tempos de evidenciar e denunciar o leque de violação de direitos, explicitando também a exploração e dominação patriarcal-racista-capitalista sobre as mulheres, condição essencial para a manutenção desse sistema. Assim, com a finalidade de contribuir para o debate, é objetivo desta pesquisa identificar as concepções ideopolíticas da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) acerca da descriminalização e legalização do aborto no Brasil, na contemporaneidade. Buscamos investigar e compreender a construção histórica das lutas sociais feministas referentes ao aborto, bem como problematizar o aborto e a violência contra às mulheres, procurando identificar os desafios atuais da luta pela descriminalização e legalização desta prática, no Brasil. Consideramos que a discussão sobre o aborto envolve a construção sócio-histórica das relações sociais de produção e reprodução do capital, estando também diretamente associada aos direitos sexuais e reprodutivos, bem como aos direitos individuais e humanos das mulheres. Para a materialização do estudo, adotamos a pesquisa qualitativa, do tipo dissertativa-argumentativa e as pesquisas bibliográfica e documental (como procedimentos técnicos). Utilizamos sete sítios eletrônicos como fontes de acesso aos documentos, considerando o período entre 2013 e 2017 para a análise destes. Observamos que a luta pelos direitos reprodutivos das mulheres e pela legalização do aborto são bandeiras históricas do movimento feminista, reivindicadas através da luta pelo fim das opressões de gênero e do enfrentamento à violência contra as mulheres. Para os movimentos feministas, a problemática do aborto é assumida, acima de tudo, como questão de saúde pública que perpassa o bem-estar físico e psíquico-mental das mulheres. Notamos que para além da dimensão de direito humano, a luta pelo aborto seguro e legal (no âmbito do Sistema Único de Saúde), significa e, também representa, a luta pela soberania, autonomia, emancipação e liberdade femininas, contemplando a livre expressão da sexualidade e o fim da sociabilidade capitalista. Concluímos que a atual conjuntura de ofensivas à classe trabalhadora, principalmente, ás mulheres com retrocessos e desmontes de direitos, determinam limites e desafios para a luta pela descriminalização da mulheres e legalização do aborto, bem como para o feminismo.
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São tempos de evidenciar e denunciar o leque de violação de direitos, explicitando também a exploração e dominação patriarcal-racista-capitalista sobre as mulheres, condição essencial para a manutenção desse sistema. Assim, com a finalidade de contribuir para o debate, é objetivo desta pesquisa identificar as concepções ideopolíticas da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) acerca da descriminalização e legalização do aborto no Brasil, na contemporaneidade. Buscamos investigar e compreender a construção histórica das lutas sociais feministas referentes ao aborto, bem como problematizar o aborto e a violência contra às mulheres, procurando identificar os desafios atuais da luta pela descriminalização e legalização desta prática, no Brasil. 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Para os movimentos feministas, a problemática do aborto é assumida, acima de tudo, como questão de saúde pública que perpassa o bem-estar físico e psíquico-mental das mulheres. Notamos que para além da dimensão de direito humano, a luta pelo aborto seguro e legal (no âmbito do Sistema Único de Saúde), significa e, também representa, a luta pela soberania, autonomia, emancipação e liberdade femininas, contemplando a livre expressão da sexualidade e o fim da sociabilidade capitalista. Concluímos que a atual conjuntura de ofensivas à classe trabalhadora, principalmente, ás mulheres com retrocessos e desmontes de direitos, determinam limites e desafios para a luta pela descriminalização da mulheres e legalização do aborto, bem como para o feminismo.The current mood of effervescence over the debate about the decriminalization of women and the legalization of abortion has taken all of Latin America, including Brazil. Favorable occasion for feminist movements, vanguard of the struggle for the right to safe and legal abortion, in the scope of state policies and public health. These are times of highlighting and denouncing the range of rights violations, also explaining patriarchal-racist-capitalist exploitation and domination over women, an essential condition for maintaining this system. Thus, in order to contribute to the debate, the objective of this research is to identify the ideopolitical conceptions of the Brazilian Women's Arrangement (WB), the World March of Women (WMW) and the Peasant Women's Movement (MMC) on decriminalization and legalization of abortion in Brazil, in contemporary times. We seek to investigate and understand the historical construction of feminist social struggles regarding abortion, as well as to problematize abortion and violence against women, seeking to identify the current challenges of the fight for decriminalization and legalization of abortion in Brazil. We consider that the discussion about abortion involves the socio-historical construction of the social relations of production and reproduction of capital, and are also directly associated with the human, individual, sexual and reproductive rights of women. For the materialization of the study, we adopted the qualitative research, of the argumentative-essay type and the bibliographical and documentary research (as technical procedures). We used seven electronic sites as sources of access to documents, considering the period between 2013 and 2017 for the analysis of these. We note that the struggle for the reproductive rights of women and the legalization of abortion are historical flags of the feminist movement, which are claimed through the struggle to end gender oppression and to combat violence against women. For feminist movements, the problem of abortion is assumed, above all, as a public health issue that pervades women's physical and psychological-mental well-being. We note that beyond the human right dimension, the struggle for safe and legal abortion within the Unified Health System means and represents the struggle for sovereignty, autonomy, freedom and feminine emancipation, contemplating the free expression of sexuality and the end of capitalist sociability. We conclude that the current conjuncture of offensive to the working class, especially women with setbacks and dismantling of rights, determine limits and challenges for the fight for the decriminalization of women and legalization of abortion as well as for feminism.Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Aggeu Magalhães. Recife, PE, Brasil.Universidade Federal de Pernambuco. Recife, PE, Brasil.porAbortoDireitos Sexuais e ReprodutivosFeminismoLiberdadeSaúde PúblicaAbortionSexual and Reproductive RightsFeminismFreedomPublic healthAbortoDerechos Sexuales y ReproductivosFeminismoLibertadSalud públicaAvortementDroits sexuels et reproductifsFéminismeLibertéSanté publiqueAbortoDireitos Sexuais e ReprodutivosFeminismoLiberdadeSaúde Pública03 Saúde e Bem-Estar05 Igualdade de gêneroFeminismo e aborto no Brasil: lutas históricas e desafiosinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesis2018-11-09Instituto Aggeu MagalhãesFundação Oswaldo CruzMestrado AcadêmicoRecife/PEPrograma de Pós-Graduação em Saúde Públicainfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA)instname:Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)instacron:FIOCRUZLICENSElicense.txttext/plain1748https://arca.fiocruz.br/bitstreams/5fa0d417-ff00-43d7-9ed0-1353b2a5f321/download8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD51falseAnonymousREADORIGINALmércia_silva_iam_mest_2018.pdfmércia_silva_iam_mest_2018.pdfapplication/pdf2789595https://arca.fiocruz.br/bitstreams/380ef555-e5e3-47c2-92bb-5c52f8498fdf/download4fc462352c95ab529f4ebe552b10d8dbMD52trueAnonymousREADTEXTmércia_silva_iam_mest_2018.pdf.txtmércia_silva_iam_mest_2018.pdf.txtExtracted texttext/plain103197https://arca.fiocruz.br/bitstreams/82f083be-2ebd-4b70-b688-e47e5d592075/download52cb0e304854117ae986041c21f7aa19MD511falseAnonymousREADTHUMBNAILmércia_silva_iam_mest_2018.pdf.jpgmércia_silva_iam_mest_2018.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg15559https://arca.fiocruz.br/bitstreams/ab99a65a-9234-457a-be38-b6212ec609a3/downloadd17ca8103f9df45f9dbc03d88d6c1a3fMD512falseAnonymousREADicict/597422025-12-11 08:26:42.134open.accessoai:arca.fiocruz.br:icict/59742https://arca.fiocruz.brRepositório InstitucionalPUBhttps://www.arca.fiocruz.br/oai/requestrepositorio.arca@fiocruz.bropendoar:21352025-12-11T11:26:42Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA) - Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)falseTk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=
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