Histopatologia placentária na infecção vertical por Zika Vírus e o comprometimento clínico no primeiro ano de vida
| Ano de defesa: | 2019 |
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Resumo: | INTRODUÇÃO: Desde sua entrada no Brasil, o Zika vírus (ZIKV) foi relacionado a uma gama de alterações clínicas em fetos de gestantes infectadas. Além das alterações neurológicas, foram descritas as osteoarticulares, auditivas e oculares, constituindo atualmente o amplo espectro da Síndrome da Zika Congênita. O motivo pelo qual alguns lactentes nascem gravemente acometidos enquanto outros se apresentam assintomáticos ainda está sob investigação. Por ser uma infecção congênita, a análise da placenta pode contribuir para responder a esta questão. OBJETIVO: Estudar a histopatologia placentária na infecção vertical pelo ZIKV e sua relação com as alterações clínicas no primeiro ano de vida. METODOLOGIA: Estudo prospectivo de 60 binômios mãe-bebê com infecção por ZIKV comprovada na gestação ou período perinatal por RT-qPCR, cujos partos foram realizados em um hospital terciário no Rio de Janeiro, Brasil, em que a análise histopatológica da placenta e o acompanhamento clínico dos bebês até 12 meses de vida ocorreram no mesmo hospital. RESULTADOS: ZIKV foi mais diagnosticado no primeiro trimestre de gestação (48%). Quase 80% das 60 placentas analisadas apresentaram células inflamatórias: vilosite grau 1 foi o achado mais frequentemente encontrado (55%), seguido de vilosite grau 2 (15%) e vilosite de alto grau (8%). Em 22% não identificamos vilosite. O retardo da maturação vilosa (graus 2 e 3) foi o achado estromal mais frequente (62%), seguido de fibrose (45%), presença de células de Hofbauer (37%) e espessamento perivascular (30%). Classificamos as placentas em 4 grupos para análise estatística: com inflamação e alteração estromal (63% dos casos), com inflamação sem alteração estromal (15%), com alteração estromal sem inflamação (10%), e com alterações mínimas (12%). Dos 60 recém-nascidos (RN), 13% foram prematuros e 20% nasceram pequenos para idade gestacional (PIG) Microcefalia ao nascimento foi encontrada em 32% dos RN, sendo 28% microcefalia grave. Nós avaliamos 52 pelo menos mais uma vez entre 6 e 12 meses de vida. Alteração neurológica clínica foi observada em 22 bebês (22/59, 37%), e detectada ao exame de imagem de sistema nervoso central em 41% (24/59). Além disso, 36% (21/59) foram diagnosticados com epilepsia. Encontramos em 20% (12/60) pelo menos uma deformidade osteoarticular já presente ao nascimento ou diagnosticada ao longo do ano. Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) esteve alterado em 18% (10/55). Também 32% (19/60) tiveram alteração ao exame de fundoscopia. Dos 33 lactentes nascidos assintomáticos e submetidos ao Teste de Bayley III, 18% (6/33) tiveram alteração em pelo menos um domínio. As variáveis estatisticamente significativas em relação aos grupos de acometimento placentário foram peso ao nascimento (p\22640,05) e perímetro cefálico (PC) entre seis e 12 meses (p<0,05). CONCLUSÃO: Em fetos expostos ao ZIKV, placentas com inflamação e alteração estromal estão associadas a baixo peso para idade gestacional ao nascer e reduzido PC após seis meses de vida. De modo inverso, fetos com placentas de alterações mínimas parecem ter menos alterações no desenvolvimento clínico em seu primeiro ano de vida. |
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Por ser uma infecção congênita, a análise da placenta pode contribuir para responder a esta questão. OBJETIVO: Estudar a histopatologia placentária na infecção vertical pelo ZIKV e sua relação com as alterações clínicas no primeiro ano de vida. METODOLOGIA: Estudo prospectivo de 60 binômios mãe-bebê com infecção por ZIKV comprovada na gestação ou período perinatal por RT-qPCR, cujos partos foram realizados em um hospital terciário no Rio de Janeiro, Brasil, em que a análise histopatológica da placenta e o acompanhamento clínico dos bebês até 12 meses de vida ocorreram no mesmo hospital. RESULTADOS: ZIKV foi mais diagnosticado no primeiro trimestre de gestação (48%). Quase 80% das 60 placentas analisadas apresentaram células inflamatórias: vilosite grau 1 foi o achado mais frequentemente encontrado (55%), seguido de vilosite grau 2 (15%) e vilosite de alto grau (8%). Em 22% não identificamos vilosite. O retardo da maturação vilosa (graus 2 e 3) foi o achado estromal mais frequente (62%), seguido de fibrose (45%), presença de células de Hofbauer (37%) e espessamento perivascular (30%). Classificamos as placentas em 4 grupos para análise estatística: com inflamação e alteração estromal (63% dos casos), com inflamação sem alteração estromal (15%), com alteração estromal sem inflamação (10%), e com alterações mínimas (12%). Dos 60 recém-nascidos (RN), 13% foram prematuros e 20% nasceram pequenos para idade gestacional (PIG) Microcefalia ao nascimento foi encontrada em 32% dos RN, sendo 28% microcefalia grave. Nós avaliamos 52 pelo menos mais uma vez entre 6 e 12 meses de vida. Alteração neurológica clínica foi observada em 22 bebês (22/59, 37%), e detectada ao exame de imagem de sistema nervoso central em 41% (24/59). Além disso, 36% (21/59) foram diagnosticados com epilepsia. Encontramos em 20% (12/60) pelo menos uma deformidade osteoarticular já presente ao nascimento ou diagnosticada ao longo do ano. Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) esteve alterado em 18% (10/55). Também 32% (19/60) tiveram alteração ao exame de fundoscopia. Dos 33 lactentes nascidos assintomáticos e submetidos ao Teste de Bayley III, 18% (6/33) tiveram alteração em pelo menos um domínio. As variáveis estatisticamente significativas em relação aos grupos de acometimento placentário foram peso ao nascimento (p\22640,05) e perímetro cefálico (PC) entre seis e 12 meses (p<0,05). CONCLUSÃO: Em fetos expostos ao ZIKV, placentas com inflamação e alteração estromal estão associadas a baixo peso para idade gestacional ao nascer e reduzido PC após seis meses de vida. De modo inverso, fetos com placentas de alterações mínimas parecem ter menos alterações no desenvolvimento clínico em seu primeiro ano de vida.INTRODUCTION: Since its entry, Zika virus (ZIKV) has been related to a range of clinical abnormalities in fetuses of infected pregnant women, in Brazil. In addition to the neurological abnormalities, there were also osteoarticular, auditory and ocular alterations described, constituting the current broad spectrum of the Congenital Zika Syndrome. The reason why some infants are severely affected while others are asymptomatic throughout the nursing period is still under investigation. Because it is a congenital infection, some clues to this answer may lie in the analysis of the placenta. OBJECTIVE: To study placental histopathology in vertical infection by ZIKV and its relationship with clinical changes in the first year of life. METHODS: A prospective study of 60 mother-infant binomials with proven ZIKV infection during gestation or perinatal period by RT-qPCR, whose deliveries were performed in a tertiary hospital in Rio de Janeiro, Brazil, where the histopathological analysis of the placenta and the clinical follow-up of the infants up to 12 months of age occurred in the same hospital. RESULTS: ZIKV was more diagnosed in the first trimester of gestation (48%). Almost 80% of the 60 analyzed placentas had inflammatory cells: grade 1 villitis was most frequently found (55%), followed by grade 2 villitis (15%) and high grade villitis (8%). In 22% of the placentas we did not identify villitis. The retardation of the villous maturation (grades 2 and 3) was the most frequent stromal finding (62%), followed by fibrosis (45%), presence of Hofbauer cells (37%) and perivascular thickening (30%). We classified all the placentas in 4 groups for statistical analysis: with inflammation and stromal alteration (63% of all cases), with inflammation without stromal alteration (15%), with stromal alteration without inflammation (10%), and with minimal alterations (12%). Of 60 newborns (NB), 13% were premature and 20% were born small for gestational age Microcephaly at birth was found in 32% (19/60) of all NB, with 28% of them being severe microcephaly. We could evaluate 52 babies at least once again between 6 and 12 months of life. Clinical neurological abnormalities were observed in 22 infants (22/59, 37%), and abnormalities in CNS imaging test were detected in 41% (24/59). Epilepsy was diagnosed in 36% (21/59). We found that 20% (12/60) presented at least one osteoarticular deformity already present at birth or diagnosed throughout the year. Also, 18% (10/55) presented abnormal BERA examination and 32% (19/60) had ocular fundoscopy exam abnormalities. Of the 33 infants born asymptomatic and submitted to the Bayley III Test, 18% (6/33) had alteration in at least one domain. The variables that were statistically significant in relation to the groups of placental involvement were birth weight (p\22640.05) and CP between six and 12 months (p<0.05). CONCLUSION: Fetuses exposed to ZIKV that present placentas with inflammation and stromal alterations are more likely to develop low birth weight for gestational age and low cephalic perimeter after six months of life. Conversely, fetuses with placentas with minimal alterations appear to have fewer abnormalities in the clinical development during the course of their first year of life.Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Nacional de Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.porZika virusInfecção CongênitaSíndrome da Zika CongênitaPlacentaAcometimento PlacentárioHistopatologiaZika virusPlacentaInfeção por Zika VírusTransmissão vertical de doença infecciosaHistopatologia placentária na infecção vertical por Zika Vírus e o comprometimento clínico no primeiro ano de vidainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesis2019Instituto Nacional de Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente Fernandes FigueiraFundação Oswaldo CruzRio de Janeiro/RJPrograma de Pós-Graduação em Saúde da Criança e da Mulherinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da Fiocruz (ARCA)instname:Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)instacron:FIOCRUZLICENSElicense.txttext/plain1748https://arca.fiocruz.br/bitstreams/c68db37a-89c7-4ef2-b25d-470326aeed48/download8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD51falseAnonymousREADORIGINALizabel_leal_iff_mest_2019.pdfapplication/pdf2061953https://arca.fiocruz.br/bitstreams/4f86983a-b822-40d2-b888-e5f74cbaf658/downloadeb2c0d2d2ac5da8876a742aa623703b9MD52trueAnonymousREADTEXTizabel_leal_iff_mest_2019.pdf.txtizabel_leal_iff_mest_2019.pdf.txtExtracted texttext/plain103094https://arca.fiocruz.br/bitstreams/d48e7040-6b12-4131-a563-d52962a74c85/download372d560fa62ffad039da268da0442d55MD511falseAnonymousREADTHUMBNAILizabel_leal_iff_mest_2019.pdf.jpgizabel_leal_iff_mest_2019.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg15918https://arca.fiocruz.br/bitstreams/49922dc5-e9e2-4f41-80c5-2f2770847388/download249e81b3a5227116a945cdc2bbde21d7MD512falseAnonymousREADicict/445142026-01-09 11:35:02.989open.accessoai:arca.fiocruz.br:icict/44514https://arca.fiocruz.brRepositório InstitucionalPUBhttps://www.arca.fiocruz.br/oai/requestrepositorio.arca@fiocruz.bropendoar:21352026-01-09T14:35:02Repositório Institucional da Fiocruz (ARCA) - Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)falseTk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo= |
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