Caracterização da funcionalidade de macrófagos de hamster dourado (Mesocricetus auratus) em resposta à infecção por Leishmania (Viannia) braziliensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Nuñez Prates, Marina Cambeiro
Orientador(a): Cruz, Alda Maria da
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Fiocruz/IOC
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://arca.fiocruz.br/handle/icict/74616
Resumo: Nosso grupo tem estudado nos últimos anos as alterações clínicas e imunopatológicas durante a evolução da infecção por Leishmania braziliensis em hamster dourado (Mesocricetus auratus), no sentido de se estabelecer parâmetros laboratoriais que permitam utilizar este modelo para o estudo de patogênese e de proteção vacinal na leishmaniose tegumentar americana (LTA). Estudos anteriores relatam que os eventos da fase inicial da infecção podem ser um fator determinante para o seu desfecho. Assim, neste trabalho, buscamos investigar os momentos iniciais da infecção por L. amazonensis ou L. braziliensis no modelo hamster, tanto pela avaliação in vivo dos parâmetros clínicos/parasitológicos e imunológicos como pela avaliação in vitro da funcionalidade de macrófagos peritoneais (MP) e de macrófagos residentes da medula óssea (MRMO) retirados de hamsters infectados por essas duas espécies de Leishmania. Para isso, hamsters foram infectados na pata com 1x105 de promastigotas de L. amazonensis ou L. braziliensis e o desenvolvimento da lesão foi acompanhado por 7 ou 50 dias após a infecção. Após a eutanásia, foi realizada a quantificação da carga parasitária na pata, a dosagem de IgG total anti-Leishmania e foram coletados MP e MRMO. Nos experimentos in vitro, macrófagos foram incubados por 24h e foram infectados com promastigotas de L.amazonensis e L. braziliensis (proporção 1:5). Após 72h de incubação, foram avaliados a porcentagem de macrófagos infectados, o número de amastigotas por macrófago e a produção de óxido nítrico (NO). Nos momentos iniciais da infecção, as lesões dos hamsters infectados por L. amazonensis eram nodulares, não ulceradas e nos dias, 36, 40 e 43 foram significativamente menores do que as lesões daqueles infectados por L. braziliensis, que eram ulceradas e com visível dano tecidual. Por outro lado, nos dias 7 e 50 de infecção, a carga parasitária na pata no grupo infectado por L. amazonensis (7dpi= 4,7 x 104 parasitos/grama de tecido e 50dpi= 2,4 x 108)foi maior que no grupo infectado por L. braziliensis (7dpi=não detectado e 50dpi=9,2x105). No dia 50 de infecção, os níveis de IgG antiLeishmania do grupo infectado por L. amazonensis foram menores que o observado no grupo infectado por L. braziliensis. Nos estudos de funcionalidade dos macrófagos, quando foram utilizados MRMO dos hamsters não infectados, foi observada uma diminuição no número de amastigotas presentes por macrófago após a infecção in vitro por L.braziliensis em comparação com os infectados por L.amazonensis. Quando foram avaliados os macrófagos peritoneais retirados de hamsters, previamente infectados por L.amazonensis (no dia 7 após a infecção), foi observado um aumento significativo na porcentagem de macrófagos infectados in vitro por L.amazonensis quando comparamos com os MP obtidos de hamsters não infectados (naive). Nos MP de hamsters previamente infectados por L.braziliensis também foi observado um aumento na percentagem de MP infectados por L.braziliensis. Não foi detectada a produção de NO em nenhum dos experimentos. Esses resultados in vitro com macrófagos, fazem parte de uma iniciativa para estudar a relação macrófago-L. braziliensis no modelo hamster a fim de elucidar mecanismos básicos desta interação, mas que até então não foram explorados na literatura. Este trabalho reforça a contribuição do modelo hamster para estudos de imunoproteção e imunopatogênese da LTA.
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spelling Nuñez Prates, Marina CambeiroPinto, Eduardo FonsecaCalabrese, Katia da SilvaGomes, Pollyanna StephanieSilva, Silvia Amaral Gonçalves daPinheiro, Roberta OlmoMachado, Patrícia de AlmeidaCruz, Alda Maria da2026-01-15T13:34:38Z2025-04NUÑEZ PRATES, Marina Cambeiro. Caracterização da funcionalidade de macrófagos de hamster dourado (Mesocricetus auratus) em resposta à infecção por Leishmania (Viannia) braziliensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis = Characterization of the functionality of golden hamster (Mesocricetus auratus) macrophages in response to infection by Leishmania (Viannia) braziliensis and Leishmania (Leishmania) amazonensis. 2025. 58 f. Dissertação (Mestrado Acadêmico em Biologia Parasitária) – Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2025.https://arca.fiocruz.br/handle/icict/74616Nosso grupo tem estudado nos últimos anos as alterações clínicas e imunopatológicas durante a evolução da infecção por Leishmania braziliensis em hamster dourado (Mesocricetus auratus), no sentido de se estabelecer parâmetros laboratoriais que permitam utilizar este modelo para o estudo de patogênese e de proteção vacinal na leishmaniose tegumentar americana (LTA). Estudos anteriores relatam que os eventos da fase inicial da infecção podem ser um fator determinante para o seu desfecho. Assim, neste trabalho, buscamos investigar os momentos iniciais da infecção por L. amazonensis ou L. braziliensis no modelo hamster, tanto pela avaliação in vivo dos parâmetros clínicos/parasitológicos e imunológicos como pela avaliação in vitro da funcionalidade de macrófagos peritoneais (MP) e de macrófagos residentes da medula óssea (MRMO) retirados de hamsters infectados por essas duas espécies de Leishmania. Para isso, hamsters foram infectados na pata com 1x105 de promastigotas de L. amazonensis ou L. braziliensis e o desenvolvimento da lesão foi acompanhado por 7 ou 50 dias após a infecção. Após a eutanásia, foi realizada a quantificação da carga parasitária na pata, a dosagem de IgG total anti-Leishmania e foram coletados MP e MRMO. Nos experimentos in vitro, macrófagos foram incubados por 24h e foram infectados com promastigotas de L.amazonensis e L. braziliensis (proporção 1:5). Após 72h de incubação, foram avaliados a porcentagem de macrófagos infectados, o número de amastigotas por macrófago e a produção de óxido nítrico (NO). Nos momentos iniciais da infecção, as lesões dos hamsters infectados por L. amazonensis eram nodulares, não ulceradas e nos dias, 36, 40 e 43 foram significativamente menores do que as lesões daqueles infectados por L. braziliensis, que eram ulceradas e com visível dano tecidual. Por outro lado, nos dias 7 e 50 de infecção, a carga parasitária na pata no grupo infectado por L. amazonensis (7dpi= 4,7 x 104 parasitos/grama de tecido e 50dpi= 2,4 x 108)foi maior que no grupo infectado por L. braziliensis (7dpi=não detectado e 50dpi=9,2x105). No dia 50 de infecção, os níveis de IgG antiLeishmania do grupo infectado por L. amazonensis foram menores que o observado no grupo infectado por L. braziliensis. Nos estudos de funcionalidade dos macrófagos, quando foram utilizados MRMO dos hamsters não infectados, foi observada uma diminuição no número de amastigotas presentes por macrófago após a infecção in vitro por L.braziliensis em comparação com os infectados por L.amazonensis. Quando foram avaliados os macrófagos peritoneais retirados de hamsters, previamente infectados por L.amazonensis (no dia 7 após a infecção), foi observado um aumento significativo na porcentagem de macrófagos infectados in vitro por L.amazonensis quando comparamos com os MP obtidos de hamsters não infectados (naive). Nos MP de hamsters previamente infectados por L.braziliensis também foi observado um aumento na percentagem de MP infectados por L.braziliensis. Não foi detectada a produção de NO em nenhum dos experimentos. Esses resultados in vitro com macrófagos, fazem parte de uma iniciativa para estudar a relação macrófago-L. braziliensis no modelo hamster a fim de elucidar mecanismos básicos desta interação, mas que até então não foram explorados na literatura. Este trabalho reforça a contribuição do modelo hamster para estudos de imunoproteção e imunopatogênese da LTA.In recent years, our group has been studying the clinical and immunopathological changes during the evolution of Leishmania braziliensis infection in the golden hamster (Mesocricetus auratus), with the aim of establishing laboratory parameters that will allow this model to be used to study pathogenesis and vaccine protection in American tegumentary leishmaniasis (ATL). Previous studies have reported that events in the initial phase of infection can be a determining factor in the outcome of the infection. Therefore, in this study, we sought to investigate the early stages of infection with L. amazonensis or L. braziliensis in the hamster model, both by evaluating clinical/parasitological and immunological parameters in vivo and by evaluating the functionality of peritoneal macrophages (PM) and bone marrow resident macrophages (BMRM) extracted from hamsters infected with these two Leishmania species in vitro. To do this, hamsters were infected in the paw with 1×105 promastigotes of L. amazonensis or L. braziliensis and the development of the lesion was monitored for 7 or 50 days after infection. After euthanasia, the parasite load in the paw was quantified, total antiLeishmania IgG was measured and PM and BMRM were collected. In the in vitro experiments, macrophages were incubated for 24 hours and infected with L. amazonensis and L. braziliensis promastigotes (1:5 ratio). After 72 hours of incubation, the percentage of infected macrophages and the number of amastigotes were evaluated. At the initial stages of infection, the lesions of hamsters infected with L. amazonensis were nodular, not ulcerated and on days 36, 40 and 43 were significantly smaller than the lesions of those infected with L. braziliensis, which were ulcerated and showed visible tissue damage. On the other hand, on days 7 and 50 of infection, the parasite load in the paw in the group infected with L. amazonensis (7dpi= 4.7 × 104 parasites/gram of tissue and 50dpi= 2.4 × 108) was higher than in the group infected with L. braziliensis (7dpi=not detected and 50dpi=9.2 ×105). On day 50 of infection, anti- Leishmania IgG levels in the group infected with L. amazonensis were lower than those observed in the group infected with L. braziliensis. In studies of macrophage functionality, when BMRM from uninfected hamsters were used, a decrease in the number of amastigotes present per macrophage was observed after in vitro infection with L.braziliensis compared to those infected with L.amazonensis. When peritoneal macrophages extracted from hamsters previously infected with L.amazonensis were evaluated (on day 7 after infection), a significant increase in the percentage of PM infected in vitro by L.amazonensis was observed when compared to PM obtained from uninfected (naive) hamsters. In the PM extracted of hamsters previously infected with L.braziliensis, an increase in the percentage of PM infected with L.braziliensis was also observed. NO production was not detected in any of the experiments. These initial in vitro results with macrophages are part of an initiative to study the macrophageL. braziliensis relationship in the hamster model in order to elucidate the basic mechanisms of this interaction, which until now have not been explored in the literature. This work reinforces the contribution of the hamster model to studies of immunoprotection and immunopathogenesis of ATL.O presente trabalho foi realizado com apoio de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) - Código de Financiamento 001.Fundação Oswaldo Cruz. Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.porFiocruz/IOCLeishmaniasisLeishmania braziliensisMesocricetusMacrophagesLeishmania braziliensisLeishmania amazonensisMacrófagosModelo hamsterLeishmania braziliensisLeishmania amazonensisMacrophagesHamster modelInfecções::Doenças Transmitidas por Vetores::LeishmanioseEucariotos::Euglenozoários::Kinetoplastida::Trypanosomatina::Leishmania::Leishmania braziliensisEucariotos::Animais::Cordados::Vertebrados::Mamíferos::Eutérios::Roedores::Muridae::Arvicolinae::Cricetinae::MesocricetusCélulas::Células Mieloides::Macrófagos03 Saúde e Bem-EstarCaracterização da funcionalidade de macrófagos de hamster dourado (Mesocricetus auratus) em resposta à infecção por Leishmania (Viannia) braziliensis e Leishmania (Leishmania) amazonensisCharacterization of the functionality of golden hamster (Mesocricetus auratus) macrophages in response to infection by Leishmania (Viannia) braziliensis and Leishmania (Leishmania) amazonensisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesis2025-04-16Instituto Oswaldo CruzFundação Oswaldo CruzMestrado AcadêmicoRio de Janeiro/RJPrograma de Pós-Graduação em Biologia Parasitáriainfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da Fiocruz (ARCA)instname:Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)instacron:FIOCRUZORIGINALmarina_nunez-prates_ioc_mest_2025.pdfmarina_nunez-prates_ioc_mest_2025.pdfapplication/pdf2098669https://arca.fiocruz.br/bitstreams/b3a00d58-7f1c-49a0-8a35-b7f7984bfdba/download2aac6c81019a3a54c24eecc5137ac32fMD51trueAnonymousREADLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain; charset=utf-82991https://arca.fiocruz.br/bitstreams/82163eef-106d-43f3-854c-29f8020fab78/downloadf0fd345b54b5880e45464a0d03b1d0b9MD52falseAnonymousREADTermo - Marina Cambeiro Nuñez Prates.pdfTermo de Cessão 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Células::Células Mieloides::Macrófagos
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description Nosso grupo tem estudado nos últimos anos as alterações clínicas e imunopatológicas durante a evolução da infecção por Leishmania braziliensis em hamster dourado (Mesocricetus auratus), no sentido de se estabelecer parâmetros laboratoriais que permitam utilizar este modelo para o estudo de patogênese e de proteção vacinal na leishmaniose tegumentar americana (LTA). Estudos anteriores relatam que os eventos da fase inicial da infecção podem ser um fator determinante para o seu desfecho. Assim, neste trabalho, buscamos investigar os momentos iniciais da infecção por L. amazonensis ou L. braziliensis no modelo hamster, tanto pela avaliação in vivo dos parâmetros clínicos/parasitológicos e imunológicos como pela avaliação in vitro da funcionalidade de macrófagos peritoneais (MP) e de macrófagos residentes da medula óssea (MRMO) retirados de hamsters infectados por essas duas espécies de Leishmania. Para isso, hamsters foram infectados na pata com 1x105 de promastigotas de L. amazonensis ou L. braziliensis e o desenvolvimento da lesão foi acompanhado por 7 ou 50 dias após a infecção. Após a eutanásia, foi realizada a quantificação da carga parasitária na pata, a dosagem de IgG total anti-Leishmania e foram coletados MP e MRMO. Nos experimentos in vitro, macrófagos foram incubados por 24h e foram infectados com promastigotas de L.amazonensis e L. braziliensis (proporção 1:5). Após 72h de incubação, foram avaliados a porcentagem de macrófagos infectados, o número de amastigotas por macrófago e a produção de óxido nítrico (NO). Nos momentos iniciais da infecção, as lesões dos hamsters infectados por L. amazonensis eram nodulares, não ulceradas e nos dias, 36, 40 e 43 foram significativamente menores do que as lesões daqueles infectados por L. braziliensis, que eram ulceradas e com visível dano tecidual. Por outro lado, nos dias 7 e 50 de infecção, a carga parasitária na pata no grupo infectado por L. amazonensis (7dpi= 4,7 x 104 parasitos/grama de tecido e 50dpi= 2,4 x 108)foi maior que no grupo infectado por L. braziliensis (7dpi=não detectado e 50dpi=9,2x105). No dia 50 de infecção, os níveis de IgG antiLeishmania do grupo infectado por L. amazonensis foram menores que o observado no grupo infectado por L. braziliensis. Nos estudos de funcionalidade dos macrófagos, quando foram utilizados MRMO dos hamsters não infectados, foi observada uma diminuição no número de amastigotas presentes por macrófago após a infecção in vitro por L.braziliensis em comparação com os infectados por L.amazonensis. Quando foram avaliados os macrófagos peritoneais retirados de hamsters, previamente infectados por L.amazonensis (no dia 7 após a infecção), foi observado um aumento significativo na porcentagem de macrófagos infectados in vitro por L.amazonensis quando comparamos com os MP obtidos de hamsters não infectados (naive). Nos MP de hamsters previamente infectados por L.braziliensis também foi observado um aumento na percentagem de MP infectados por L.braziliensis. Não foi detectada a produção de NO em nenhum dos experimentos. Esses resultados in vitro com macrófagos, fazem parte de uma iniciativa para estudar a relação macrófago-L. braziliensis no modelo hamster a fim de elucidar mecanismos básicos desta interação, mas que até então não foram explorados na literatura. Este trabalho reforça a contribuição do modelo hamster para estudos de imunoproteção e imunopatogênese da LTA.
publishDate 2025
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