Um Sertão ao Sul: Caboclos, monges e o poder público nas interpretações dos militares sobre o Contestado (1914-1936)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Vieira, André Vinicio Bialeski
Orientador(a): Hochman, Gilberto
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://arca.fiocruz.br/handle/icict/70578
Resumo: A dissertação analisa como militares, políticos e jornais interpretaram a Guerra do Contestado, moldando a compreensão da região do Planalto Catarinense e de seus habitantes como parte do sertão brasileiro. Para isso, foram examinados livros, palestras, jornais, periódicos científicos e relatos de militares que circularam em diferentes partes do Brasil, escritos por figuras diretamente envolvidas no conflito e que integravam uma rede de diálogo sobre o sertão do Sul. Os principais textos analisados foram produzidos por militares conhecidos na historiografia do Contestado como historiadores de farda, que mantinham um diálogo direto com cientistas civis, trocando leituras e informações. Essas obras, publicadas entre 1914 e 1936, foram escritas pelos militares Antônio Alves Cerqueira (RJ), Dermeval Peixoto (RJ), Ezequiel Antunes de Oliveira (RN), Herculano d'Assumpção (MG), José Vieira da Rosa (SC) e Octaviano Pinto Soares (RS). Os historiadores de farda percebiam a guerra como resultado do fanatismo e banditismo atribuído aos caboclos, influenciados por lideranças religiosas, como os monges curandeiros, e explorados pelas oligarquias locais. Essa visão associava a ausência do poder público e a suposta preservação de práticas indígenas à violência. A dissertação demonstra como essas interpretações ecoavam as ideias de Euclides da Cunha e se alinhavam a projetos de modernização da Primeira República. Estes, por um lado, demandavam a integração do sertão a partir do incremento da presença do Estado com políticas de saúde, educação e segurança. Por outro, essas interpretações se perpetuaram ao longo do tempo e foram reproduzidas em trabalhos historiográficos e didáticos, reforçando a visão negativa atribuída aos sertanejos
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Os principais textos analisados foram produzidos por militares conhecidos na historiografia do Contestado como historiadores de farda, que mantinham um diálogo direto com cientistas civis, trocando leituras e informações. Essas obras, publicadas entre 1914 e 1936, foram escritas pelos militares Antônio Alves Cerqueira (RJ), Dermeval Peixoto (RJ), Ezequiel Antunes de Oliveira (RN), Herculano d'Assumpção (MG), José Vieira da Rosa (SC) e Octaviano Pinto Soares (RS). Os historiadores de farda percebiam a guerra como resultado do fanatismo e banditismo atribuído aos caboclos, influenciados por lideranças religiosas, como os monges curandeiros, e explorados pelas oligarquias locais. Essa visão associava a ausência do poder público e a suposta preservação de práticas indígenas à violência. A dissertação demonstra como essas interpretações ecoavam as ideias de Euclides da Cunha e se alinhavam a projetos de modernização da Primeira República. Estes, por um lado, demandavam a integração do sertão a partir do incremento da presença do Estado com políticas de saúde, educação e segurança. Por outro, essas interpretações se perpetuaram ao longo do tempo e foram reproduzidas em trabalhos historiográficos e didáticos, reforçando a visão negativa atribuída aos sertanejosThis dissertation analyzes how the military, politicians, and newspapers interpreted the Contestado War and shaped the understanding of the Catarinense Plateau region and its inhabitants as part of the Brazilian hinterland. In order to do so, we examined books, lectures, newspapers, and scientific and military journals that circulated in different parts of Brazil, written by figures directly involved in the conflict and who were part of a network of dialogue about the southern hinterland. The main texts analyzed were written by soldiers, known in Contestado historiography as historians in uniform, who maintained a direct dialogue with civilian scholars, exchanging readings and information. These works, published between 1914 and 1936, were written by the soldiers Antônio Alves Cerqueira (RJ), Dermeval Peixoto (RJ), Ezequiel Antunes de Oliveira (RN), Herculano d'Assumpção (MG), José Vieira da Rosa (SC) and Octaviano Pinto Soares (RS). The historians in uniform saw the war as the result of fanaticism and banditry attributed to the caboclos, influenced by religious leaders such as the healing monks, and exploited by the local oligarchies. This view associated the absence of public power and the supposed preservation of indigenous practices with violence. The dissertation shows how these interpretations echoed the ideas of Euclides da Cunha and were in line with the modernization projects of the First Republic. On the one hand, they called for the integration of the hinterland by increasing the presence of the state through health, education, and security policies. On the other hand, these interpretations were perpetuated over time and reproduced in historiographical and didactic works, reinforcing the negative view of the sertanejosO presente trabalho foi realizado com apoio de Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) - Código de Financiamento 001.Fundação Oswaldo Cruz. Casa de Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.porGuerra do ContestadoSertãoPensamento Social BrasileiroMilitaresContestado WarHinterlandBrazilian Social ThoughtMilitaryGuerraViolência ÉtnicaMilitaresHistória do Século XXUm Sertão ao Sul: Caboclos, monges e o poder público nas interpretações dos militares sobre o Contestado (1914-1936)info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesis2025Casa de Oswaldo CruzFundação Oswaldo CruzMestrado AcadêmicoRio de Janeiro/RJPrograma de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúdeinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA)instname:Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)instacron:FIOCRUZLICENSElicense.txttext/plain1748https://arca.fiocruz.br/bitstreams/f8359eaa-49f9-44e2-b8d3-ed8e48cf5180/download8a4605be74aa9ea9d79846c1fba20a33MD51falseAnonymousREADORIGINALPPGHCS_dissertação_André_Vinicio_2025.pdfPPGHCS_dissertação_André_Vinicio_2025.pdfapplication/pdf2251445https://arca.fiocruz.br/bitstreams/d83d3c8d-6991-4548-a3e7-95821171370e/downloada84101c3f129b748207fe434cf527bc5MD52trueAnonymousREADTEXTPPGHCS_dissertação_André_Vinicio_2025.pdf.txtPPGHCS_dissertação_André_Vinicio_2025.pdf.txtExtracted texttext/plain102947https://arca.fiocruz.br/bitstreams/c1b9ef72-0924-431b-b598-48f98e7fce94/download8dab50b632039ac08e044ee54c49339dMD57falseAnonymousREADTHUMBNAILPPGHCS_dissertação_André_Vinicio_2025.pdf.jpgPPGHCS_dissertação_André_Vinicio_2025.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg12651https://arca.fiocruz.br/bitstreams/59a6c6b2-9c79-4178-a21a-5114bb919241/downloada6ba1e29b1c3989512c24fa566272f88MD58falseAnonymousREADicict/705782025-12-11 08:27:04.321open.accessoai:arca.fiocruz.br:icict/70578https://arca.fiocruz.brRepositório InstitucionalPUBhttps://www.arca.fiocruz.br/oai/requestrepositorio.arca@fiocruz.bropendoar:21352025-12-11T11:27:04Repositório Institucional da FIOCRUZ (ARCA) - Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)falseTk9URTogUExBQ0UgWU9VUiBPV04gTElDRU5TRSBIRVJFClRoaXMgc2FtcGxlIGxpY2Vuc2UgaXMgcHJvdmlkZWQgZm9yIGluZm9ybWF0aW9uYWwgcHVycG9zZXMgb25seS4KCk5PTi1FWENMVVNJVkUgRElTVFJJQlVUSU9OIExJQ0VOU0UKCkJ5IHNpZ25pbmcgYW5kIHN1Ym1pdHRpbmcgdGhpcyBsaWNlbnNlLCB5b3UgKHRoZSBhdXRob3Iocykgb3IgY29weXJpZ2h0Cm93bmVyKSBncmFudHMgdG8gRFNwYWNlIFVuaXZlcnNpdHkgKERTVSkgdGhlIG5vbi1leGNsdXNpdmUgcmlnaHQgdG8gcmVwcm9kdWNlLAp0cmFuc2xhdGUgKGFzIGRlZmluZWQgYmVsb3cpLCBhbmQvb3IgZGlzdHJpYnV0ZSB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gKGluY2x1ZGluZwp0aGUgYWJzdHJhY3QpIHdvcmxkd2lkZSBpbiBwcmludCBhbmQgZWxlY3Ryb25pYyBmb3JtYXQgYW5kIGluIGFueSBtZWRpdW0sCmluY2x1ZGluZyBidXQgbm90IGxpbWl0ZWQgdG8gYXVkaW8gb3IgdmlkZW8uCgpZb3UgYWdyZWUgdGhhdCBEU1UgbWF5LCB3aXRob3V0IGNoYW5naW5nIHRoZSBjb250ZW50LCB0cmFuc2xhdGUgdGhlCnN1Ym1pc3Npb24gdG8gYW55IG1lZGl1bSBvciBmb3JtYXQgZm9yIHRoZSBwdXJwb3NlIG9mIHByZXNlcnZhdGlvbi4KCllvdSBhbHNvIGFncmVlIHRoYXQgRFNVIG1heSBrZWVwIG1vcmUgdGhhbiBvbmUgY29weSBvZiB0aGlzIHN1Ym1pc3Npb24gZm9yCnB1cnBvc2VzIG9mIHNlY3VyaXR5LCBiYWNrLXVwIGFuZCBwcmVzZXJ2YXRpb24uCgpZb3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgdGhlIHN1Ym1pc3Npb24gaXMgeW91ciBvcmlnaW5hbCB3b3JrLCBhbmQgdGhhdCB5b3UgaGF2ZQp0aGUgcmlnaHQgdG8gZ3JhbnQgdGhlIHJpZ2h0cyBjb250YWluZWQgaW4gdGhpcyBsaWNlbnNlLiBZb3UgYWxzbyByZXByZXNlbnQKdGhhdCB5b3VyIHN1Ym1pc3Npb24gZG9lcyBub3QsIHRvIHRoZSBiZXN0IG9mIHlvdXIga25vd2xlZGdlLCBpbmZyaW5nZSB1cG9uCmFueW9uZSdzIGNvcHlyaWdodC4KCklmIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uIGNvbnRhaW5zIG1hdGVyaWFsIGZvciB3aGljaCB5b3UgZG8gbm90IGhvbGQgY29weXJpZ2h0LAp5b3UgcmVwcmVzZW50IHRoYXQgeW91IGhhdmUgb2J0YWluZWQgdGhlIHVucmVzdHJpY3RlZCBwZXJtaXNzaW9uIG9mIHRoZQpjb3B5cmlnaHQgb3duZXIgdG8gZ3JhbnQgRFNVIHRoZSByaWdodHMgcmVxdWlyZWQgYnkgdGhpcyBsaWNlbnNlLCBhbmQgdGhhdApzdWNoIHRoaXJkLXBhcnR5IG93bmVkIG1hdGVyaWFsIGlzIGNsZWFybHkgaWRlbnRpZmllZCBhbmQgYWNrbm93bGVkZ2VkCndpdGhpbiB0aGUgdGV4dCBvciBjb250ZW50IG9mIHRoZSBzdWJtaXNzaW9uLgoKSUYgVEhFIFNVQk1JU1NJT04gSVMgQkFTRUQgVVBPTiBXT1JLIFRIQVQgSEFTIEJFRU4gU1BPTlNPUkVEIE9SIFNVUFBPUlRFRApCWSBBTiBBR0VOQ1kgT1IgT1JHQU5JWkFUSU9OIE9USEVSIFRIQU4gRFNVLCBZT1UgUkVQUkVTRU5UIFRIQVQgWU9VIEhBVkUKRlVMRklMTEVEIEFOWSBSSUdIVCBPRiBSRVZJRVcgT1IgT1RIRVIgT0JMSUdBVElPTlMgUkVRVUlSRUQgQlkgU1VDSApDT05UUkFDVCBPUiBBR1JFRU1FTlQuCgpEU1Ugd2lsbCBjbGVhcmx5IGlkZW50aWZ5IHlvdXIgbmFtZShzKSBhcyB0aGUgYXV0aG9yKHMpIG9yIG93bmVyKHMpIG9mIHRoZQpzdWJtaXNzaW9uLCBhbmQgd2lsbCBub3QgbWFrZSBhbnkgYWx0ZXJhdGlvbiwgb3RoZXIgdGhhbiBhcyBhbGxvd2VkIGJ5IHRoaXMKbGljZW5zZSwgdG8geW91ciBzdWJtaXNzaW9uLgo=
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