CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS E CLÍNICAS DE CRIANÇAS COM SUSPEITA DE ABUSO SEXUAL EM SALVADOR, BAHIA

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Silva, Welington dos Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Medicina e Saúde Humana
EBMSP
brasil
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www7.bahiana.edu.br//jspui/handle/bahiana/419
Resumo: Abuso sexual infantil é um importante problema mundial de saúde pública com possíveis repercussões graves de curto e longo prazo sobre a saúde física e mental das vítimas. Os objetivos deste estudo foram: descrever as características da população de crianças que foram submetidas a exame de corpo de delito por suspeita de abuso sexual entre 2005 a 2010 no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues em Salvador, Bahia; descrever a proporção e características dos casos confirmados de abuso sexual por prova material no exame médico legal; e realizar uma análise exploratória para identificar potenciais fatores associados à confirmação de abuso sexual. Os resultados dessa investigação são aqui apresentados em formato de quatro artigos científicos. O primeiro artigo faz uma descrição geral da população estudada. No período estudado, 2802 crianças foram submetidas a exame de sexologia forense por suspeita de abuso sexual. A idade média foi 6,6 anos (DP ± 3). Do total, 78,4% eram do sexo feminino. Quanto ao motivo da perícia, em 85% dos casos havia um relato de abuso sexual no histórico. No exame médico legal, em 67% das crianças periciadas não foi detectada qualquer alteração ao exame. Em 601 casos (21%), foram encontradas alterações inespecíficas em região genital ou anal, que eram insuficientes para confirmar abuso sexual. Houve 39 casos (1,4 %) de crianças com histórico de acidente que não apresentaram vestígios laboratoriais de abuso sexual. A proporção de casos confirmados de abuso sexual por prova material foi de 8,9% (248 casos). O segundo artigo descreve as características do grupo de crianças com abuso sexual confirmado por prova material no exame médico legal. A média de idade foi 8,2 anos (DP ± 3), e 208 (83,9%) casos eram do sexo feminino. Quanto ao motivo da perícia, em 95,6% dos casos havia um relato de abuso sexual no histórico. Rotura himenal foi o achado que confirmou abuso sexual em 172 casos, correspondendo a 83% dos casos confirmados em meninas. Gravidez ocorreu em dois casos. Espermatozoides foram encontrados em oito casos e todos foram examinados até 24 horas após o abuso alegado. O terceiro artigo descreve as características do grupo de 39 crianças com trauma anogenital em que foi alegado uma causa acidental. A média de idade foi 5 (±2,5) anos e 35 (90%) eram meninas. Houve relato de que o evento foi assistido por alguém em 29 (74 %) casos. Queda a cavaleiro sobre objeto rombo foi relatado em 29 (74%) casos. Trauma penetrante foi alegado em 7 (18%) casos e rotura himenal estava presente em 5 casos. O quarto artigo corresponde ao objetivo secundário de identificar potenciais fatores associados à confirmação material de abuso sexual infantil no exame médico legal. Foram selecionadas neste estudo apenas os casos com relato positivo de abuso sexual no histórico da perícia. Além do uso de estatística descritiva como nos primeiros três artigos, foi realizado também análise bivariada através de teste qui quadrado entre as variáveis estudadas e a variável critério. As variáveis com p<0,2 na análise bivariada foram incluídas em um modelo multivariado (Regressão de Poisson). A análise ajustada por Regressão de Poisson demostrou que a presença de relato de penetração estava associado a uma chance cinco vezes maior de confirmação, e a faixa etária de 10 a 11 anos (pré-adolescentes) apresentou uma chance duas vezes maior de ter casos confirmados do que crianças menores. Conclusões: Houve relato de abuso sexual no histórico da perícia em 85% da população estudada e a proporção de casos confirmados por prova material foi de 8,9%. As crianças que relataram penetração e também as que são pré-adolescentes apresentaram uma chance maior de confirmação.
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