Hidroxicloroquina - segurança em geral e eficácia na prevenção de eventos tromboembólicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Edington, Fernando Luiz Barros
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde Humana
EBMSP
brasil
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.bahiana.edu.br:8443/jspui/handle/bahiana/6109
Resumo: Introdução: A cloroquina (CLQ) e a hidroxicloroquina (HCLQ) foram desenvolvidas para o tratamento da malária, mas pesquisas demonstraram que ambas seriam eficazes também para outras doenças como artrite reumatoide (AR) e lúpus eritematoso. Durante a década de 1970, foi postulado que a HCLQ poderia ter um efeito antitrombótico e alguns estudos - observacionais e experimentais - avaliaram essa teoria, sendo que a maioria encontrou um efeito positivo. Recentemente, o uso generalizado da HCLQ como um potencial tratamento para COVID-19 e os relatos crescentes de arritmias cardíacas associadas ao seu uso, levantaram suspeitas sobre sua segurança. Objetivos: Os objetivos deste estudo foram avaliar a segurança da CLQ e da HCLQ e a potencial eficácia da HCLQ na prevenção de eventos tromboembólicos. Métodos: Realizamos duas revisões sistemáticas (RS) concebidas de acordo com os Itens de Relatório Preferenciais para Revisão Sistemática e Metaanálise (PRISMA) e seus protocolos foram registrados no banco de dados PROSPERO (CRD4202019793 e CRD42021247902). Dois autores na primeira RS e quatro na segunda, examinaram independentemente todos os registros obtidos por meio de nossa estratégia de busca e, posteriormente, revisaram a elegibilidade dos textos completos dos artigos selecionados, de acordo com nossos critérios de inclusão. Na primeira RS, incluímos apenas ensaios clínicos randomizados (ECRs) relatando eventos adversos (EA) em usuários de CLQ ou HCLQ durante o tratamento para lúpus, AR, malária e COVID-19. Na segunda RS, incluímos apenas ECRs relatando eventos tromboembólicos em usuários de HCLQ em comparação com não usuários. A qualidade dos estudos incluídos, em ambas as RS, foi avaliada através da ferramenta de risco de viés Cochrane e os dados relevantes extraídos por meio de formulários de coleta de dados personalizados, de forma independente, por pelo menos dois autores. A medida de efeito foi a razão da taxa de incidência (IRR) de EA, na primeira RS, e o risco relativo (RR) de eventos tromboembólicos, na segunda RS. Ambos as medidas de efeito foram estimadas usando um modelo de efeitos aleatórios agrupando os dados extraídos dos estudos individuais. Avaliamos a heterogeneidade em ambas as RS utilizando T 2 e I2, realizamos análise de subgrupos estratificando os ECRs de acordo com critérios pré-estabelecidos, e o viés de publicação foi avaliado por inspeção do gráfico em funil em ambos os estudos. Resultados: Na primeira RS, incluímos 46 ECRs em nossa análise (23.132 pacientes). Nenhuma morte foi atribuída ao uso de CLQ ou HCLQ nos ECRs incluídos. A IRR dos EA gerais durante o uso de antimaláricos foi de 1,15 [IC 95% 1,01-1,31]. Os pacientes com COVID-19 tratados com qualquer um dos antimaláricos apresentaram risco 83% e 165% maior de desenvolver EA gerais e gastrointestinais, respectivamente, em comparação com os controles. O uso de antimaláricos aumentou o risco de desenvolver EA dermatológicos em 92% em estudos de malária e reduziu em 65% em estudos de lúpus. Não encontramos um risco significativamente maior de EA cardiovasculares ou oftalmológicos em usuários de antimaláricos. Na segunda RS, incluímos 13 ECRs em nossa análise (2.663 pacientes). A HCLQ reduziu o risco de eventos tromboembólicos em 49% (RR 0,51 [IC95% 0,31-0,84]) com uma heterogeneidade média (I2 = 67% e T 2 = 0,4948). Conclusões: Nossos dados reforçam a ideia de que a CLQ e a HCLQ têm um bom perfil de segurança e que a HCLQ pode reduzir significativamente o risco de eventos tromboembólicos.
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