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Predileção por resultados positivos “o elefante na sala” da integridade científica em estudos médicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Rabelo, Diego Ribeiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde Humana
EBMSP
brasil
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.bahiana.edu.br:8443/jspui/handle/bahiana/6122
Resumo: Introdução: muitas são as estratégias que os profissionais de saúde utilizam para tomar decisões. Dentre elas, o método científico é o menos frágil e possui grande respaldo por parte da sociedade. Porém, a maioria dos artigos científicos não merecem o prestígio que recebem, pois seus resultados são superestimados. Como consequência, em pesquisas subsequentes poucos destes resultados são confirmados. Sem perceber essa realidade, o sistema científico-acadêmico recompensa produção, muitas vezes, em detrimento da integridade científica do produto. Objetivo: Identificar e avaliar a predileção por resultados positivos em estudos da área médica. Métodos: [Artigo 1] descrevemos a incidência de positivação de estudos originalmente negativos por meio da publicações de análises secundárias (republicações) e analisou o potencial de variáveis relacionadas ao processo de produção e publicação desses artigos predisporem tal positivação. Para tanto, contamos com uma amostra de ensaios clínicos negativos publicados no New England Journal of Medicine no ano de 2014 e suas respectivas republicações publicadas entre os anos de 2014 e 2019; [Artigo 2] selecionamos os primeiros autores de qualquer artigo original publicado durante o primeiro mês do ano de 2019 em três das principais revistas médicas: Journal of the American Medical Association, The British Medical Journal e The Lancet. Os artigos vitalícios publicados por esses indivíduos como primeiros, últimos ou autores correspondentes em periódicos indexados no MedLine® foram selecionados e definidos como positivos ou negativos de acordo com a conclusão do artigo. Um artigo positivo foi definido quando a conclusão confirmou a hipótese do estudo e caso contrário, como negativo. O IIC foi calculado pela razão de artigos negativos (numerador) e artigos positivos (denominador). Um IIC > 1 é desejado como um marcador de integridade científica. Resultados: [Artigo 1] dentre os 43 ensaios clínicos originalmente negativos que compuseram a amostra, 21 foram republicados e 15 tiveram suas conclusões positivadas, resultando em 35% (IC95%, 21-51) de positivações por republicações. Não houve associação entre características dos ensaios clínicos primariamente negativos e positivação por republicação; [Artigo 2] foram selecionados 27 autores, com mediana ao longo da vida de 5 artigos (intervalo interquartil = 1 - 7, mínimo de 1 e máximo de 55) publicados durante a vida em periódicos indexados no MedLine®. A prevalência de artigos positivos foi de 87% (IC95% = 82% - 91%) e a utilização do spin para positivar a conclusão esteve presente em 7,9% dos artigos positivos. Dezesseis autores (59%) não tiveram estudos negativos, levando a um IIC igual a zero. Apenas 4 autores (15%) tiveram um IIC superior a 1. A estimativa média para o índice de integridade foi de 0,50 (± 1,2). Não houve associação entre o índice e o número total de publicações ou a prática de spin. Conclusões: [Artigo 1] a publicação subsequente de republicações de estudos originalmente negativos pode ser frequente e altamente bem-sucedida na positivação de resultados; [Artigo 2] um número maior de artigos positivos em comparação com artigos negativos pode ser um sinal indireto de falta de integridade científica entre autores de publicações importantes em ciências médicas.
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