Estrutura e função cardíaca de praticantes de musculação em uso de esteroides anabólicos androgênicos: inferências sobre magnitude de efeito

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: VALLADARES, Flávia Ribeiro do Prado
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Medicina e Saúde Humana
EBMSP
brasil
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.bahiana.edu.br:8443/jspui/handle/bahiana/7635
Resumo: Introdução: Embora o risco do uso de anabolizantes em promover alterações estruturais e funcionais cardíacas façam parte do senso comum, a causalidade deste binômio exposição e desfecho não é suportada por evidências suficientes. Objetivo: explorar a hipótese de que, no mundo real, indivíduos que utilizam esteroides anabólicos androgênicos com objetivos estéticos, comparados a não usuários, apresentam alterações de estrutura e função cardíaca. Materias e métodos: em um estudo transversal com grupo de exposição e não exposição, foram comparados homens praticantes de musculação que faziam uso de esteroides versus praticantes de musculação não usuários. Alterações de estrutura e função foram avaliados por ecocardiograma transtorácico, sendo o desfecho primário pré-definido como índice de massa do ventrículo esquerdo. Cálculo amostral foi definido a priori, objetivando 80% de poder estatístico (alfa = 5%) para detecção de diferença modesta entre os grupos, tendo a premissa de desvio-padrão do desfecho principal sido contemplada pela distribuição da amostra do estudo. Resultados: Foram incluídos no estudo 34 usuários e 37 não usuários de esteroides com media de idade de 29 ± 6,7 e 30 ± 8,7 respectivamente (p=0,56). Não houve diferenças entre as características clínicas, exceto pelo maior peso corporal (90 ±10 Kg versus 78 ± 11 Kg; p < 0,001), e massa muscular [47 (intervalo interquartil = 39 -55 kg) versus 39 (intervalo interquartil = 33 - 45 kg); p < 0,001] no grupo usuários. Doze diferentes esteroides foram relatados, com dose média de uso semanal de 939 ± 488 mg. Para o desfecho primário de índice de massa do ventrículo esquerdo, ambos os grupos apresentaram valores médios dentro dos limites da normalidade, porém usuários de esteroides apresentaram valores estatisticamente superiores ao não usuários (99± 17 g/m² versus 87 ±11 g/m²; p = 0,001). Em contrapartida, não houve diferença na função sistólica do ventrículo esquerdo medida pela fração de ejeção (59,5% ±5,8 versus 61,8 ± 5; p = 0,08), ou na função diastólica do ventrículo esquerdo (onda e’ septal 9,8 cm/s ± 2,4 versus 10,48 cm/s ± 2,4; p = 0,27). Conclusão: O presente estudo corrobora com a existência de alterações estruturais relacionadas ao uso de esteroides anabolizantes. Por outro lado, a frequência e a magnitude destas alterações e a ausência de impacto observado na função miocárdica sugere a valorização da incerteza, o que promoveria aprofundamento científico quanto ao risco cardiovascular imposto por esta estratégica estética.
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