Balanço de gases de efeito estufa em sistemas leiteiros de clima tropical.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: CHAMILETE, S. A. M.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1167525
https://hdl.handle.net/11449/257350
Resumo: A pecuária leiteira brasileira é atividade relevante em termos econômicos e sociais. A agropecuária nacional é responsável por 28,5% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa (GEE), sendo a atividade leiteira responsável por cerca de 3% das emissões de GEE do Brasil em 2020. O objetivo deste estudo foi estimar o potencial de emissão de metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e dióxido de carbono (CO2), remoção de GEE e balanço de carbono na produção primária, bem como a composição química e padrões higiênico-sanitários de leite de propriedades leiteiras em condições tropicais, considerando os diferentes sistemas de produção. Foram selecionadas 18 propriedades leiteiras, de acordo com seu sistema de produção, classificadas em sistemas com acesso ao pasto (AP) e confinados (C). Foi realizada uma visita em cada propriedade para aplicação de questionário e coleta de dados. A metodologia utilizada para obtenção das estimativas de emissões e remoções de GEE apresentadas, neste estudo, fundamentou-se nas diretrizes do Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa, do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climáticas e do Quarto Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa. Após o cálculo das emissões de GEE, foram contabilizadas as remoções de GEE e, posteriormente, calculou-se o balanço de carbono dos sistemas de produção. Por fim, foi calculada a quantidade de árvores necessárias para a neutralização do sistema de produção. Ademais, foram analisados dados de composição e padrões higiênico-sanitários do leite. Inicialmente, foram realizadas análises descritivas no R com o auxílio do software RStudio. Em seguida, realizou-se o teste de Monte Carlo com o objetivo de avaliar o efeito dos sistemas de produção. Os sistemas AP foram caracterizados como semi-intensivos, apresentando média de 97,68 hectares (ha), menor produtividade de 6.213,33 kg leite/lactação (p<0,001) e 19,13 litros leite/dia (p<0,001), maior teor de gordura do leite (3,93%) (p=0,007) e maior relação concentrado:leite (média 0,46 kg concentrado/litro leite) (p=0,045) comparados aos sistemas C. Além disso, apresentaram menor emissão de CH4 entérico (134,48 kg CH4/vaca/ano) (p=0,017), de CH4 dos dejetos (43,24 kg CH4/vaca/ano) (p=0,042), de N2O direto dos dejetos (0,61 kg N2O/vaca/ano) (p=0,015), N2O indireto dos dejetos (0,84 kg N2O/vaca/ano) (p=0,035), menor intensidade de emissão de GEE provenientes dos dejetos (1.839,18 kg CO2eq/vaca lactante/ano) (p=0,025), bem como maior intensidade de remoção de GEE, média de 0,175 kg CO2eq/kg FPCM comparados aos sistemas confinados. Os sistemas C, por sua vez, foram caracterizados como sistemas intensivos, apresentando média de 95,80 ha, com maior produtividade (10.089,92 kg leite/lactação) (p<0,001) e 31,67 litros leite/dia (p<0,001). Além disso, sistemas C apresentaram menores intensidade de emissão proveniente do CH4 entérico (0,557 kg CO2eq/kg FPCM) (p <0,001), produção e aquisição de alimentos (0,361 kg CO2eq/kg FPCM) (p=0,009), intensidade de emissão de GEE (1,173 kg CO2eq/kg FPCM) (p<0,001) e, consequentemente, menor intensidade do balanço de carbono (1,137 kg CO2eq/kg FPCM) (p<0,001) comparados aos sistemas AP. Em relação à composição e padrões higiênico-sanitários, todas as propriedades apresentaram-se dentro do padrão estabelecido pela IN 58, referente ao leite cru refrigerado. Para ambos os sistemas, verificou-se que a maior fonte de GEE foi a fermentação entérica (47,4%), seguida da produção e aquisição de alimentos (33,8%) e dejetos (18,8%). Em conclusão, os sistemas de produção AP e C demonstraram desempenhos semelhantes em termos de volume anual de leite produzido e eficazes em manter padrões higiênico-sanitários. No entanto, sistemas AP apresentaram maior teor de gordura no leite. Os sistemas C demonstraram-se mais sustentáveis em relação à intensidade de emissão de GEE por leite produzido e corrigido para gordura e proteína, embora sistemas AP tenham apresentado maior capacidade de remoção de GEE, além de área disponível para plantio de árvores em comparação com sistemas C, podendo contribuir positivamente para a mitigação das mudanças climáticas, desde que sejam adotadas práticas de manejo adequadas.
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Foi realizada uma visita em cada propriedade para aplicação de questionário e coleta de dados. A metodologia utilizada para obtenção das estimativas de emissões e remoções de GEE apresentadas, neste estudo, fundamentou-se nas diretrizes do Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa, do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climáticas e do Quarto Inventário Nacional de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa. Após o cálculo das emissões de GEE, foram contabilizadas as remoções de GEE e, posteriormente, calculou-se o balanço de carbono dos sistemas de produção. Por fim, foi calculada a quantidade de árvores necessárias para a neutralização do sistema de produção. Ademais, foram analisados dados de composição e padrões higiênico-sanitários do leite. Inicialmente, foram realizadas análises descritivas no R com o auxílio do software RStudio. Em seguida, realizou-se o teste de Monte Carlo com o objetivo de avaliar o efeito dos sistemas de produção. Os sistemas AP foram caracterizados como semi-intensivos, apresentando média de 97,68 hectares (ha), menor produtividade de 6.213,33 kg leite/lactação (p<0,001) e 19,13 litros leite/dia (p<0,001), maior teor de gordura do leite (3,93%) (p=0,007) e maior relação concentrado:leite (média 0,46 kg concentrado/litro leite) (p=0,045) comparados aos sistemas C. Além disso, apresentaram menor emissão de CH4 entérico (134,48 kg CH4/vaca/ano) (p=0,017), de CH4 dos dejetos (43,24 kg CH4/vaca/ano) (p=0,042), de N2O direto dos dejetos (0,61 kg N2O/vaca/ano) (p=0,015), N2O indireto dos dejetos (0,84 kg N2O/vaca/ano) (p=0,035), menor intensidade de emissão de GEE provenientes dos dejetos (1.839,18 kg CO2eq/vaca lactante/ano) (p=0,025), bem como maior intensidade de remoção de GEE, média de 0,175 kg CO2eq/kg FPCM comparados aos sistemas confinados. 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Em conclusão, os sistemas de produção AP e C demonstraram desempenhos semelhantes em termos de volume anual de leite produzido e eficazes em manter padrões higiênico-sanitários. No entanto, sistemas AP apresentaram maior teor de gordura no leite. Os sistemas C demonstraram-se mais sustentáveis em relação à intensidade de emissão de GEE por leite produzido e corrigido para gordura e proteína, embora sistemas AP tenham apresentado maior capacidade de remoção de GEE, além de área disponível para plantio de árvores em comparação com sistemas C, podendo contribuir positivamente para a mitigação das mudanças climáticas, desde que sejam adotadas práticas de manejo adequadas.Orientação: Renata Tieko Nassu, Embrapa Pecuária Sudeste. Co-Orientação: Teresa Cristina Alves, Embrapa Pecuária Sudeste.SOPHIA APARECIDA MORRO CHAMILETE, UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA.CHAMILETE, S. A. M.2024-09-23T17:54:03Z2024-09-23T17:54:03Z2024-09-232024info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesis2024. 113 f. Dissertação (Mestrado em Alimentos, Nutrição ­e Engenharia de Alimentos) - Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas e Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, SP, 2024.http://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/handle/doc/1167525https://hdl.handle.net/11449/257350porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da EMBRAPA (Repository Open Access to Scientific Information from EMBRAPA - Alice)instname:Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)instacron:EMBRAPA2025-03-16T06:18:29Zoai:www.alice.cnptia.embrapa.br:doc/1167525Repositório InstitucionalPUBhttps://www.alice.cnptia.embrapa.br/oai/requestcg-riaa@embrapa.bropendoar:21542025-03-16T06:18:29Repositório Institucional da EMBRAPA (Repository Open Access to Scientific Information from EMBRAPA - Alice) - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)false
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