Lavagem de capitais na modalidade "ocultar": crime permanente, instantâneo ou instantâneo de efeitos permanentes?
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | https://hdl.handle.net/10438/37611 |
Resumo: | Transferir valores produto de corrupção passiva para uma offshore, localizada em país estrangeiro (registrada em nome de terceiro), é crime de consumação permanente, instantâneo ou instantâneo, de efeitos duradouros? Se a resposta for de consumação permanente, o agente corruptor que tenha solicitado certa quantia em dinheiro e, posteriormente, a transferido para conta secreta no exterior, poderá ser preso em flagrante delito a qualquer momento, enquanto o valor estiver ocultado ou logo após a descoberta da ocultação da quantia mascarada; o prazo permanecerá “suspenso” para que os órgãos da persecução penal possam investigá-lo e acusálo como incurso no delito de lavagem até a apuração da transferência dos valores; eventuais medidas assecuratórias de caráter patrimonial decretadas no curso da investigação deixariam de ser afastadas em razão do decurso do prazo prescricional da pretensão punitiva. Por outro lado, se a resposta for de consumação instantânea ou instantânea de efeitos duradouros ou permanentes, a situação torna-se completamente oposta. O prazo prescricional passa a transcorrer a partir do ato inicial da ocultação dos valores (transferência), sendo a manutenção dos valores na conta apenas mero desdobramento da conduta inicial, circunstância especialmente relevante para agentes menores de 21 anos na data dos fatos ou maiores de 70 anos, quando da prolação da sentença. O flagrante se tornaria possível somente no momento da transferência ou logo após, mais difícil de acontecer na experiência prática. Em que pese as consequências resultantes da vertente interpretativa que defende a natureza permanente do verbo “ocultar”, o Supremo Tribunal Federal no julgamento da AP 863/SP consolidou, por maioria, a natureza permanente de tal conduta, mediante a aplicação dos seguintes critérios: violação permanente ao bem jurídico tutelado, em razão da ação delitiva dominada pelo agente, que pode cassá-la a qualquer momento; ou seja, consumação que persiste em razão da vontade do autor do crime; analogia a delitos previstos na Parte Geral do Código Penal que possuem o elemento típico ocultar (ex.: receptação, ocultação de cadáver); projeção da consumação do crime enquanto os valores estiveram depositados, referindo-se a “um alongar temporal”, até que o órgão responsável pela persecução penal tenha conhecimento da conduta típica. Por tais razões, não meramente teóricas, é imprescindível estudar os critérios doutrinários que classificam os delitos a partir de seu momento consumativo, bem como o modo pelo qual foram aplicados pelo Supremo Tribunal Federal (cumulativamente ou não), visando obter uma análise mais crítica do julgado proferido, tendo em vista as consequências práticas incidentes na esfera de liberdade do investigado ou do acusado, variantes a depender da vertente interpretativa adotada. |
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Convento, Thalita Monteiro MendonçaEscolas::DIREITO SPScalcon, Raquel LimaStoco, Tatiana de Oliveira Guimarães, Adriano Teixeira 2025-09-09T17:25:37Z2025-09-09T17:25:37Z2025-08-20https://hdl.handle.net/10438/37611Transferir valores produto de corrupção passiva para uma offshore, localizada em país estrangeiro (registrada em nome de terceiro), é crime de consumação permanente, instantâneo ou instantâneo, de efeitos duradouros? Se a resposta for de consumação permanente, o agente corruptor que tenha solicitado certa quantia em dinheiro e, posteriormente, a transferido para conta secreta no exterior, poderá ser preso em flagrante delito a qualquer momento, enquanto o valor estiver ocultado ou logo após a descoberta da ocultação da quantia mascarada; o prazo permanecerá “suspenso” para que os órgãos da persecução penal possam investigá-lo e acusálo como incurso no delito de lavagem até a apuração da transferência dos valores; eventuais medidas assecuratórias de caráter patrimonial decretadas no curso da investigação deixariam de ser afastadas em razão do decurso do prazo prescricional da pretensão punitiva. Por outro lado, se a resposta for de consumação instantânea ou instantânea de efeitos duradouros ou permanentes, a situação torna-se completamente oposta. O prazo prescricional passa a transcorrer a partir do ato inicial da ocultação dos valores (transferência), sendo a manutenção dos valores na conta apenas mero desdobramento da conduta inicial, circunstância especialmente relevante para agentes menores de 21 anos na data dos fatos ou maiores de 70 anos, quando da prolação da sentença. O flagrante se tornaria possível somente no momento da transferência ou logo após, mais difícil de acontecer na experiência prática. Em que pese as consequências resultantes da vertente interpretativa que defende a natureza permanente do verbo “ocultar”, o Supremo Tribunal Federal no julgamento da AP 863/SP consolidou, por maioria, a natureza permanente de tal conduta, mediante a aplicação dos seguintes critérios: violação permanente ao bem jurídico tutelado, em razão da ação delitiva dominada pelo agente, que pode cassá-la a qualquer momento; ou seja, consumação que persiste em razão da vontade do autor do crime; analogia a delitos previstos na Parte Geral do Código Penal que possuem o elemento típico ocultar (ex.: receptação, ocultação de cadáver); projeção da consumação do crime enquanto os valores estiveram depositados, referindo-se a “um alongar temporal”, até que o órgão responsável pela persecução penal tenha conhecimento da conduta típica. Por tais razões, não meramente teóricas, é imprescindível estudar os critérios doutrinários que classificam os delitos a partir de seu momento consumativo, bem como o modo pelo qual foram aplicados pelo Supremo Tribunal Federal (cumulativamente ou não), visando obter uma análise mais crítica do julgado proferido, tendo em vista as consequências práticas incidentes na esfera de liberdade do investigado ou do acusado, variantes a depender da vertente interpretativa adotada. Is transferring funds resulting from passive corruption to an offshore company located in a foreign country (registered in the name of a third party) a crime of permanent, instantaneous or instantaneous completion, with lasting effects? If the answer is permanent completion, the corrupt agent who has requested a certain amount of money and subsequently transferred it to a secret account abroad may be arrested in flagrante delicto at any time, while the amount is hidden or immediately after the discovery of the concealment of the masked amount; the time limit for the criminal prosecution bodies to investigate and charge him with the crime of money laundering will remain “suspended” until the transfer of the funds is determined; any precautionary measures of a patrimonial nature decreed during the course of the investigation would no longer be set aside due to the expiration of the prescriptive period of the punitive claim. On the other hand, if the answer is instantaneous completion, with lasting or permanent effects, the situation becomes completely opposite. The prescriptive term begins to run from the initial act of concealment of the amounts (transfer), and the maintenance of the amounts in the account is merely a consequence of the initial conduct, a circumstance that is especially relevant for agents under 21 years of age on the date of the events or over 70 years of age when the sentence is handed down. The flagrant offense would only become possible at the time of the transfer or shortly thereafter, which is more difficult to occur in practical experience. Despite the consequences resulting from the interpretative approach that defends the permanent nature of the verb “to hide”, the Supreme Federal Court, in the judgment of AP 863/SP, consolidated, by majority, the permanent nature of such conduct, by applying the following criteria: permanent violation of the protected legal asset, due to the criminal action dominated by the agent, who can revoke it at any time; that is, consummation that persists due to the will of the perpetrator of the crime; analogy to crimes provided for in the General Part of the Penal Code that have the typical element of concealment (e.g.: receiving stolen goods, concealment of a corpse); projection of the completion of the crime while the amounts were deposited, referring to “a temporal extension”, until the body responsible for criminal prosecution becomes aware of the typical conduct. For such reasons, which are not merely theoretical, it is essential to study the doctrinal criteria that classify crimes based on their completion moment, as well as the way in which they were applied by the Supreme Federal Court (cumulatively or not), in order to obtain a more critical analysis of the judgment handed down, taking into account the practical consequences affecting the sphere of freedom of the investigated or accused, which vary depending on the interpretative approach adopted.porCrime instantâneoCrime permanenteLavagem de capitaisOcultaçãoMomento consumativoInstantaneous crimePermanent crimeMoney launderingConcealmentConsummatory momentDireitoCorrupçãoLavagem de dinheiro - LegislaçãoDireito penal econômicoLavagem de capitais na modalidade "ocultar": crime permanente, instantâneo ou instantâneo de efeitos permanentes?info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional do FGV (FGV 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Corrupção Lavagem de dinheiro - Legislação Direito penal econômico |
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Transferir valores produto de corrupção passiva para uma offshore, localizada em país estrangeiro (registrada em nome de terceiro), é crime de consumação permanente, instantâneo ou instantâneo, de efeitos duradouros? Se a resposta for de consumação permanente, o agente corruptor que tenha solicitado certa quantia em dinheiro e, posteriormente, a transferido para conta secreta no exterior, poderá ser preso em flagrante delito a qualquer momento, enquanto o valor estiver ocultado ou logo após a descoberta da ocultação da quantia mascarada; o prazo permanecerá “suspenso” para que os órgãos da persecução penal possam investigá-lo e acusálo como incurso no delito de lavagem até a apuração da transferência dos valores; eventuais medidas assecuratórias de caráter patrimonial decretadas no curso da investigação deixariam de ser afastadas em razão do decurso do prazo prescricional da pretensão punitiva. Por outro lado, se a resposta for de consumação instantânea ou instantânea de efeitos duradouros ou permanentes, a situação torna-se completamente oposta. O prazo prescricional passa a transcorrer a partir do ato inicial da ocultação dos valores (transferência), sendo a manutenção dos valores na conta apenas mero desdobramento da conduta inicial, circunstância especialmente relevante para agentes menores de 21 anos na data dos fatos ou maiores de 70 anos, quando da prolação da sentença. O flagrante se tornaria possível somente no momento da transferência ou logo após, mais difícil de acontecer na experiência prática. Em que pese as consequências resultantes da vertente interpretativa que defende a natureza permanente do verbo “ocultar”, o Supremo Tribunal Federal no julgamento da AP 863/SP consolidou, por maioria, a natureza permanente de tal conduta, mediante a aplicação dos seguintes critérios: violação permanente ao bem jurídico tutelado, em razão da ação delitiva dominada pelo agente, que pode cassá-la a qualquer momento; ou seja, consumação que persiste em razão da vontade do autor do crime; analogia a delitos previstos na Parte Geral do Código Penal que possuem o elemento típico ocultar (ex.: receptação, ocultação de cadáver); projeção da consumação do crime enquanto os valores estiveram depositados, referindo-se a “um alongar temporal”, até que o órgão responsável pela persecução penal tenha conhecimento da conduta típica. Por tais razões, não meramente teóricas, é imprescindível estudar os critérios doutrinários que classificam os delitos a partir de seu momento consumativo, bem como o modo pelo qual foram aplicados pelo Supremo Tribunal Federal (cumulativamente ou não), visando obter uma análise mais crítica do julgado proferido, tendo em vista as consequências práticas incidentes na esfera de liberdade do investigado ou do acusado, variantes a depender da vertente interpretativa adotada. |
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