Regionalização e universalização: a regulação do saneamento básico, a estrutura tarifária e as discrepâncias no subsídio cruzado no município do Rio de Janeiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Paixão, Juliana Patricio da
Orientador(a): Salinas, Natasha Schmitt Caccia
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/10438/36917
Resumo: A tese analisa como a fixação da estrutura tarifária brasileira reflete a premissa da Lei n. 14.026/2020 de que a prestação regionalizada do saneamento básico teria maior aptidão para garantir eficiência técnica, operacional e econômica visando a universalização dos serviços. A partir de análise documental histórica e estudo de caso do Município do Rio de Janeiro, demonstra-se que essa premissa legislativa ainda não se consolidou na prática regulatória. A pesquisa revela que a produção normativa das agências reguladoras, tanto em nível nacional quanto subnacional, ainda não incorporou de forma efetiva a economia de escala na fixação da estrutura tarifária. O estudo evidencia a existência de políticas pontuais e temporárias no setor, sem visão estratégica de longo prazo, resultando em discrepâncias na estrutura tarifária. A análise do caso do Município do Rio de Janeiro demonstra que não está clara a forma como é concretizada a técnica do subsídio cruzado dentro da estrutura tarifária. As normas das agências reguladoras são excessivamente genéricas, limitando-se a reproduzir normas legais ou indicar definições setoriais em regulação apenas prescritiva, sem contribuir efetivamente para a uniformização das normas regulatórias. Este vácuo regulatório tem duas consequências principais, identificadas como achados relevantes da pesquisa. A primeira consequência é a forte judicialização da política tarifária, com o Poder Judiciário sendo frequentemente chamado a definir aspectos técnicos que deveriam ser estabelecidos pelos órgãos reguladores competentes. A segunda é a necessidade de intervenção direta do Poder Legislativo federal em temas regulatórios, como ocorreu com a edição da Lei nº 14.898/2024 sobre tarifa social, suprindo uma omissão da ANA nesta matéria fundamental para a universalização dos serviços. A partir deste diagnóstico, torna-se evidente a necessidade de repensar o papel das agências reguladoras no setor de saneamento básico. Para que a premissa legislativa da Lei n. 14.026/2020 se concretize, é fundamental que estes entes assumam uma postura mais proativa na construção da rede regulatória e na promoção de consensos setoriais tecnicamente fundamentados. Esta tese pretende contribuir para este debate, oferecendo não apenas uma análise crítica do cenário atual, mas também propostas concretas para o aperfeiçoamento da regulação setorial. O objetivo é apontar caminhos para uma regulação mais efetiva, que supere a mera reprodução normativa e considere adequadamente as complexidades e especificidades do setor, visando a efetiva universalização do acesso ao saneamento básico.
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spelling Paixão, Juliana Patricio daEscolas::DIREITO RIORibeiro, Leandro MolhanoSampaio, Patrícia Regina PinheiroSalinas, Natasha Schmitt Caccia2025-05-15T16:14:26Z2025-05-15T16:14:26Z2025-01-24https://hdl.handle.net/10438/36917A tese analisa como a fixação da estrutura tarifária brasileira reflete a premissa da Lei n. 14.026/2020 de que a prestação regionalizada do saneamento básico teria maior aptidão para garantir eficiência técnica, operacional e econômica visando a universalização dos serviços. A partir de análise documental histórica e estudo de caso do Município do Rio de Janeiro, demonstra-se que essa premissa legislativa ainda não se consolidou na prática regulatória. A pesquisa revela que a produção normativa das agências reguladoras, tanto em nível nacional quanto subnacional, ainda não incorporou de forma efetiva a economia de escala na fixação da estrutura tarifária. O estudo evidencia a existência de políticas pontuais e temporárias no setor, sem visão estratégica de longo prazo, resultando em discrepâncias na estrutura tarifária. A análise do caso do Município do Rio de Janeiro demonstra que não está clara a forma como é concretizada a técnica do subsídio cruzado dentro da estrutura tarifária. As normas das agências reguladoras são excessivamente genéricas, limitando-se a reproduzir normas legais ou indicar definições setoriais em regulação apenas prescritiva, sem contribuir efetivamente para a uniformização das normas regulatórias. Este vácuo regulatório tem duas consequências principais, identificadas como achados relevantes da pesquisa. A primeira consequência é a forte judicialização da política tarifária, com o Poder Judiciário sendo frequentemente chamado a definir aspectos técnicos que deveriam ser estabelecidos pelos órgãos reguladores competentes. A segunda é a necessidade de intervenção direta do Poder Legislativo federal em temas regulatórios, como ocorreu com a edição da Lei nº 14.898/2024 sobre tarifa social, suprindo uma omissão da ANA nesta matéria fundamental para a universalização dos serviços. A partir deste diagnóstico, torna-se evidente a necessidade de repensar o papel das agências reguladoras no setor de saneamento básico. Para que a premissa legislativa da Lei n. 14.026/2020 se concretize, é fundamental que estes entes assumam uma postura mais proativa na construção da rede regulatória e na promoção de consensos setoriais tecnicamente fundamentados. Esta tese pretende contribuir para este debate, oferecendo não apenas uma análise crítica do cenário atual, mas também propostas concretas para o aperfeiçoamento da regulação setorial. O objetivo é apontar caminhos para uma regulação mais efetiva, que supere a mera reprodução normativa e considere adequadamente as complexidades e especificidades do setor, visando a efetiva universalização do acesso ao saneamento básico.The thesis analyzes how the Brazilian tariff structure reflects the premise of Law 14.026/2020 that regionalized sanitation services would have a greater ability to ensure technical, operational, and economic efficiency aimed at service universalization. Based on historical documentary analysis and a case study of the Municipality of Rio de Janeiro, it demonstrates that this legislative premise has not been consolidated in regulatory practice yet. The research reveals that the normative production of regulatory agencies, both at national and subnational levels, has not effectively incorporated economies of scale in setting the tariff structure. The study highlights the existence of specific and temporary policies in the sector, without long-term strategic overview, resulting in tariff structural discrepancies. The analysis of the Rio de Janeiro case demonstrates that the implementation of cross-subsidy techniques within the tariff structure is not clear. The reference standards of regulatory agencies are excessively generic, limited to reproducing legal norms or indicating sectoral definitions in merely prescriptive regulation, without effectively contributing to the standardization of regulatory norms. Two relevant findings were identified in the research: first, the strong judicialization of policy with consequent judicial activism, where several important aspects of the tariff structure ended up being defined by the Judiciary; second, the National Water Agency's omission regarding social tariffs, which had to be regulated through legislative initiative via Law 14.898/2024. The thesis concludes that for the legislative premise of Law 14.026/2020 to materialize, it is essential that regulatory agencies take a more proactive role in building the regulatory network and seeking consensus, overcoming mere normative reproduction without in-depth technical studies.porRegulaçãoRegionalizaçãoUniversalizaçãoSaneamento básicoSubsídio cruzadoRegulationRegionalizationUniversalizationBasic sanitationCross-subsidyDireitoDireito regulatórioDireito públicoSaneamentoSaúde públicaRegionalização e universalização: a regulação do saneamento básico, a estrutura tarifária e as discrepâncias no subsídio cruzado no município do Rio de Janeiroinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional do FGV (FGV Repositório Digital)instname:Fundação Getulio Vargas (FGV)instacron:FGVORIGINALTESE JULIANA PATRICIO DA PAIXAO - versao deposito.pdfTESE JULIANA PATRICIO DA PAIXAO - versao 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Saneamento
Saúde pública
description A tese analisa como a fixação da estrutura tarifária brasileira reflete a premissa da Lei n. 14.026/2020 de que a prestação regionalizada do saneamento básico teria maior aptidão para garantir eficiência técnica, operacional e econômica visando a universalização dos serviços. A partir de análise documental histórica e estudo de caso do Município do Rio de Janeiro, demonstra-se que essa premissa legislativa ainda não se consolidou na prática regulatória. A pesquisa revela que a produção normativa das agências reguladoras, tanto em nível nacional quanto subnacional, ainda não incorporou de forma efetiva a economia de escala na fixação da estrutura tarifária. O estudo evidencia a existência de políticas pontuais e temporárias no setor, sem visão estratégica de longo prazo, resultando em discrepâncias na estrutura tarifária. A análise do caso do Município do Rio de Janeiro demonstra que não está clara a forma como é concretizada a técnica do subsídio cruzado dentro da estrutura tarifária. As normas das agências reguladoras são excessivamente genéricas, limitando-se a reproduzir normas legais ou indicar definições setoriais em regulação apenas prescritiva, sem contribuir efetivamente para a uniformização das normas regulatórias. Este vácuo regulatório tem duas consequências principais, identificadas como achados relevantes da pesquisa. A primeira consequência é a forte judicialização da política tarifária, com o Poder Judiciário sendo frequentemente chamado a definir aspectos técnicos que deveriam ser estabelecidos pelos órgãos reguladores competentes. A segunda é a necessidade de intervenção direta do Poder Legislativo federal em temas regulatórios, como ocorreu com a edição da Lei nº 14.898/2024 sobre tarifa social, suprindo uma omissão da ANA nesta matéria fundamental para a universalização dos serviços. A partir deste diagnóstico, torna-se evidente a necessidade de repensar o papel das agências reguladoras no setor de saneamento básico. Para que a premissa legislativa da Lei n. 14.026/2020 se concretize, é fundamental que estes entes assumam uma postura mais proativa na construção da rede regulatória e na promoção de consensos setoriais tecnicamente fundamentados. Esta tese pretende contribuir para este debate, oferecendo não apenas uma análise crítica do cenário atual, mas também propostas concretas para o aperfeiçoamento da regulação setorial. O objetivo é apontar caminhos para uma regulação mais efetiva, que supere a mera reprodução normativa e considere adequadamente as complexidades e especificidades do setor, visando a efetiva universalização do acesso ao saneamento básico.
publishDate 2025
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