Impactos do ruído antropogênico no comportamento do peixe-donzela, Stegastes fuscus (Cuvier, 1830)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Costa, Aléxia Antonia Lessa da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.repositorio.mar.mil.br/handle/ripcmb/846010
Resumo: Ruídos antropogênicos representam uma constante ameaça aos ecossistemas marinhos. Visto que organismos marinhos utilizam o som em diversas atividades do seu ciclo de vida, o aumento do tráfego marítimo pode ter efeitos significativos na dinâmica e resiliência de sistemas naturais. O peixe-donzela Stegastes fuscus é uma espécie chave na dinâmica de sistemas recifais rasos, visto papel como herbívoro e comportamento territorialista. Pertencendo a uma família que tem biofonia conhecida e associada a comportamentos diversos, representa uma boa espécie modelo para a avaliação de impactos causados por atividades antropogênicas. O objetivo deste trabalho foi de avaliar o impacto do ruído gerado por embarcações de turismo náutico no comportamento de Stegastes fuscus em costões rochosos de Arraial do Cabo (22° 58 'S 42° 01 'W). Para isso foram realizados experimentos in situ. Territórios de S. fuscus foram selecionados em cada site de modo que uma fonte acústica ficasse posicionada centralmente a três territórios (=indivíduos). Para cada indivíduo foi aplicado um dos tratamentos: Tratamento 1: 10 min sem a transmissão de som (controle) + 10 minutos de playback de barcos (200 Hz-1 kHz); Tratamento 2: 10 minutos sem a transmissão de som (controle) + 10 minutos de um som artificial (400Hz). As faixas de som foram feitas usando 30s de som intercalados com 30s de silêncio em looping por 10 minutos. Respostas comportamentais foram analisadas através de filmagens remotas, considerando as frequências de comportamentos agonísticos (núm. de chases/minuto), taxas de forrageamento (núm. de mordidas/minuto) e o tempo de refúgio (tempo gasto escondido). As observações foram divididas em três períodos: 10 minutos antes do som (“pré”), os 10 minutos de exposição a um dos tratamentos (“durante”), e os 10 minutos seguintes (`'após"). Para avaliar se existiram diferenças nos comportamentos entre os períodos analisados foi usado um teste de Friedman (α < 0.05). Os peixes apresentaram mudanças comportamentais significativas associadas aos períodos de exposição ao som. Os indivíduos aumentaram significativamente seu tempo de refúgio durante a exposição do som, em comparação ao momento pré-exposição (Tratamento 1: p = 0.009; Tratamento 2, p = 0.008). Além disso, quando submetidos aos diferentes sons os indivíduos diminuíram significativamente suas taxas de forrageamento (Tratamento 1: p = 0.003; Tratamento 2, p = 0.01). Tais mudanças nas taxas de forrageamento e defesa do território podem ter efeitos potenciais sobre o fitness populacional. Já que a espécie possui um papel funcional importante nos sistemas recifais rasos, como herbívoro territorial mais abundante em toda a costa brasileira. Os efeitos detectados influenciaram significativamente comportamentos chaves no ciclo de vida da espécie, o que pode gerar efeitos críticos na dinâmica dos recifes como um todo. A paisagem acústica submarina está mudando rapidamente e com isso há uma necessidade urgente de avaliar os impactos dessa pressão antropogênica sobre espécies e processos, de modo a fornecer medidas de mitigação desse impacto ainda negligenciado.
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Para isso foram realizados experimentos in situ. Territórios de S. fuscus foram selecionados em cada site de modo que uma fonte acústica ficasse posicionada centralmente a três territórios (=indivíduos). Para cada indivíduo foi aplicado um dos tratamentos: Tratamento 1: 10 min sem a transmissão de som (controle) + 10 minutos de playback de barcos (200 Hz-1 kHz); Tratamento 2: 10 minutos sem a transmissão de som (controle) + 10 minutos de um som artificial (400Hz). As faixas de som foram feitas usando 30s de som intercalados com 30s de silêncio em looping por 10 minutos. Respostas comportamentais foram analisadas através de filmagens remotas, considerando as frequências de comportamentos agonísticos (núm. de chases/minuto), taxas de forrageamento (núm. de mordidas/minuto) e o tempo de refúgio (tempo gasto escondido). As observações foram divididas em três períodos: 10 minutos antes do som (“pré”), os 10 minutos de exposição a um dos tratamentos (“durante”), e os 10 minutos seguintes (`'após"). Para avaliar se existiram diferenças nos comportamentos entre os períodos analisados foi usado um teste de Friedman (α < 0.05). Os peixes apresentaram mudanças comportamentais significativas associadas aos períodos de exposição ao som. Os indivíduos aumentaram significativamente seu tempo de refúgio durante a exposição do som, em comparação ao momento pré-exposição (Tratamento 1: p = 0.009; Tratamento 2, p = 0.008). Além disso, quando submetidos aos diferentes sons os indivíduos diminuíram significativamente suas taxas de forrageamento (Tratamento 1: p = 0.003; Tratamento 2, p = 0.01). Tais mudanças nas taxas de forrageamento e defesa do território podem ter efeitos potenciais sobre o fitness populacional. Já que a espécie possui um papel funcional importante nos sistemas recifais rasos, como herbívoro territorial mais abundante em toda a costa brasileira. Os efeitos detectados influenciaram significativamente comportamentos chaves no ciclo de vida da espécie, o que pode gerar efeitos críticos na dinâmica dos recifes como um todo. A paisagem acústica submarina está mudando rapidamente e com isso há uma necessidade urgente de avaliar os impactos dessa pressão antropogênica sobre espécies e processos, de modo a fornecer medidas de mitigação desse impacto ainda negligenciado.Anthropogenic noise is a major threat to biodiversity. Since marine organisms use sound in many activities in their life cycle, increased nautical traffic can have significant effects on critical behaviors, such as foraging and territoriality. The damselfish Stegastes fuscus (Pomacentridae) is a key species influencing the dynamics of shallow reef systems along the Brazilian coast. This species represents an important model to assess the impacts caused by anthropogenic activities. The present work aims to evaluate the impact of noise generated by nautical tourism vessels on the behavior of S. fuscus in subtropical coastal rocky reefs of Arraial do Cabo (22°58'S 42°01'W). For this, in situ experiments were carried out. Territories of S. fuscus were randomly selected from different sampling sites and an underwater loudspeaker was placed in a central position, at least 1 m from the individual's territories, so that it could cover more than one territory (= individual) at once. For each replicate it was applied: Treatment 1: 10 min without sound transmission (control) + 10 minutes of boat playback (200Hz-1kHz) or Treatment 2: 10 minutes without sound transmission (control) + 10 minutes of an artificial sound (400Hz). Tracks were made using 30s of noise and 30s of silence, in a loop for 10 minutes. Behavioral responses were analyzed by remote filming, considering the frequencies of agonistic behaviors (chases/minute), foraging rates (bites/minute) and refuge time (time spent hiding). Observations were divided in three periods of time: 10 min prior to the sound treatment (‘pre’), as our control, the 10 min trials of the soundtrack (‘during’) and the 10 minutes following the sound treatment (‘post’). To evaluate differences between behavior within periods of time a Friedman test was used (α < 0.05). Fish had significant behavior modifications associated with different sound exposures. Individuals increased their refuge time when exposed to sound compared to the moment of pre-exposure (Treatment 1: p = 0.009; Treatment 2, p = 0.008) in both treatments. And also had lower foraging rates during noise exposure period compared to pre-exposure (Treatment 1: p = 0.003; Treatment 2, p = 0.01). Such changes in foraging and territory defense rates may have potential effects on population fitness. Since the species has a functional role as the most abundant territorial herbivore in the system, the detected effects can significantly alter the reef dynamics. The underwater acoustic soundscape is changing rapidly and with it there is an urgent need to assess the impacts of this anthropogenic pressure and provide measures to mitigate this still-neglected impact.Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM)Ferreira, Carlos Eduardo LeiteCosta, Aléxia Antonia Lessa da2023-03-23T12:51:05Z2023-03-23T12:51:05Z2022info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.repositorio.mar.mil.br/handle/ripcmb/846010info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Produção Científica da Marinha do Brasil (RI-MB)instname:Marinha do Brasil (MB)instacron:MB2024-12-09T11:40:56Zoai:www.repositorio.mar.mil.br:ripcmb/846010Repositório InstitucionalPUBhttps://www.repositorio.mar.mil.br/oai/requestdphdm.repositorio@marinha.mil.bropendoar:2024-12-09T11:40:56Repositório Institucional da Produção Científica da Marinha do Brasil (RI-MB) - Marinha do Brasil (MB)false
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