Willy Aureli e a Bandeira Piratininga : expedições, imprensa e literatura (1937-1968)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Kurtz, Leonardo Birnfeld
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Humanidades
Brasil
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em História
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/10692
Resumo: Willy Aureli (1898-1968) foi um jornalista, escritor, sertanista e indigenista paulista que entre 1937-1959 criou e liderou a Bandeira Piratininga, um grupo de expedição privada. Essa Bandeira viajou em cinco ocasiões diferentes para a mesopotâmia dos rios Araguaia e das Mortes, almejando alcançar marcos geográficos, mapear rios e fazer contato com indígenas da região, especialmente Carajás, Caiapós, Tapirapés e Xavantes. O grupo se configurou como uma iniciativa privada cujo financiamento dependia em grande parte de cidadãos paulistas, empresas, editoras e periódicos. Suas atividades, mesmo que privadas, entravam em consonância com os objetivos da Marcha para o Oeste. Ainda assim, sua trajetória foi alvo de críticas de autoridades vinculadas ao Estado, jornalistas, cientistas e missionários, fato que obrigou Aureli a constantemente se preocupar em fazer concessões, negociar e defender-se na imprensa e em livros de sua autoria. Dessa forma, Willy e sua Bandeira participaram de um campo de disputa cujos diferentes agentes competiam pela primazia de uma forma de contatar indígenas, explorar a natureza e produzir conhecimento. Utilizando-se da literatura, com a análise de 8 dos 10 livros de Aureli, e da imprensa, pesquisando notícias vinculadas à Bandeira Piratininga nos acervos de O Globo, Folha de São Paulo e Hemeroteca Digital entre os anos de 1937-2022, foi possível descrever de forma minuciosa as expedições de 1937 e 1938 e analisar a forma como Willy se posicionava no campo indigenista. As duas primeiras incursões podem ser compreendidas como momentos formadores da Piratininga que possibilitaram identificar a constituição dos integrantes, financiamento, objetivos e itinerários. A análise da maneira como Aureli se constituía discursivamente perante seus interlocutores, assim como quando se dirigia a outros, resultou na identificação de uma série de tendências e eventuais mudanças na sua forma de descrever a natureza, indígenas, sertanejos, agentes do Estado e missões cristãs que atuavam na região explorada. Ao longo de sua vida e obra, Willy buscou constituir-se como observador crível do sertão, cuja fonte de credibilidade estava na sua experiência empírica do local, opondo-se à acadêmicos ou agentes indigenistas que demonstravam ceticismo quanto aos resultados e a ação da Piratininga.
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Ainda assim, sua trajetória foi alvo de críticas de autoridades vinculadas ao Estado, jornalistas, cientistas e missionários, fato que obrigou Aureli a constantemente se preocupar em fazer concessões, negociar e defender-se na imprensa e em livros de sua autoria. Dessa forma, Willy e sua Bandeira participaram de um campo de disputa cujos diferentes agentes competiam pela primazia de uma forma de contatar indígenas, explorar a natureza e produzir conhecimento. Utilizando-se da literatura, com a análise de 8 dos 10 livros de Aureli, e da imprensa, pesquisando notícias vinculadas à Bandeira Piratininga nos acervos de O Globo, Folha de São Paulo e Hemeroteca Digital entre os anos de 1937-2022, foi possível descrever de forma minuciosa as expedições de 1937 e 1938 e analisar a forma como Willy se posicionava no campo indigenista. As duas primeiras incursões podem ser compreendidas como momentos formadores da Piratininga que possibilitaram identificar a constituição dos integrantes, financiamento, objetivos e itinerários. A análise da maneira como Aureli se constituía discursivamente perante seus interlocutores, assim como quando se dirigia a outros, resultou na identificação de uma série de tendências e eventuais mudanças na sua forma de descrever a natureza, indígenas, sertanejos, agentes do Estado e missões cristãs que atuavam na região explorada. Ao longo de sua vida e obra, Willy buscou constituir-se como observador crível do sertão, cuja fonte de credibilidade estava na sua experiência empírica do local, opondo-se à acadêmicos ou agentes indigenistas que demonstravam ceticismo quanto aos resultados e a ação da Piratininga.Willy Aureli (1898-1968) was a journalist, writer, sertanista and indigenist from the state of São Paulo who created and led the Bandeira Piratininga, a private expeditionary group, from 1937-1959. This Bandeira traveled to the region between the rivers Araguaia and Mortes in five different occasions, aiming to reach geographic landmarks, map rivers and contact indigenous people in the region, especially Carajás, Caiapós, Tapirapés and Xavantes. The group was a private endeavor whose financing depended on São Paulo’s citizens, companies, publishers and newspapers. Its activities, even though they were private, synchronized with the objectives of the Marcha para o Oeste. Despite that, the Bandeira’s trajectory was a target for the criticism that came from state-related authorities, journalists, scientists and missionaries. Those critiques constantly obligated Aureli to make concessions, negotiate and defend himself in the press and in his books. Therefore, Willy and his Bandeira participated in a field of dispute whose different agents competed over the supremacy of a way to contact indigenous people, explore nature and produce knowledge. Through Aureli’s literary work, analyzing 8 of his 10 books, and the press, researching news connected with the Bandeira Piratininga inside the archives of O Globo, Folha de São Paulo and Hemeroteca Digital between 1937-2022, it was possible to thoroughly describe the 1937 and 1938 expeditions and analyze how Aureli positioned himself within the indigenist field. The first two incursions can be seen as formative moments for the Piratininga which helped to identify the participants, financing, objectives and itineraries. The analysis of the way Aureli constituted himself within discourse, as well as when he dealt with other, resulted in the identification of a series of tendencies and eventual changes in his form of describing nature, indigenous people, sertanejos, state agents and christian missions that operated in the explored region. Throughout his life and work, Willy tried to constitute himself as a believable observer of the sertão, whose basis of credibility resided in his empirical experience of the place, in opposition to scholars or indigenist agents that demonstrated cynicism towards the results and actions of the Piratininga.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de HumanidadesBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em HistóriaMurari, Lucianahttp://lattes.cnpq.br/9895759592826453Kurtz, Leonardo Birnfeld2023-03-31T19:57:42Z2023-03-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/10692porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2023-03-31T23:00:16Zoai:tede2.pucrs.br:tede/10692Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2023-03-31T23:00:16Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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