Potenciais efeitos da exposição a fungicidas agrícolas para abelhas-sem-ferrão imaturas : conservação de polinizadores e políticas públicas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Ramos, Jenifer Dias
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Ciências da Saúde e da Vida
Brasil
PUCRS
Programa de Pós Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9902
Resumo: As abelhas são responsáveis pela polinização de 80% das plantas cultivadas ou silvestres, sendo polinizadores exclusivos de 65% delas. A agricultura mundial tem evoluído muito nos últimos anos com o uso de múltiplas tecnologias como drones e inteligência artificial. Porém, ela é ainda muito dependente de produtos controversos como os agrotóxicos. Estes produtos protegem as plantas de pragas e doenças, mas podem causar efeitos secundários na biodiversidade silvestre de polinizadores, como as abelhas, das quais muitas culturas agrícolas dependem em algum nível. Até mesmo a ação de produtos considerados não prejudiciais às abelhas, como fungicidas e herbicidas, estão sendo questionados ultimamente pois a exposição desde abelhas adultos à alimentação provida aos imaturos parece prejudicar esses insetos. Diante disso, este trabalho objetivou avaliar os efeitos da exposição crônica, via oral e tópica, dos fungicidas agrícolas Mancozebe e Piraclostrobina para operárias imaturas de abelhas-sem-ferrão, utilizando como modelo experimental Scaptotrigona bipunctata. Também foi avaliado a associação do fungicida Carbendazim com o inseticida Clorpirifós em machos imaturos desta mesma espécie. As abelhas foram expostas a diferentes doses do fungicida (produto comercial), calculadas a partir da dose de campo indicada para culturas de citros. Para o ingrediente ativo Mancozebe utilizou-se: a) 1,545 ng; b) 2,175 ng; c) 41,29 ng; d) 45,71 ng; e) 960 ng de ia /μL de dieta) e um controle sem fungicida. Para Piraclostrobina utilizou-se: a) 1,30 x 10 – 4 μl; b) 3,25 x 10 – 3 μl e c) 6,5 x 10 – 3 de μl i.a./larva. O efeito do fungicida foi avaliado por meio de curvas de sobrevivência de Kaplan-Meier e Anova de um fator. Nossos resultados indicam uma curva dose-dependente para o fungicida Mancozebe, e para a Piraclostrobina observou-se que a dose intermediária foi 3,6 vezes mais letal às abelhas jovens quando comparadas às outras doses testadas. Ao observarmos as abelhas sobreviventes destaca-se que ambos os produtos causaram deformações nas asas e abdômen dos indivíduos. Para verificar os efeitos da exposição ao fungicida e inseticida nos machos, avaliou-se a partir de morfometria geométrica potenciais alterações na genitália. Detectamos uma diferença significativa na forma da genitália dos machos expostos. Com isso, nosso trabalho traz evidências dos efeitos causados por fungicidas agrícolas aos imaturos de abelhas-sem-ferrão. Portanto, é questionável a sua indicação como produto não-prejudicial às abelhas. Além disso, recomenda-se deixar claro que o efeito positivo no combate a doenças fúngicas pode adversamente comprometer a polinização das culturas dependentes desse serviço ecossistêmico.
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Até mesmo a ação de produtos considerados não prejudiciais às abelhas, como fungicidas e herbicidas, estão sendo questionados ultimamente pois a exposição desde abelhas adultos à alimentação provida aos imaturos parece prejudicar esses insetos. Diante disso, este trabalho objetivou avaliar os efeitos da exposição crônica, via oral e tópica, dos fungicidas agrícolas Mancozebe e Piraclostrobina para operárias imaturas de abelhas-sem-ferrão, utilizando como modelo experimental Scaptotrigona bipunctata. Também foi avaliado a associação do fungicida Carbendazim com o inseticida Clorpirifós em machos imaturos desta mesma espécie. As abelhas foram expostas a diferentes doses do fungicida (produto comercial), calculadas a partir da dose de campo indicada para culturas de citros. Para o ingrediente ativo Mancozebe utilizou-se: a) 1,545 ng; b) 2,175 ng; c) 41,29 ng; d) 45,71 ng; e) 960 ng de ia /μL de dieta) e um controle sem fungicida. Para Piraclostrobina utilizou-se: a) 1,30 x 10 – 4 μl; b) 3,25 x 10 – 3 μl e c) 6,5 x 10 – 3 de μl i.a./larva. O efeito do fungicida foi avaliado por meio de curvas de sobrevivência de Kaplan-Meier e Anova de um fator. Nossos resultados indicam uma curva dose-dependente para o fungicida Mancozebe, e para a Piraclostrobina observou-se que a dose intermediária foi 3,6 vezes mais letal às abelhas jovens quando comparadas às outras doses testadas. Ao observarmos as abelhas sobreviventes destaca-se que ambos os produtos causaram deformações nas asas e abdômen dos indivíduos. Para verificar os efeitos da exposição ao fungicida e inseticida nos machos, avaliou-se a partir de morfometria geométrica potenciais alterações na genitália. Detectamos uma diferença significativa na forma da genitália dos machos expostos. Com isso, nosso trabalho traz evidências dos efeitos causados por fungicidas agrícolas aos imaturos de abelhas-sem-ferrão. Portanto, é questionável a sua indicação como produto não-prejudicial às abelhas. Além disso, recomenda-se deixar claro que o efeito positivo no combate a doenças fúngicas pode adversamente comprometer a polinização das culturas dependentes desse serviço ecossistêmico.Bees are responsible for the pollination of 80% of cultivated or wild plants, being exclusive pollinators of 65% of them. World agriculture has evolved a lot in recent years with the use of multiple technologies such as drones and artificial intelligence. However, it is still very dependent on controversial products such as pesticides. These products protect plants from pests and diseases, but can cause indirects effects on wild biodiversity from pollinators such as bees, on which many agricultural crops depend to some degree. Even the action of products considered not harmful to bees, such as fungicides and herbicides, are being questioned lately because the exposure of adult bees to the food provided to the immature ones seems to harm these insects. Therefore, this study aimed to evaluate the effects of chronic exposure, oral and topical, of agricultural fungicides Mancozebe and Pyrclostrobin on immature workers of stingless bees, using as an experimental model Scaptotrigona bipunctata. The association of the fungicide Carbendazim with the insecticide Chlorpyrifos in immature males of the same species was also evaluated. The bees were exposed to different doses of the fungicide (commercial product), calculated from the field dose indicated for citrus crops. For the active ingredient Mancozeb were used: a) 1.545 ng; b) 2.175 ng; c) 41.29 ng; d) 45.71 ng; e) 960 ng ai/μL of diet) and a control without fungicide. For Pyraclostrobin were used: a) 1.30 x 10 – 4 μl; b) 3.25 x 10 – 3 μl and c) 6.5 x 10 – 3 μl a.i./larva. The effect of the fungicide was evaluated using Kaplan-Meier and one-way Anova survival curves. Our results indicate a dose-dependent curve for the fungicide Mancozebe, and for Pyraclostrobin it was observed that the intermediate dose was 3.6 times more lethal to young bees when compared to the other doses tested. When observing the surviving bees, it is highlighted that both products caused deformations in the individuals wings and abdomen. To verify the effects of exposure to the fungicide and insecticide in males, potential changes in the genitalia were evaluated using geometric morphometry. We detected a significant difference in the shape of the exposed males genitalia. Thus, our work brings evidence of the effects caused by agricultural fungicides on immature stingless bees. Therefore, its indication as a non-harmful product to bees is questionable. In addition, it is recommended to clarify that the positive effect in combating fungal diseases can adversely affect the pollination of crops dependent on this ecosystem service.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de Ciências da Saúde e da VidaBrasilPUCRSPrograma de Pós Graduação em Ecologia e Evolução da BiodiversidadeBlochtein, Betinahttp://lattes.cnpq.br/8432786287097919Coelho-de-Souza, GabrielaRamos, Jenifer Dias2021-10-07T13:03:54Z2021-08-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9902porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2024-10-11T15:00:52Zoai:tede2.pucrs.br:tede/9902Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2024-10-11T15:00:52Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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