O problema de Gettier e a epistemologia do raciocínio

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Fett, João Rizzio Vicente
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Brasil
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/6571
Resumo: Reza a lenda que até o início da segunda metade do século XX, a comunidade filosófica aceitava tacitamente, desde os primórdios, uma definição tripartite de conhecimento, remontando aos textos platônicos, segundo a qual conhecimento é crença verdadeira justificada. Em 1963, porém, o filósofo Edmund Gettier publicou um artigo refutando essa definição através de dois contraexemplos. Ele mostrou que há casos nos quais é possível que acreditemos veraz e justificadamente em uma proposição sem que tenhamos conhecimento dela. O problema de Gettier exige que compreendamos como a análise tradicional (Platônica) deve ser alterada de modo que os contraexemplos criados por Gettier não constituam contraexemplos à analise modificada. Nesta dissertação, vamos examinar uma das respostas a esse problema: a teoria da anulabilidade, de Peter Klein. Esperamos, ao fim da apresentação da teoria de Klein, ter oferecido ao leitor boas razões para crer que a teoria da anulabilidade oferece uma análise do conhecimento interessante e promissora em muitos aspectos - não obstante objeções ainda não respondidas - colocando-se, assim, entre as melhores candidatas para a solução do problema de Gettier. Recentemente, contudo, uma grande ameaça se impõe ao anulabilismo de Klein: o problema do “conhecimento via falsidade.” Nos últimos dez anos, um bom número de ostensivos casos de conhecimento inferencial com base em crenças falsas foi posto em circulação, indo de encontro à enraizada tese Aristotélica sobre conhecimento inferencial, segundo a qual conhecimento inferencial só é produzido por crenças verdadeiras que são casos de conhecimento. Nossa última tarefa será, então, entender como o anulabilismo de Klein acomoda o novo dado epistemológico da possibilidade de haver conhecimento com base em falsidades.
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spelling O problema de Gettier e a epistemologia do raciocínioCONHECIMENTOGETTIER, EDMUND - FILOSOFIAEPISTEMOLOGIAKLEIN, PETER D. - FILOSOFIAFILOSOFIACIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIAReza a lenda que até o início da segunda metade do século XX, a comunidade filosófica aceitava tacitamente, desde os primórdios, uma definição tripartite de conhecimento, remontando aos textos platônicos, segundo a qual conhecimento é crença verdadeira justificada. Em 1963, porém, o filósofo Edmund Gettier publicou um artigo refutando essa definição através de dois contraexemplos. Ele mostrou que há casos nos quais é possível que acreditemos veraz e justificadamente em uma proposição sem que tenhamos conhecimento dela. O problema de Gettier exige que compreendamos como a análise tradicional (Platônica) deve ser alterada de modo que os contraexemplos criados por Gettier não constituam contraexemplos à analise modificada. Nesta dissertação, vamos examinar uma das respostas a esse problema: a teoria da anulabilidade, de Peter Klein. Esperamos, ao fim da apresentação da teoria de Klein, ter oferecido ao leitor boas razões para crer que a teoria da anulabilidade oferece uma análise do conhecimento interessante e promissora em muitos aspectos - não obstante objeções ainda não respondidas - colocando-se, assim, entre as melhores candidatas para a solução do problema de Gettier. Recentemente, contudo, uma grande ameaça se impõe ao anulabilismo de Klein: o problema do “conhecimento via falsidade.” Nos últimos dez anos, um bom número de ostensivos casos de conhecimento inferencial com base em crenças falsas foi posto em circulação, indo de encontro à enraizada tese Aristotélica sobre conhecimento inferencial, segundo a qual conhecimento inferencial só é produzido por crenças verdadeiras que são casos de conhecimento. Nossa última tarefa será, então, entender como o anulabilismo de Klein acomoda o novo dado epistemológico da possibilidade de haver conhecimento com base em falsidades.Legend has it that up until the beginning of the latter half of the twentieth century, the philosophical community had tacitly accepted a tripartite analysis of knowledge harking back to Classical Antiquity – the Platonic Legacy. Such an epistemological perspective consists of ancient background assumptions which define 'knowledge' in terms of 'justified true belief'. In 1963, the philosopher Edmund Gettier refuted the sufficiency of this definition, showing to epistemologists that there are cases where it is possible for one to believe truly and justifiably some proposition without having knowledge of it, because the belief turns out to be true just by accident. The Gettier problem requires us to come up with a modified analysis of knowledge which withstands those counterexamples presented by Gettier. In this essay, we examine one of the attempts to solve that problem: the defeasibility theory of knowledge, proposed by Peter Klein. We furnish the reader with good reasons to believe that, unanswered objections notwithstanding, the defeasibility theory offers a promising and interesting analysis of knowledge. Recently, however, the defeasibility theory was faced with a new challenge: the problem of knowledge from falsehood. During the last decade, many purported cases of inferential knowledge based on false beliefs have been put forward in the literature, going against an entrenched Aristotelian thesis on inferential knowledge, according to which only knowledge can produce knowledge. Our last task in this essay is to show in what way Klein’s defeasibilism handles that problem and how it accommodates the possibility of there being knowledge from falsehood.Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPqPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulFaculdade de Filosofia e Ciências HumanasBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em FilosofiaAlmeida, Cláudio Gonçalves de294.590.440-34http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4781486H7Fett, João Rizzio Vicente2016-04-07T17:19:44Z2016-03-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/6571porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2016-04-07T23:00:35Zoai:tede2.pucrs.br:tede/6571Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2016-04-07T23:00:35Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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