Loucura e perresía entre a ética e a política : apontamentos sobre o delírio como discurso crítico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Borba, Elton Corrêa de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Humanidades
Brasil
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/7517
Resumo: O presente trabalho objetiva situar a loucura em relação à noção grega de parresía a partir de uma leitura da filosofia de Michel Foucault. A questão principal gira em torno do lugar ocupado pelo louco em um contexto discursivo parresiástico, lugar de uma propriedade crítica do discurso livre da loucura, porque o dizer a verdade dentro desta concepção de parresía produz efeitos indeterminados e desconhecidos antes de sua enunciação. Quando a loucura pode enunciar um discurso por si mesma, que tipo de efeitos esta enunciação poderá ter? Isto é, o que interessa saber é se quando a loucura, representada pelo louco, é capaz de dizer a verdade sobre si mesma, o que esta enunciação da verdade significa? O que rompe? A quem ofende? Qual a sua importância como crítica e resistência? O problema da verdade da loucura envolveu, sobretudo, as questões de conhecimento e reconhecimento moral e científico dos discursos instituídos historicamente. Por isso, estas questões são essenciais para determinar a legitimidade de tal discurso produzido pelo próprio louco. O argumento que estrutura este trabalho é o de que o delírio do louco atua como uma crítica ao instituído, como uma ruptura à pretensa ordem racional tendo importância ética e política por isto. Para fundamentar esta perspectiva, buscamos na noção de parresía enquanto prática éticodiscursiva e prática de constituição do ser do sujeito louco, as condições desta ligação entre loucura e discurso como produção crítica. A importância desta experiência crítica da loucura está em repensar o lugar de reconhecimento do louco no contemporâneo, sendo que o que fará do louco parresiasta é a dramática do seu discurso disruptivo. Este estudo busca atualizar e ampliar o debate filosófico em torno da loucura e os aspectos éticos e políticos que dizem respeito à sua própria produção de verdade, conjecturando as formas de crítica da parresía com a experiência da loucura e propiciando o debate acerca da função crítica do desatino em relação aos poderes exercidos pelas racionalidades dominantes.
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O problema da verdade da loucura envolveu, sobretudo, as questões de conhecimento e reconhecimento moral e científico dos discursos instituídos historicamente. Por isso, estas questões são essenciais para determinar a legitimidade de tal discurso produzido pelo próprio louco. O argumento que estrutura este trabalho é o de que o delírio do louco atua como uma crítica ao instituído, como uma ruptura à pretensa ordem racional tendo importância ética e política por isto. Para fundamentar esta perspectiva, buscamos na noção de parresía enquanto prática éticodiscursiva e prática de constituição do ser do sujeito louco, as condições desta ligação entre loucura e discurso como produção crítica. A importância desta experiência crítica da loucura está em repensar o lugar de reconhecimento do louco no contemporâneo, sendo que o que fará do louco parresiasta é a dramática do seu discurso disruptivo. Este estudo busca atualizar e ampliar o debate filosófico em torno da loucura e os aspectos éticos e políticos que dizem respeito à sua própria produção de verdade, conjecturando as formas de crítica da parresía com a experiência da loucura e propiciando o debate acerca da função crítica do desatino em relação aos poderes exercidos pelas racionalidades dominantes.Cette étude vise à situer la folie par rapport à la notion grecque de parrhèsia à partir de la lecture de la philosophie de Michel Foucault. La question principale tourne autour de la place occupée par le fou dans un contexte discursive parrhèsiastique, une place d‟une propriété critique du discours libre de la folie, parce que dire la vérité dans cette conception de parrhèsia produit des effets indéterminés, inconnus avant son énonciation. Lorsque la folie peut contenir un discours par lui-même, quel genre d‟effets cette énonciation pourra avoir? C‟est-à-dire, ce qui importe est de savoir quand la folie, représentée par le fou, est en mesure de dire la vérité sur elle-même, ce que cette énonciation de la vérité signifie? Qu‟est-ce que se brise? Qui est offensé? Quelle est son importance comme critique et résistance? Le problème de la vérité de la folie a impliqué, em particulier, les questions de la connaissance et de la reconnaissance morale et scientifique des discours établis historiquement. Par conséquent, ces questions sont essentielles pour déterminer la légitimité d‟un tel discours produit par le fou lui-même. L‟argument qui structure ce travail est que le delire du fou agit comme une critique a l‟établi, comme une rupture à l‟ordre rationnel présumé, c‟est pour cela qu‟il y a de l‟importance éthique et politique. Pour soutenir cette approche, nous cherchons la notion de parrhèsia comme pratique éthique-discursive et pratique de constitution de l‟être du sujet fou, les conditions de ce lien entre la folie et le discours comme production critique. L‟importance de cette expérience critique de la folie est de repenser la place de la reconnaissance du fou aujourd‟hui, donc le fou sera parrhèsiastes par le dramatique de son discours perturbateur. Cette étude vise à mettre à jour et d‟élargir le débat philosophique sur la folie et les aspects éthiques et politiques qui concernent sa propre production de la vérité, de spéculer les formes critiques de parrhèsia avec l‟expérience de la folie et de stimuler le débat sur le rôle critique de folie par rapport aux pouvoirs exercés par les rationalités dominantes.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de HumanidadesBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em FilosofiaMadarasz, Norman Roland059.753.617-46http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4584947U5Borba, Elton Corrêa de2017-06-30T18:18:33Z2017-03-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/7517porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2017-06-30T23:02:51Zoai:tede2.pucrs.br:tede/7517Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2017-06-30T23:02:51Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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