Sangue e sombras : a memória familiar em Vermelho, de Mafalda Ivo Cruz

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Canilha, Samla Borges
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Humanidades
Brasil
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Letras
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/7875
Resumo: Este trabalho tem como objetivo analisar o aproveitamento da memória, especialmente da memória familiar, no romance Vermelho (2003), da escritora portuguesa Mafalda Ivo Cruz. Nele, o protagonista narrador, Tito, procura recuperar a genealogia de sua família, do que resulta uma narrativa marcada por uma forma que reflete, em grande parte, o discurso da memória, tema caro à obra da autora. Sendo assim, o referencial teórico utilizado consiste, principalmente, em teóricos que tratam da memória, tais como Henri Bergson, Maurice Halbwachs, Paul Ricoeur, Aleida Assmann e Jöel Candau. Além disso, recorremos a textos da narratologia para embasar a leitura do romance, principalmente no que tange à construção do narrador. Da análise realizada, pode-se perceber que, ao contrário do que se espera de uma narrativa de memória, isto é, uma organização do passado em um todo coerente e temporalmente linear, Tito transmite o passado da família em uma construção que reflete sua mente perturbada. A caoticidade é também reflexo do fato de a história familiar em jogo ser repleta de lacunas e de silêncios que são preenchidos não raro ficcionalmente pelos seus membros, destacando-se a manipulação elaborada por Mário, o padrasto, principal responsável pela transmissão oral dos eventos a Tito. Por fim, os objetos do arquivo familiar, além de serem suspeitos de falsidade, podem ter sido selecionados arbitrariamente para servir aos fins do protagonista. Assim, o narrador acaba por, mais que reconstituir, fundar uma memória da família, mas o resultado é problemático, uma vez que Tito não se mostra um narrador confiável.
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