Estigma e discriminação : as relações afetivas inter-raciais no Estado do Rio Grande do Sul

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Viali, Alice
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Humanidades
Brasil
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/10342
Resumo: O Brasil é uma nação que possui grande miscigenação e proporcionalidade racial, contudo, a miscigenação não cessou a discriminação, de maneira oposta, a dilatou, a diversificou, deu a ela mais cores, frente à presença ou à ausência sucessiva de características “negras”, passou, portanto, de um racismo bivalente para um racismo polivalente. Na contemporaneidade desta pauta, compreende- se que há poucos estudos que confirmam a fragilidade nas relações inter-raciais, embora tenha aumentado o número de casamentos exogâmicos. A literatura presente evidencia que a cor atua como um dos fatores que exercem grande influência na escolha do companheiro ou companheira, o que expressa ainda na predominância de relações raciais endogâmicas. Este cenário manifesta a perspectiva dentro do seio familiar e no convívio social face a conceitos discriminatórios e estigmatizantes sobre a pessoa que escolhe o parceiro diferente de sua cor, “raça” ou etnia. O presente estudo tem como objetivo geral constatar de que forma se manifestam as pressões envolvidas na construção dessas relações e compreender as contradições de uma sociedade que se vangloria da mestiçagem como um indício de ausência de conflitos raciais. A metodologia desta investigação tem a natureza qualitativa por meio de revisão de literatura e entrevistas semiestruturadas. Para a extração de dados, através do acesso a depoimentos de casais residentes em Porto Alegre-RS e região metropolitana, que vivem ou vivenciaram um relacionamento racialmente heterogêneo, considerando a aproximação que se estabelece com o objeto de pesquisa de modo descritivo e interpretativo, foram investigados como essas pessoas compreendem o racismo e até que ponto se configura como um problema para essas relações, identificando se existe a discriminação e quais são as estratégias de enfrentamento ao racismo, levando em consideração os conflitos decorrentes da identificação racial dos cônjuges tanto na família, quanto no convívio com parentes e amigos. Os resultados revelam que a identidade afro- brasileira no processo de pertencimento social ainda sofre com a discriminação, com a invisibilidade, de modo geral da sociedade, com expressões cotidianas de “microrracismo”, com a intolerância social para discriminação direta e passividade demonstrada pela população diante de comentários pejorativos a pessoas negras, seus grupos e suas culturas.
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spelling Estigma e discriminação : as relações afetivas inter-raciais no Estado do Rio Grande do SulRelação Inter-RacialDiscriminaçãoRacismoInterracial RelationshipDiscriminationRacismOUTROS::CIENCIAS SOCIAISO Brasil é uma nação que possui grande miscigenação e proporcionalidade racial, contudo, a miscigenação não cessou a discriminação, de maneira oposta, a dilatou, a diversificou, deu a ela mais cores, frente à presença ou à ausência sucessiva de características “negras”, passou, portanto, de um racismo bivalente para um racismo polivalente. Na contemporaneidade desta pauta, compreende- se que há poucos estudos que confirmam a fragilidade nas relações inter-raciais, embora tenha aumentado o número de casamentos exogâmicos. A literatura presente evidencia que a cor atua como um dos fatores que exercem grande influência na escolha do companheiro ou companheira, o que expressa ainda na predominância de relações raciais endogâmicas. Este cenário manifesta a perspectiva dentro do seio familiar e no convívio social face a conceitos discriminatórios e estigmatizantes sobre a pessoa que escolhe o parceiro diferente de sua cor, “raça” ou etnia. O presente estudo tem como objetivo geral constatar de que forma se manifestam as pressões envolvidas na construção dessas relações e compreender as contradições de uma sociedade que se vangloria da mestiçagem como um indício de ausência de conflitos raciais. A metodologia desta investigação tem a natureza qualitativa por meio de revisão de literatura e entrevistas semiestruturadas. Para a extração de dados, através do acesso a depoimentos de casais residentes em Porto Alegre-RS e região metropolitana, que vivem ou vivenciaram um relacionamento racialmente heterogêneo, considerando a aproximação que se estabelece com o objeto de pesquisa de modo descritivo e interpretativo, foram investigados como essas pessoas compreendem o racismo e até que ponto se configura como um problema para essas relações, identificando se existe a discriminação e quais são as estratégias de enfrentamento ao racismo, levando em consideração os conflitos decorrentes da identificação racial dos cônjuges tanto na família, quanto no convívio com parentes e amigos. Os resultados revelam que a identidade afro- brasileira no processo de pertencimento social ainda sofre com a discriminação, com a invisibilidade, de modo geral da sociedade, com expressões cotidianas de “microrracismo”, com a intolerância social para discriminação direta e passividade demonstrada pela população diante de comentários pejorativos a pessoas negras, seus grupos e suas culturas.Brasil es una nación que tiene un gran mestizaje y proporcionalidad racial, sin embargo, el mestizaje no ha dejado de discriminar, por el contrario, ha dilatado, diversificado, le dado más colores, dada la presencia o ausencia de características "negras", pasó de un racismo bivalente a un racismo multivalente. En el contexto contemporáneo de esta agenda, se entiende que hay pocos estudios que confirmen la fragilidad en las relaciones interraciales, aunque ha aumentado el número de matrimonios exogámicos. La literatura actual muestra que el color actúa como uno de los factores que ejercen una gran influencia en la elección de la pareja, lo que también expresa el predominio de las relaciones raciales de endogamia. Este escenario manifiesta la perspectiva dentro de la vida familiar y social frente a conceptos discriminatorios y estigmatizantes sobre la persona que elige a la pareja además de su color, "raza" o etnia. El objetivo del presente estudio es descubrir cómo se manifiestan las presiones involucradas en la construcción de esas relaciones y comprender las contradicciones de una sociedad que se jacta del mestizaje como una indicación de la ausencia de conflictos raciales. La metodología de esta investigación tiene una naturaleza cualitativa a través de la revisión de literatura y entrevistas semiestructuradas. Para la extracción de datos, a través del acceso a testimonios de parejas que viven en Porto Alegre-RS y la región metropolitana, que viven o experimentaron una relación racialmente heterogénea, considerando la aproximación que se establece con el objeto de investigación de manera descriptiva e interpretativa, investigó cómo esas personas entienden el racismo y hasta qué punto es un problema para esas relaciones, identificando si existe discriminación y cuáles son las estrategias para hacer frente al racismo, teniendo en cuenta los conflictos derivados de la identificación racial de los cónyuges en la familia, como en vivir con parientes y amigos. Los resultados revelan que la identidad afrobrasileña en el proceso de pertenencia social todavía sufre discriminación, con invisibilidad, en la sociedad en general con expresiones cotidianas de "micro-racismo", con intolerancia social a la discriminación directa y la pasividad demostrada por la población frente a los comentarios despectivos a los negros, sus grupos y sus culturas.Brazil is a nation that has great racial miscegenation and proportionality, however, miscegenation has not ceased discrimination, in the opposite way, dilated, diversified it, gave it more colors, given the presence or absence of “black” characteristics, it went from a bivalent racism to a multivalent racism. In the contemporary context of this agenda, it is understood that there are few studies that confirm the fragility in interracial relations, although the number of exogamous marriages has increased. The present literature shows that color acts as one of the factors that exert great influence on the choice of partner, which also expresses the predominance of inbreeding race relations. This scenario manifests the perspective within the family and social life in the face of discriminatory and stigmatizing concepts about the person who chooses the partner other than his or her color, “race” or ethnicity. The aim of the present study is to find out how the pressures involved in the construction of these relationships manifest themselves and to understand the contradictions of a society that boasts of miscegenation as an indication of the absence of racial conflicts. The methodology of this investigation has a qualitative nature through literature review and semi-structured interviews. For data extraction, through access to testimonials of couples living in Porto Alegre-RS and the metropolitan region, who live or experienced a racially heterogeneous relationship, considering the approximation that is established with the research object in a descriptive and interpretative way, investigated how these people understand racism and the extent to which it is a problem for these relationships, identifying if there is discrimination and what are the strategies for coping with racism, taking into account the conflicts arising from the racial identification of spouses in the family, as in living with relatives and friends. The results show that Afro-Brazilian identity in the process of social belonging still suffers from discrimination, with invisibility, in general society with everyday expressions of “micro-racism”, with social intolerance for direct discrimination and passivity demonstrated by the population in the face of derogatory comments to black people, their groups and cultures.Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de HumanidadesBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em Ciências SociaisSantos, Andréia Mendes doshttp://lattes.cnpq.br/9544763044134842Viali, Alice2022-07-06T14:30:58Z2020-03-05info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/10342porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2022-07-06T23:00:18Zoai:tede2.pucrs.br:tede/10342Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2022-07-06T23:00:18Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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