"São aqueles que não olham que viram pedra" : Medusa e as (re)interpretações do feminino

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Diedrich, Bruna
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Humanidades
Brasil
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Filosofia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/10204
Resumo: Investiga-se interpretações com relação à origem, morte e qualidades atribuídas na criação e construção da Medusa. Apoiando-se nas Epistemologias Feministas (especialmente a Standpoint Theory) e nas Teorias dos Sujeitos como instrumentos teórico-metodológicos, pretende-se responder o seguinte problema de pesquisa: partindo da construção (aparições, origem, morte e características) da Medusa, é possível levantar hipóteses sobre a mulher enquanto categoria de análise? Buscou-se responder através da representação mais diversa possível de mulheres, inviabilizando sua representação enquanto singularidade ou conceito único. A interseccionalidade emerge enquanto guia, norteando os resultados, de maneira fluída ao longo dos temas, investigando como os estereótipos de gênero interseccionam-se por outras hierarquias de poder (especialmente raça e classe). O principal objetivo é analisar o conceito de feminino, centrado no rompimento e no compromisso com a representação da multiplicidade e diversidade, questionando o próprio conceito unificado da categoria mulher. Os objetivos específicos centralizam-se em contrastar versões dos poetas greco-romanas (Homero, Hesíodo, Eurípides, Pseudo-Apolodoro e Ovídio) sobre Medusa, examinar o papel feminino nas narrativas mitológicas, bem como contrapô-lo ao masculino, refletindo sobre a função social dos mitos. Investigam-se as contribuições das Epistemologias Feministas, com ênfase na linha da Standpoint Theory, bem como das Teorias dos Sujeitos, na análise dos mitos que contemplam a figura da Medusa, ponderando a importância da diversidade e das experiências sociais nos processos de aquisição, atribuição e produção de conhecimento. As Epistemologias Feministas emergem como instrumentalização visando o rompimento com a noção de universalidade e objetividade pré-concebidas. A partir do conhecimento situado e da identificação do agente epistêmico em suas subjetividades, reflete-se sobre o caráter social dos processos. Com a relação indissociável entre Epistemologia e política defendida por Linda Alcoff, aborda-se razões de ordem não epistêmica que afetam os processos de legitimação de conhecimento. Além disso, há uma preocupação com fornecer um panorama geral do surgimento da Standpoint Theory enquanto recorte teórico, posto que há uma escassez de traduções das autoras. Após a discussão de parcialidade do conhecimento através das Epistemologias Feministas, também se observa que, mesmo entre as teóricas, não há um consenso ou uma proposta de unidade que pretenda falar por todas as mulheres. Há uma preocupação com a representatividade de mais sujeitos e, para tal, utiliza-se das Teorias dos Sujeitos. A partir de conceitos como autodefinição e autoavaliação (apresentados por Patricia Hill Collins), buscou-se uma representação ampla e diversa de vozes e visões. Priorizou-se indivíduos marginalizados, que se encontram em embate com o conceito de feminilidade apenas por existir, ecoando suas tentativas de tornar-se sujeito através da escrita (como aponta Grada Kilomba). Essa análise torna-se possível através das seguintes características de Medusa: apresentação das narrativas que contemplam a personagem; morte e corporeidade; humanização; beleza e feminilidade; percepções (o ato de ver, ser vista, ouvir e ser ouvida); dualidade e ambiguidade; monstruosidade e agressividade; passividade, silêncio e papel coadjuvante; culpa e punição. Como instrumento adjacente, para a melhor compreensão da perspectiva sociocultural, emerge a mitologia. Os autores principais dessa sessão são Mircea Eliade, Joseph Campbell, Jean-Pierre Vernant, Pierre Grimal e Pierre Brunel
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A interseccionalidade emerge enquanto guia, norteando os resultados, de maneira fluída ao longo dos temas, investigando como os estereótipos de gênero interseccionam-se por outras hierarquias de poder (especialmente raça e classe). O principal objetivo é analisar o conceito de feminino, centrado no rompimento e no compromisso com a representação da multiplicidade e diversidade, questionando o próprio conceito unificado da categoria mulher. Os objetivos específicos centralizam-se em contrastar versões dos poetas greco-romanas (Homero, Hesíodo, Eurípides, Pseudo-Apolodoro e Ovídio) sobre Medusa, examinar o papel feminino nas narrativas mitológicas, bem como contrapô-lo ao masculino, refletindo sobre a função social dos mitos. Investigam-se as contribuições das Epistemologias Feministas, com ênfase na linha da Standpoint Theory, bem como das Teorias dos Sujeitos, na análise dos mitos que contemplam a figura da Medusa, ponderando a importância da diversidade e das experiências sociais nos processos de aquisição, atribuição e produção de conhecimento. As Epistemologias Feministas emergem como instrumentalização visando o rompimento com a noção de universalidade e objetividade pré-concebidas. A partir do conhecimento situado e da identificação do agente epistêmico em suas subjetividades, reflete-se sobre o caráter social dos processos. Com a relação indissociável entre Epistemologia e política defendida por Linda Alcoff, aborda-se razões de ordem não epistêmica que afetam os processos de legitimação de conhecimento. Além disso, há uma preocupação com fornecer um panorama geral do surgimento da Standpoint Theory enquanto recorte teórico, posto que há uma escassez de traduções das autoras. Após a discussão de parcialidade do conhecimento através das Epistemologias Feministas, também se observa que, mesmo entre as teóricas, não há um consenso ou uma proposta de unidade que pretenda falar por todas as mulheres. Há uma preocupação com a representatividade de mais sujeitos e, para tal, utiliza-se das Teorias dos Sujeitos. A partir de conceitos como autodefinição e autoavaliação (apresentados por Patricia Hill Collins), buscou-se uma representação ampla e diversa de vozes e visões. Priorizou-se indivíduos marginalizados, que se encontram em embate com o conceito de feminilidade apenas por existir, ecoando suas tentativas de tornar-se sujeito através da escrita (como aponta Grada Kilomba). Essa análise torna-se possível através das seguintes características de Medusa: apresentação das narrativas que contemplam a personagem; morte e corporeidade; humanização; beleza e feminilidade; percepções (o ato de ver, ser vista, ouvir e ser ouvida); dualidade e ambiguidade; monstruosidade e agressividade; passividade, silêncio e papel coadjuvante; culpa e punição. Como instrumento adjacente, para a melhor compreensão da perspectiva sociocultural, emerge a mitologia. Os autores principais dessa sessão são Mircea Eliade, Joseph Campbell, Jean-Pierre Vernant, Pierre Grimal e Pierre BrunelThis master’s thesis investigates the interpretations regarding the origin, death and qualities attributed to the creation and construction of Medusa. Relying on Feminist Epistemologies (especially Standpoint Theory) and on Theories of Subjects as theoretical-methodological instruments, we intend to answer the following research problem: starting from the construction (appearances, origin, death and characteristics) of Medusa, it is possible to raise hypotheses about women as a category of analysis? We aimed to answer through the most diverse representation possible of women, making their representation as a singularity or unique concept implaticable. Intersectionality emerges as a guide, guiding the results, fluidly across themes, investigating how gender stereotypes intersect with other hierarchies of power (especially race and class). The main objective is to analyze the concept of feminine, centered on the rupture and commitment to the representation of multiplicity and diversity, questioning the very unified concept of the woman category. The specific objectives focus on contrasting versions of Greco-Roman poets (Homer, Hesiod, Euripides, Pseudo-Apollodorus and Ovid) about Medusa, exam the female role in mythological narratives, as well as opposing it to the male, reflecting on the role social of myths. The contributions of Feminist Epistemologies are investigated, with emphasis on the Standpoint Theory line, as well as the Subject Theories, in the analysis of the myths that contemplate the figure of Medusa, considering the importance of diversity and social experiences in the processes of acquisition, attribution and knowledge production. Feminist Epistemologies emerge as instrumentalization aimed at breaking with the preconceived notion of universality and objectivity. From the situated knowledge and the identification of the epistemic agent in its subjectivities, it reflects on the social character of the processes. With the inseparable relationship between Epistemology and politics defended by Linda Alcoff, non-epistemic reasons that affect the processes of knowledge legitimation are approached. In addition, there is a concern to provide an overview of the emergence of Standpoint Theory as a theoretical framework, since there is a shortage of translations by the authors. After the discussion of partiality of knowledge, through the Feminist Epistemologies, it is also observed that, even among theorists, there is no consensus or proposal of unity that intends to speak for all women. There is a concern with the representation of more subjects and, for that, the Theories of Subjects were used. Based on concepts such as self-definition and self-assessment (presented by Patricia Hill Collins), a broad and diverse representation of voices and visions was sought. It prioritized marginalized individuals, who are in conflict with the concept of femininity just for existing, echoing their attempts to become a subject through writing (as pointed out by Grada Kilomba). This analysis becomes possible through the following characteristics of Medusa: presentation of the narratives that contemplate the character; death and corporeality; humanization; beauty and femininity; perceptions (the act of seeing, being seen, hearing and being heard); duality and ambiguity; monstrosity and aggressiveness; passivity, silence and supporting role; guilt and punishment. As an adjacent instrument, for a better understanding of the sociocultural perspective, mythology emerges. The main authors of this session are Mircea Eliade, Joseph Campbell, Jean-Pierre Vernant, Pierre Grimal and Pierre Brunel.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPESPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de HumanidadesBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em FilosofiaMadarasz, Norman Rolandhttp://lattes.cnpq.br/1872154241367432Diedrich, Bruna2022-05-10T15:08:00Z2022-03-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/10204porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2022-05-10T23:00:24Zoai:tede2.pucrs.br:tede/10204Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2022-05-10T23:00:24Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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