O que o jornalismo pode ser : a expansão das fronteiras do jornalismo pós-industrial

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Fontoura, Marcelo Crispim da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Comunicação, Arte e Design
Brasil
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9472
Resumo: Este trabalho trata das transformações do jornalismo a partir da expansão de suas fronteiras no contexto pós-industrial. Com um ecossistema cada vez mais complexo de atores e práticas, as definições da profissão estão mais fluídas, rejeitando a dualidade do ser ou não jornalismo. Esta tese se debruça, portanto, sobre o que o jornalismo pode ser em um contexto digital e pós-industrial, fazendo isso a partir de um estudo de caso de trabalho nas fronteiras, com a consultoria norte-americana Hearken. A discussão aprofundada de uma prática situada na periferia endereça as seguintes perguntas de pesquisa: como a natureza de organizações além do jornalismo, como a Hearken, impacta a expansão das fronteiras do jornalismo?; como as atividades e habilidades de jornalistas trabalhando em uma iniciativa além do jornalismo se relacionam com a expansão de fronteiras do jornalismo?; como iniciativas além do jornalismo, como a Hearken, impactam o ecossistema do jornalismo pós-industrial?. Para tanto, este estudo teve como principal método uma observação na sede da empresa em Chicago por dez dias, acompanhada por entrevistas com funcionários, uma dinâmica em grupo e análises documentais de materiais da empresa. Como referencial teórico, apoia-se nos conceitos de além do jornalismo (DEUZE e WITSCHGE, 2020) e jornalismo pós-industrial (ANDERSON et al., 2013) para caracterizar o dinamismo do jornalismo contemporâneo. Para as discussões acerca de natureza histórica e atual do jornalismo, utiliza-se Ryfe (2012), Deuze e Witschge (2015; 2016; 2020), Deuze (2005; 2006; 2008a; 2008b), Kantola (2016), Traquina (2018), Schudson (2011), além da noção de campo de Bourdieu (1977). Emprega-se também uma caracterização do jornalismo enquanto sistema complexo, baseada em Morin (2015; 2016), Luhmann (1996), Erdi (2008), Urry (2005; 2005b), Nowotny (2005) e Mitchell (2009). Para abordar o jornalismo enquanto sistema de profissões e seu trabalho de fronteiras, se segue Abbott (2014), Gieryn (1983, 1999), Carlson (2015), Coddington (2015), Singer (2015), entre outros. Percebe-se que a Hearken representa a expansão de diversas fronteiras do jornalismo, algo visível tanto a nível de empresa quanto de seus funcionários e suas habilidades e atividades. Observou-se a diferenciação entre produtor e facilitador de/para o jornalismo, com uma ampliação das áreas de atuação de profissionais neste último. Isto é uma demonstração da expansão das fronteiras do campo, que não possui sempre uma visão clara de si mesmo. O estudo propõe também a emergência de iniciativas denominadas interpioneiros. Estes atores têm similaridades com interlopers (ELDRIDGE, 2014) e iniciativas de jornalismo pioneiro (HEPP e LOOSEN, 2019), porém com características únicas. Um interpioneiro busca influenciar o jornalismo e sua audiência por meio de impacto indireto com ações acessórias, a partir de uma comunidade de práticas experimentais, ao mesmo tempo em que questiona a definição de “jornalismo” e “jornalista”.
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spelling O que o jornalismo pode ser : a expansão das fronteiras do jornalismo pós-industrialJornalismoJornalismo pós-industrialJornalismo digitalFronteirasHearkenJournalismPost-industrial journalismDigital journalismBoundariesHearkenCIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::COMUNICACAOEste trabalho trata das transformações do jornalismo a partir da expansão de suas fronteiras no contexto pós-industrial. Com um ecossistema cada vez mais complexo de atores e práticas, as definições da profissão estão mais fluídas, rejeitando a dualidade do ser ou não jornalismo. Esta tese se debruça, portanto, sobre o que o jornalismo pode ser em um contexto digital e pós-industrial, fazendo isso a partir de um estudo de caso de trabalho nas fronteiras, com a consultoria norte-americana Hearken. A discussão aprofundada de uma prática situada na periferia endereça as seguintes perguntas de pesquisa: como a natureza de organizações além do jornalismo, como a Hearken, impacta a expansão das fronteiras do jornalismo?; como as atividades e habilidades de jornalistas trabalhando em uma iniciativa além do jornalismo se relacionam com a expansão de fronteiras do jornalismo?; como iniciativas além do jornalismo, como a Hearken, impactam o ecossistema do jornalismo pós-industrial?. Para tanto, este estudo teve como principal método uma observação na sede da empresa em Chicago por dez dias, acompanhada por entrevistas com funcionários, uma dinâmica em grupo e análises documentais de materiais da empresa. Como referencial teórico, apoia-se nos conceitos de além do jornalismo (DEUZE e WITSCHGE, 2020) e jornalismo pós-industrial (ANDERSON et al., 2013) para caracterizar o dinamismo do jornalismo contemporâneo. Para as discussões acerca de natureza histórica e atual do jornalismo, utiliza-se Ryfe (2012), Deuze e Witschge (2015; 2016; 2020), Deuze (2005; 2006; 2008a; 2008b), Kantola (2016), Traquina (2018), Schudson (2011), além da noção de campo de Bourdieu (1977). Emprega-se também uma caracterização do jornalismo enquanto sistema complexo, baseada em Morin (2015; 2016), Luhmann (1996), Erdi (2008), Urry (2005; 2005b), Nowotny (2005) e Mitchell (2009). Para abordar o jornalismo enquanto sistema de profissões e seu trabalho de fronteiras, se segue Abbott (2014), Gieryn (1983, 1999), Carlson (2015), Coddington (2015), Singer (2015), entre outros. Percebe-se que a Hearken representa a expansão de diversas fronteiras do jornalismo, algo visível tanto a nível de empresa quanto de seus funcionários e suas habilidades e atividades. Observou-se a diferenciação entre produtor e facilitador de/para o jornalismo, com uma ampliação das áreas de atuação de profissionais neste último. Isto é uma demonstração da expansão das fronteiras do campo, que não possui sempre uma visão clara de si mesmo. O estudo propõe também a emergência de iniciativas denominadas interpioneiros. Estes atores têm similaridades com interlopers (ELDRIDGE, 2014) e iniciativas de jornalismo pioneiro (HEPP e LOOSEN, 2019), porém com características únicas. Um interpioneiro busca influenciar o jornalismo e sua audiência por meio de impacto indireto com ações acessórias, a partir de uma comunidade de práticas experimentais, ao mesmo tempo em que questiona a definição de “jornalismo” e “jornalista”.This thesis deals with the transformations of journalism with the expansion of its borders in a post-industrial setting. With an increasingly complex ecosystem of actors and practices, the definitions of the profession are more fluid, rejecting the duality of something being or not journalism. This thesis focuses, therefore, on what journalism can be in a digital and postindustrial context, doing so in a case study of boundary-work, with the North American consultancy Hearken. The in-depth discussion of an initiative located on the boundaries addresses the following research questions: how does the nature of organizations beyond journalism, such as Hearken, impact the expansion of journalism's boundaries?; how do the activities and skills of journalists working on an initiative beyond journalism relate to the expansion of journalism's boundaries?; how initiatives beyond journalism, such as Hearken, impact the post-industrial journalism ecosystem? To this end, this study has as main method an observation at the company's headquarters in Chicago for ten days, accompanied by interviews with employees, a group workshop and document analysis of company materials. As a theoretical framework, it relies on the concepts of beyond journalism (DEUZE and WITSCHGE, 2020) and post-industrial journalism (ANDERSON et al., 2013) to characterize the dynamism of contemporary journalism. For discussions about the historical and current nature of journalism, Ryfe (2012), Deuze and Witschge (2015; 2016; 2020), Deuze (2005; 2006; 2008a; 2008b), Kantola (2016), Traquina (2018), and Schudson (2011) are used, in addition to the notion of field by Bourdieu (1977). A characterization of journalism as a complex system is also applied, based on Morin (2015; 2016), Luhmann (1996), Erdi (2008), Urry (2005; 2005b), Nowotny (2005) and Mitchell (2009). To address journalism as belonging to the system of professions and connected to boundary work, Abbott (2014), Gieryn (1983, 1999), Carlson (2015), Coddington (2015), Singer (2015), among others, are followed. It is clear that Hearken represents the expansion of several boundaries in journalism, something visible both at the company level and among its employees and their skills and activities. It was observed the differentiation between creator and enabler of journalism, with an extension of acting space for the latter. This is a demonstration of the expansion of boundaries of the field, which doesn’t always have a clear vision of itself. The study also proposes the emergence of initiatives called interpioneer. These actors have similarities with interlopers (ELDRIDGE, 2014) and pioneer journalism (HEPP and LOOSEN, 2019), but with distinct characteristics. An interpioneer seeks to influence journalism and its audience through indirect impact with auxiliary actions, from a community of experimental practices, while questioning the definition of "journalism" and "journalist".Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de Comunicação, Arte e DesignBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em Comunicação SocialPellanda, Eduardo Camposhttp://lattes.cnpq.br/8142672413873390Fontoura, Marcelo Crispim da2021-01-08T13:59:05Z2020-11-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9472porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2021-01-08T14:00:24Zoai:tede2.pucrs.br:tede/9472Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2021-01-08T14:00:24Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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