Estudo filogeográfico de Bothrops jararaca (WIED, 1824) baseado no DNA mitocondrial (squamata: serpentes: viperidae)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2004
Autor(a) principal: Grazziotin, Felipe Gobbi
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Faculdade de Biociências
BR
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Zoologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/248
Resumo: Bothrops jararaca distribui-se na região da Mata Atlântica, concentrando-se nos estados do sul e sudeste do Brasil. Possui grande variação nos padrões de desenho e cor, entretanto sua história evolutiva é desconhecida. Visando avaliar a variabilidade do gene mitocondrial cyt-b sequenciamos aproximadamente 700pb de 154 exemplares de 96 localidades (abrangendo sete estados brasileiros) mais cinco espécimes insulares (duas B. insularis e três B. alcatraz). As relações filogenéticas foram estimadas utilizando três métodos: Máxima-Parcimônia; Neighbor-Joining e Maximum-likelihood com seqüências de B. atrox e B. erythromelas como grupos externos. Estas análises demonstram, com alto suporte, a formação de dois clados: um majoritariamente composto de indivíduos do sudeste (SEC) e outro com indivíduos do sul (SC). Comparativamente a diversidade média dentro de B. jararaca (2,9%) é maior que as espécies de Bothrops até o momento avaliadas. SEC possui 30 haplótipos e diversidade nucleotídica de 0,01, SC possui 14 haplótipos e diversidade nucleotídica de 0,007. Nas análises baseadas em simulaçôes de anelamento (SAMOVA) não foi possível encontrar o agrupamento com o maior FCT, pois este aumentou em função do número de grupos selecionados. Contudo foram definidos dois grupos populacionais: sudeste e sul, baseado nas árvores filogenéticas e nos networks inferidos utilizando Median-joining e Parcimônia Estatística. Em todas as análises os grupos mantiveram-se com apenas dois indivíduos migrantes, sendo que sua estruturação apresentou FST de 0,70 e Nm de 0,21. O limite aproximado da divisão entre os grupos relaciona-se com o leito do Rio Paranapanema, entretanto não existe fundamentação para afirmar que este rio tenha sido a barreira para o fluxo gênico. O tempo de divergência entre os dois grupos foi estimado entre 3,6 e 1,0 milhões de anos o que situaria o evento cladogênico no final do Plioceno e inicio do Peistoceno, período de grandes mudanças climáticas que poderiam ter fragmentado a população ancestral. Os resultados do NCA (Nested Clade Analisys) confirmam uma fragmentação passada como explicação para a estruturação entre os dois grandes clados, além de fluxo gênico restrito para a formação da maioria dos subclados. Análises de Aucorrelação espacial contrariamente indicam com alta significância uma variação clinal, contudo este padrão poderia ser gerado pela grande diferença entre os clados. Testes de neutralidade foram significantes apenas para os subclados do SC, assim como, o padrão unimodal nas análises de mismatch distrution, sugerindo um bottleneck moderado seguido de uma expansão populacional para SC. As espécies insulares: B. alcatraz e B. insularis agrupam-se no SEC e possuem haplótipos continentais. Contudo provem de subclados distintos dentro de SEC. Estes dados sugerem que a colonização das ilhas ocorreu a poucos milhares de anos, e podem estar associados a flutuação do mar durante o Pleistoceno
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