Maus-tratos na infância e mediadores inflamatórios na desintoxicação de usuárias de crack

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Levandowski, Mateus Luz
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Faculdade de Psicologia
BR
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Psicologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/869
Resumo: JUSTIFICATIVA: Estudos recentes têm demonstrado que tanto o estresse precoce, quanto o abuso de drogas, especialmente a cocaína, tem fortes efeitos sobre o sistema inflamatório. Considerando que maus-tratos na infância (MI) têm sido descrito como um importante fator de risco para a dependência, este estudo teve como objetivo investigar níveis periféricos de mediadores inflamatórios durante a abstinência inicial de cocaína tipo crack em usuárias do sexo feminino, com e sem história de MI. MÉTODO: A presente dissertação é composta por dois estudos empíricos. O primeiro é um estudo de follow-up que investigou três adipocitocinas em 104 dependentes de cocaína tipo crack e 18 controles saudáveis. Os níveis plasmáticos de adiponectina, resistina e leptina foram avaliados a cada sete dias, durante três semanas, através de ELISA. O segundo é um estudo transversal que investigou o TNF-alfa e quatro membros da superfamília do TNF, através de ELISA e citometria de fluxo em 44 dependentes de cocaína tipo crack e 25 controles saudáveis. Ambos os estudos utilizaram o Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) para avaliar retrospectivamente história de maus tratos na infância das participantes. RESULTADOS: O primeiro estudo destacou que as usuárias de crack aumentaram os níveis plasmáticos de leptina durante a abstinência inicial, apesar de as concentrações terem se mantido mais baixas em comparação com o grupo controle. Já em relação aos níveis de adiponectina, o grupo de usuárias que sofreu MI apresentou níveis reduzidos em relação às usuárias sem MI. Além disso, somente o grupo de usuárias sem MI tiveram aumento dos níveis plasmáticos de adiponectina durante a desintoxicação. Já o segundo estudo evidencia que as usuárias com MI tinham níveis mais elevados de TNF-alfa e menor de TWEAK em comparação com as usuárias sem MI e o grupo controle. sTNFRII estava elevado, mas apenas em comparação com os grupos de usuárias de crack e controles. Os níveis de TRAIL estavam levemente elevados no grupo com MI, enquanto não foram encontradas diferenças entre os grupos nos níveis de sTNFRI. Além disso, o nível plasmático de TNF-alfa foi predito positivamente pela gravidade de craving e de MI. CONCLUSÃO: A presente dissertação corrobora com o conhecimento sobre a associação entre o estresse precoce e os níveis pró-inflamatórios periféricos através de resultados inéditos na literatura para a população estudada. Os resultados mostram anomalias inflamatórias na dependência de crack e explora os efeitos cumulativos em relação aos maus-tratos na infância como fator relevante para esta desregulação.
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Os níveis plasmáticos de adiponectina, resistina e leptina foram avaliados a cada sete dias, durante três semanas, através de ELISA. O segundo é um estudo transversal que investigou o TNF-alfa e quatro membros da superfamília do TNF, através de ELISA e citometria de fluxo em 44 dependentes de cocaína tipo crack e 25 controles saudáveis. Ambos os estudos utilizaram o Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) para avaliar retrospectivamente história de maus tratos na infância das participantes. RESULTADOS: O primeiro estudo destacou que as usuárias de crack aumentaram os níveis plasmáticos de leptina durante a abstinência inicial, apesar de as concentrações terem se mantido mais baixas em comparação com o grupo controle. Já em relação aos níveis de adiponectina, o grupo de usuárias que sofreu MI apresentou níveis reduzidos em relação às usuárias sem MI. Além disso, somente o grupo de usuárias sem MI tiveram aumento dos níveis plasmáticos de adiponectina durante a desintoxicação. Já o segundo estudo evidencia que as usuárias com MI tinham níveis mais elevados de TNF-alfa e menor de TWEAK em comparação com as usuárias sem MI e o grupo controle. sTNFRII estava elevado, mas apenas em comparação com os grupos de usuárias de crack e controles. Os níveis de TRAIL estavam levemente elevados no grupo com MI, enquanto não foram encontradas diferenças entre os grupos nos níveis de sTNFRI. Além disso, o nível plasmático de TNF-alfa foi predito positivamente pela gravidade de craving e de MI. CONCLUSÃO: A presente dissertação corrobora com o conhecimento sobre a associação entre o estresse precoce e os níveis pró-inflamatórios periféricos através de resultados inéditos na literatura para a população estudada. Os resultados mostram anomalias inflamatórias na dependência de crack e explora os efeitos cumulativos em relação aos maus-tratos na infância como fator relevante para esta desregulação.BACKGROUND: Both childhood maltreatment (CM) and substance abuse, especially cocaine, have robust effects on the inflammatory system. Considering that CM have been described as an important risk factor for addiction, this study aimed to investigate peripheral levels of inflammatory mediators during early abstinence from female crack cocaine dependents with and without history of CM. METHOD: This dissertation consists of two empirical studies. The first is a follow-up study that investigated three adipocytokines in 104 dependent on crack cocaine and 18 healthy controls. Plasma levels of adiponectin, resistin and leptin were evaluated every seven days for three weeks by ELISA. The second is a cross-sectional study that investigated the TNF-alpha and four members of the TNF superfamily, by ELISA and flow cytometry in 44 dependent on crack cocaine and 25 healthy controls. Both studies used the Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) to retrospectively assess history of CM of participants. RESULTS: The first study revealed that users of crack increased plasma leptin levels during early abstinence, although concentrations have remained lower compared with the control group. In relation to the levels of adiponectin, the group of women who had suffered CM reduced compared with users without CM levels. Moreover, only the group of users without CM had increased plasma levels of adiponectin during detoxification. The second study showed that users with CM had higher levels of TNF-alpha and lower levels of TWEAK compared with users without CM and the control group. sTNFRII was high, but only in comparison with the group using crack and controls. TRAIL levels were slightly elevated in the group with CM, and it was not found differences between the groups in the levels of sTNFRI. In addition, the plasma level of TNF-alpha was positively predicted by craving and CM gravity. CONCLUSION: The present work corroborates the knowledge about the association between early life stress and peripheral pro-inflammatory mediators. The results showed inflammatory abnormalities in crack addiction and explores the cumulative effects in relation to CM as a relevant factor for this deregulation.Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulFaculdade de PsicologiaBRPUCRSPrograma de Pós-Graduação em PsicologiaGrassi-oliveira, Rodrigohttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4751753T6Levandowski, Mateus Luz2015-04-14T13:22:21Z2014-05-202014-01-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfLEVANDOWSKI, Mateus Luz. Maus-tratos na infância e mediadores inflamatórios na desintoxicação de usuárias de crack. 2014. 16 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014.http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/869porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2015-04-17T20:19:29Zoai:tede2.pucrs.br:tede/869Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2015-04-17T20:19:29Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false
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description JUSTIFICATIVA: Estudos recentes têm demonstrado que tanto o estresse precoce, quanto o abuso de drogas, especialmente a cocaína, tem fortes efeitos sobre o sistema inflamatório. Considerando que maus-tratos na infância (MI) têm sido descrito como um importante fator de risco para a dependência, este estudo teve como objetivo investigar níveis periféricos de mediadores inflamatórios durante a abstinência inicial de cocaína tipo crack em usuárias do sexo feminino, com e sem história de MI. MÉTODO: A presente dissertação é composta por dois estudos empíricos. O primeiro é um estudo de follow-up que investigou três adipocitocinas em 104 dependentes de cocaína tipo crack e 18 controles saudáveis. Os níveis plasmáticos de adiponectina, resistina e leptina foram avaliados a cada sete dias, durante três semanas, através de ELISA. O segundo é um estudo transversal que investigou o TNF-alfa e quatro membros da superfamília do TNF, através de ELISA e citometria de fluxo em 44 dependentes de cocaína tipo crack e 25 controles saudáveis. Ambos os estudos utilizaram o Childhood Trauma Questionnaire (CTQ) para avaliar retrospectivamente história de maus tratos na infância das participantes. RESULTADOS: O primeiro estudo destacou que as usuárias de crack aumentaram os níveis plasmáticos de leptina durante a abstinência inicial, apesar de as concentrações terem se mantido mais baixas em comparação com o grupo controle. Já em relação aos níveis de adiponectina, o grupo de usuárias que sofreu MI apresentou níveis reduzidos em relação às usuárias sem MI. Além disso, somente o grupo de usuárias sem MI tiveram aumento dos níveis plasmáticos de adiponectina durante a desintoxicação. Já o segundo estudo evidencia que as usuárias com MI tinham níveis mais elevados de TNF-alfa e menor de TWEAK em comparação com as usuárias sem MI e o grupo controle. sTNFRII estava elevado, mas apenas em comparação com os grupos de usuárias de crack e controles. Os níveis de TRAIL estavam levemente elevados no grupo com MI, enquanto não foram encontradas diferenças entre os grupos nos níveis de sTNFRI. Além disso, o nível plasmático de TNF-alfa foi predito positivamente pela gravidade de craving e de MI. CONCLUSÃO: A presente dissertação corrobora com o conhecimento sobre a associação entre o estresse precoce e os níveis pró-inflamatórios periféricos através de resultados inéditos na literatura para a população estudada. Os resultados mostram anomalias inflamatórias na dependência de crack e explora os efeitos cumulativos em relação aos maus-tratos na infância como fator relevante para esta desregulação.
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