Ecologia cognitiva e forrageamento de Alouatta guariba clamitans Cabrera, 1940 : os bugios-ruivos possuem mapas mentais?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: Pereira, Thiago da Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Faculdade de Biociências
BR
PUCRS
Programa de Pós-Graduação em Zoologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/163
Resumo: Este estudo teve como objetivo caracterizar os padrões de forrageamento de um grupo de bugios ruivos (Alouatta guariba clamitans), a fim de avaliar o uso de informações espaciais na localização de recursos alimentares em um fragmento de floresta de 5 ha em Barra do Ribeiro, RS, Brasil. O grupo de 6-7 indivíduos foi acompanhado durante 20 dias, os quais foram divididos em três períodos entre março e outubro de 2007. O comportamento focal do grupo foi estimado por tempo e todas as árvores utilizadas (n = 654) foram identificadas, medidas e mapeadas. A visibilidade das árvores mais utilizadas pelos bugios (n = 26) foi estimada e comparada com a de outras árvores menos visitadas (n = 77). O levantamentto fitossociologico identificou 54 espécies (n = 267) das quais 12, descritas como importantes recursos alimentares para os bugios, tiveram todos seus exemplares mapeados e medidos (n = 417). No padrão de atividades, os comportamentos descanso (57.6 ± 8.3%) e alimentação (17.1 ± 5.2%) predominaram e a dieta foi baseada em folhas (53.3 ± 15.2%; 35 spp.), frutos (34.3 ± 17.4%, 10 spp.) e flores (12.2 ± 12.3%; 15 spp.) (n =38 spp., 239 árvores). Em média 919 ± 256 m foram percorridos por dia em 81.6 ± 20.6 árvores de 26.9 ± 5.3 spp. A maioria das árvores foi utilizada em apenas 1 ou 2 dias, mas 67% das árvores utilizadas por dia já haviam sido visitadas previamente. O grupo concentrou suas atividades naquelas árvores maiores e de maior visibilidade. Conforme mais árvores de uma espécie eram visitadas, maior era o consumo desta, porém maior era a seletividade das árvores usadas para alimentação. Em 45% dos registros de alimentação foi utilizada a árvore mais próxima daquela espécie, apesar de em 78% haver uma árvore de alimentação de outra espécie mais próxima. Os segmentos de árvores utilizados foram concentrados em uma direção, principalmente devido ao uso das espécies de figueiras. Os bugios apresentaram estratégias de forrageio distintas nos períodos amostrados que confirmam nossas predições baseadas em estratégias de primatas frugívoros, apesar da alta folivoria do grupo. O grupo utilizou rotas de locomoção com árvores de grande visibilidade com nódulos de decisão. Tais rotas possibilitaram o monitoramento da disponibilidade de importantes fontes de frutos, principalmente de figueiras. A distancia percorrida foi minimiza com o uso de fontes próximas e o ganho energético foi maximizado pelo uso de árvores mais produtivas. Apesar de tais dados não permitirem inferir a presença de mapas mentais em bugios, eles demonstram que o grupo observado fez uso de informações espaciais do meio para otimizar o seu forrageio, inclusive em períodos de baixa disponibilidade de frutos.
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